Corrupção e o Capitalismo.
Pin ItA revista Veja dessa semana entrevista o banqueiro e filantropo americano David Rockefeller, de 91 anos, o único neto vivo de John D. Rockefeller, o homem mais rico do mundo no início do século passado e fundador da Standard Oil, o primeiro grande conglomerado da indústria petrolífera. Com uma fortuna pessoal estimada em 2,6 bilhões de dólares, David Rockefeller figura entre as 300 pessoas mais ricas da atualidade.
Entre 1961 e 1981, ele esteve no comando do banco Chase Manhattan, do qual era também o maior acionista. Durante esse período, o Chase Manhattan tornou-se um dos maiores credores individuais da dívida externa brasileira.
David Rockefeller esteve no país mais de uma dezena de vezes, foi proprietário de uma fazenda em Mato Grosso e sua filha Peggy trabalhou como voluntária em favelas cariocas. Nesta semana, ele desembarca no Brasil com um grupo de cerca de trinta investidores americanos.
Enquanto isso, no Brasil, os "capitalistas" da Sundown são condenados a até 10 anos de prisão por crimes de corrupção ativa, que significa: eu não vou pagar os impostos, eu não quero saber de devolver nada para a comunidade, o quê interessa é ganhar dinheiro vendendo bicicleta e motocicleta.
Para chegar lá, os caras da Sundown, fazem o marketing-lixão. Há meses, na Marginal Pinheiro em São Paulo, ao lado do Campus da USP, você tem que engolir uma série de outdoors TERRÍVEIS e COMMODITIZADOS dizendo que os caras são o máximo, que os caras são a empresa de motos que mais cresceu no Brasil, que os caras são "jóia", que os caras são inovadores e blábláblá.
Crescer sem pagar imposto é fácil! CADEIA NELES!!!!
Confira as partes mais interessantes da entrevista com David Rockefeller:
Veja – O senhor fundou
duas instituições para promover as relações entre
os Estados Unidos e a América Latina. Por quê?
Rockefeller
– Poucos sabem, mas viajo pela América Latina há sessenta
anos. Vim ao Brasil pela primeira vez em 1948, com meu irmão Nelson. Ele
foi o coordenador de Relações Interamericanas do presidente Franklin
Roosevelt durante a II Guerra e, em 1944, tornou-se subsecretário de Estado
para a América Latina. Em razão desse trabalho, Nelson ficou amigo
de vários brasileiros, especialmente Walter Moreira Salles, a quem tive
a sorte de conhecer logo na primeira viagem. Desde o começo, fiquei encantado
com a beleza do país e com a energia e o entusiasmo dos brasileiros. Minha
experiência com o continente fez com que eu criasse a Americas Society e
o Conselho das Américas, há 41 anos. O papel de ambas as entidades
é promover o entendimento no continente e fortalecer os laços entre
os setores público e privado da região. Nossa nova estratégia
consiste em levar membros da organização em viagens para a América
Latina. A visita desta semana ao Brasil é a terceira em três anos
consecutivos. Para muitos de nossos membros, a maioria empresários, o Brasil
representa o mercado mais importante para investimentos na América Latina.
Veja – O senhor
acompanha os acontecimentos brasileiros há seis décadas. Como o
senhor avalia a trajetória do país nesse período?
Rockefeller – O Brasil é um dos países mais influentes
da região, com grande potencial de desenvolvimento. Também o vejo
como um líder, devido a seu tamanho e sua relevância política.
O Brasil é hoje diferente do país que conheci décadas atrás.
A economia está estável e as instituições democráticas
fortaleceram-se. As eleições recentes, por exemplo, não causaram
as preocupações e as volatilidades financeiras de quatro anos atrás.
Nos próximos anos, o Brasil deveria se concentrar em buscar crescimento
e sustentabilidade. O país parece ter deixado os momentos difíceis
para trás e precisa agora dar uma vida melhor a seus cidadãos. Isso
pode ser feito melhorando a educação e os serviços sociais.
Veja – O que
o faz pensar de forma tão otimista sobre o potencial brasileiro?
Rockefeller
– Os brasileiros têm espírito empreendedor. O Brasil é
um exportador de aviões, tem grande papel no setor metalúrgico e
uma indústria de software bem desenvolvida. O país possui igualmente
enorme potencial para se tornar um líder em energia alternativa, por meio
da tecnologia do etanol. Os fundamentos para uma expansão econômica
parecem estar todos no lugar certo.
Veja
– O papel dos banqueiros internacionais na crise da dívida
do Terceiro Mundo nos anos 80 é motivo de controvérsia até
hoje. Muitos brasileiros acreditam que eles nos ofereceram empréstimos
de que não precisávamos e depois cobraram caro por isso. Foi o que
ocorreu?
Rockefeller – Apenas parte dessa história
é verdadeira. Os choques do preço do petróleo dos anos 70
concentraram uma grande quantidade de dólares nas mãos das importantes
nações produtoras de petróleo. Muitos desses países
aplicaram o dinheiro nos Estados Unidos e na Europa. Como conseqüência,
os bancos ocidentais, incluindo o Chase Manhattan, do qual eu era presidente naquele
período, tinham muitos ativos que precisavam ser reinvestidos. Os países
em desenvolvimento, incluindo o Brasil, necessitavam desse dinheiro, e por isso
lhes oferecemos empréstimos. Estes foram estruturados para ajudar a balança
de pagamentos de tais países e também para financiar grandes projetos
de infra-estrutura, como hidrelétricas, estradas e portos. Foram empréstimos
legítimos. Não conheço suficientemente a situação
do Brasil para saber se algum funcionário brasileiro recebeu propina, como
aconteceu em alguns países. O Chase não ofereceu subornos. Não
fazemos negócios dessa maneira.
Veja
– O senhor foi um ardente defensor da economia de mercado durante
os anos da Guerra Fria. Alguma coisa mudou nos argumentos que o senhor utiliza
ao debater hoje esse assunto?
Rockefeller – Não. Como
era de esperar, sou um grande defensor da empresa privada. Acredito que essa é
a forma mais eficiente e prolífica de organização econômica.
A história provou que o capitalismo é bem superior ao comunismo,
que apenas retardou o crescimento econômico e reprimiu a liberdade. As empresas
privadas e o capitalismo, no entanto, funcionam melhor quando vêm acompanhados
de instituições democráticas, baseadas em leis que de fato
funcionem e sejam respeitadas.
Veja
– Uma das críticas ao capitalismo diz respeito a sua capacidade
de produzir um número crescente de milionários, mas sem conseguir
pôr fim à pobreza. Como se explica esse paradoxo?
Rockefeller
– A resposta mais simples é a seguinte: o ideal não deve
ser inimigo do possível. A crítica não leva em consideração
o fato de milhões de pessoas viverem com conforto e razoável segurança
em sistemas capitalistas. Aliás, se não existissem bilionários
e milionários, duvido que o capitalismo tivesse sobrevivido. O que realmente
importa é o surgimento de uma grande classe média e a redução
do número de pessoas vivendo na pobreza. Se pesarmos os prós e os
contras, veremos que o capitalismo vem dando vida melhor a um número cada
vez maior de pessoas. A sociedade e os governos precisam entender que o assunto
de maior impacto da atualidade é a necessidade de crescimento sustentável
e equitativo. É preciso chegar a um compromisso para criar regras previsíveis
e sustentáveis nos países, com investimentos em boa educação
primária para toda a população. Os governos devem também
investir mais em infra-estrutura, como transporte e serviço social básico,
a fim de promover o crescimento.
Veja
– Qual a relevância da filantropia para os negócios?
Rockefeller – Todas as empresas devem ser responsáveis
em relação ao bem-estar de sua comunidade. Esse princípio
deveria ser uma prioridade de todas as companhias, juntamente com a rentabilidade
e o crescimento a longo prazo. Milton Friedman, o grande economista da Universidade
de Chicago que morreu recentemente, e eu discordávamos bastante nesse ponto.
Ele acreditava que as corporações tinham apenas uma responsabilidade:
gerar lucros. Eu penso que é possível ganhar dinheiro e também
se preocupar com a qualidade de vida da sociedade.
Veja – De que maneira os ricos e as empresas
da América do Sul poderiam se inspirar na tradição filantrópica
americana?
Rockefeller – Seria um erro se as nações
latino-americanas tentassem simplesmente imitar as instituições
filantrópicas dos Estados Unidos e da Europa, desenvolvidas ao longo de
muitos anos. Cada país da América Latina tem tradições
enraizadas de caridade e sociedades civis muito vibrantes. Essa é a base
sobre a qual uma estrutura filantrópica local deve ser construída.
Veja – Cada
um de seus filhos adotou uma causa própria. Sua filha Peggy, por exemplo,
envolveu-se com projetos sociais no Brasil. A filantropia faz parte da educação
que eles receberam na infância?
Rockefeller – Sim.
Tenho quatro filhas e dois filhos. Cada um deles desenvolveu interesses filantrópicos
próprios. Peggy, em particular, tem feito muitos trabalhos no Brasil. Ela
chegou a passar dois ou três verões no Rio de Janeiro, durante a
faculdade, trabalhando para ONGs de uma favela. O resultado dessa experiência
é que ela fala português fluentemente e de vez em quando passa temporadas
no Brasil.
Veja – O
arquiteto italiano Renzo Piano, que nos anos 70 desenhou o Museu Georges Pompidou,
em Paris, disse que "os museus são as catedrais de hoje". O senhor, que
é um grande colecionador de obras de arte, concorda com ele?
Rockefeller
– Sim, concordo com essa idéia levemente sacrílega de Renzo.
Os museus se transformaram nas instituições em que são expostos
os símbolos e as idéias mais importantes da sociedade contemporânea.
Eles têm hoje o mesmo papel das grandes catedrais do passado, como a de
Chartres, na França, e a de São Pedro, em Roma, onde ficavam as
obras de arte mais finas de seu tempo. Os museus são capazes de educar
os visitantes de diversas formas e sobre os mais variados assuntos.
Veja – Como o senhor vê os recentes escândalos
financeiros envolvendo empresas americanas?
Rockefeller –
Os diretores da Enron, da WorldCom e de algumas outras companhias americanas traíram
a confiança de seus empregados, acionistas e dos americanos em geral. É
fundamental notar que quase todos foram indiciados por suas ações,
levados a julgamento e, muitos deles, considerados culpados. Alguns ainda estão
na cadeia. O que eu quero dizer com isso é o seguinte: da mesma forma que
crimes foram cometidos e muita gente foi prejudicada, o sistema judicial funcionou.
Para completar, o sistema de regulamentação para o setor empresarial
foi ajustado para evitar que esses problemas se repitam no futuro. A maior parte
dos americanos se comporta eticamente e toca seus negócios de maneira limpa.
Veja – O senhor
participou ativamente da construção e do desenvolvimento da área
de Manhattan, onde foram construídas as Torres Gêmeas, derrubadas
pelos atentados de 11 de setembro. Que impacto o ataque terrorista teve para o
senhor?
Rockefeller – Assisti da janela do meu escritório
no 56º andar do Rockefeller Center à queda das torres. Foi um dos
momentos mais terríveis da minha vida. Eu não podia acreditar no
que estava vendo. Aquelas mortes e destruição foram inacreditáveis.
O episódio lembrou-me as cidades alemãs destruídas pelos
bombardeios dos aliados durante a II Guerra. Até hoje não consegui
compreender como alguém pode chegar a um nível de ódio a
ponto de cometer uma atrocidade daquelas.
Veja
– Por que o senhor criou a Stone Barns, uma fazenda de produtos orgânicos,
no estado de Nova York?
Rockefeller – Criei esse lugar em
homenagem à minha esposa, Peggy, falecida em 1996. Ela era uma fazendeira
dedicada e se preocupava com o futuro da agricultura familiar nos Estados Unidos.
Temos ali mais de 200 variedades de vegetais cultivados sem o uso de hormônios
e de fertilizantes químicos. Queremos mostrar que alimentos plantados de
maneira sustentável fazem bem à saúde, à economia
local e ao meio ambiente. Temos também dois restaurantes orgânicos
na fazenda.
Veja –
O senhor teve a oportunidade de conhecer muitas das principais personalidades
do século XX, de Pablo Picasso a Sigmund Freud, passando por Saddam Hussein
e Nikita Kruschev. Quem o marcou em especial?
Rockefeller –
Em meu livro Memoirs, cito muitas pessoas que me influenciaram durante
a juventude. Meu pai, John D. Rockefeller Jr., foi o mais importante. Ele, juntamente
com a minha mãe, Abby Aldrich, uma das fundadoras do MoMA (Museu de
Arte Moderna de Nova York), criou meus irmãos e eu com valores extremamente
fortes, incluindo a convicção de que temos a obrigação
de contribuir para a nossa sociedade. Tive sorte de ser criado por pais tão
sábios e cuidadosos.
Veja
– Qual é o seu segredo para manter o vigor aos 91 anos?
Rockefeller – Simplesmente ainda acho a vida fascinante e espero por
cada novo dia. Ainda vou ao escritório diariamente e viajo bastante. Continuo
curioso sobre o mundo e tudo o que há nele. Espero que as pessoas se lembrem
de mim como alguém que se preocupou com o mundo em que viveu e fez o que
pôde para torná-lo um lugar melhor.
Maldito, corrupto, assassino, ladrão, mentiroso, manipulador, boçal, é pouco pra este filha da puta.
Posted by: James Dim | 30/01/2008 at 11:17 AM
Nosso governo continua agindo como Coroa Portuguesa e nós como Índios, eles levam nosso ouro em troca de presentinhos como o bolsa família. Legítima Colônia de Exploração, O Grito do Ipiranga só mudou quem manda no jogo, de resto continuamos a ser explorados. Nós Plantamos e o Governo Recolhe. Imposto voltando pra comunidade??????? Quando meu filho fica doente ou desembolso 200,00 numa consulta mais os impostos, ou vejo ele sofrer num corredor de hospital público. Na idade média se começava uma revolução por muito menos.
Posted by: Marlon | 05/01/2012 at 09:39 AM