Vale tudo?
Pin It"Lucro da Vale bate R$ 20 bilhões em 2007. O desempenho positivo dos preços das commodities metálicas no mercado mundial fez com que o lucro líquido da mineradora Vale do Rio Doce atingisse R$ 20,006 bilhões em 2007, ficando 48,95% acima do registrado em 2006 (R$ 13,431 bilhões). Trata-se do quinto ano seguido de alta no ganho. No comunicado divulgado hoje, a Vale informou ainda que no quarto trimestre de 2007, o lucro foi de R$ 6,431 bilhões, 30,9% a mais do que no mesmo período do ano anterior.
"Com esses volumes, a Vale reafirma sua posição de maior produtora mundial de minério de ferro, segunda maior de níquel, e uma das maiores em caulim, cobalto, ferro ligas e alumina", informou a empresa em comunicado.
A produção forte --ancorada, entre outros, na aquisição da canadense Inco, em 2006, por US$ 16 bilhões-- fez com que a empresa tivesse receita bruta de R$ 66,385 bilhões, 42% a mais do que no ano anterior.
Na viagem recente que fiz a Belém eu encontrei uma consultora de business que desenvolve um trabalho de gestão dentro da Vale do Rio Doce.
Quando eu perguntei a ela qual é o grande problema que ela enfrenta junto aos executivos de uma empresa tão "badalada" como a Vale, ela disse: "Corporativismo", "É complicado fazer um executivo que não vê clientes, não vende nada, não fala com pessoas de verdade, colocar os pés no chão com as ações da empresa batendo todos os recordes do mundo".
Maluco, os caras faturam bilhões sem departamento nenhum de vendas. O dia resume-se a monitorar os preços dos commodities nos monitores instalados dentro das salas de mogno dos salões corporativos, e aguardar os pedidos de compra vindo dos lobistas instalados dentro das bolsas.
Mas, no final do dia a Vale é uma empresa FOCADA. Eles furam a terra, enfiam a faca lá dentro, tiram o minério cru e entregam. A Vale não embala, não mistura, não subtrai nada, não agrega NADA ao minério extraido da terra, simplesmente coloca no trem, caminhão, avião, navio, jegue, e entrega. FOCO!
Grande empresa. Bláh!

Ricardo,
Leio seu blog com certa frequência, e achei engraçada a maneira como você disse que a Vale não agrega nada. Como se todo o processo logistíco que eles constroem para suportar o negócio fosse insignificante. A Vale vende commodities sim, mas não é por isso que se deva dizer que não é uma empresa inovadora. Principalmente se você considerar as novas aquisições, o recente reajuste do preço do minério, e todos os investimentos realizados em tecnologia além de considerar o percentual que ela ocupa na Bovespa de todas as ações negociadas junto com a Petrobras.
Commoditie também é negócio :)
Posted by: Felipe Silveira | 29/02/2008 at 10:25 AM
O mais engraçado é que, enquanto a Vale era estatal, ninguém sonhava que um dia ela chegaria a tal gigantismo.
Se ainda fosse um cabideiro de empregos, como outras ainda o são, hoje não importaria se ela vende comodities, se embala, se extraí minério com colher ou fórceps.
Que venha a Tata!
Posted by: Iztvàn | 29/02/2008 at 11:07 AM
Ricardo, se for pensar com estes critérios, de que commoditie não tem valor agregado e portanto num tem valor, coitados dos produtores de leite em cooperativa que existem aos milhares no interior de SP e outros estados...Eu acho que eles merecem uma revolução também não acha?
Posted by: Lucas Oleiro | 29/02/2008 at 11:14 AM
Causar polêmica e provocar reflexão em nossos conceitos, que consequentemente nos "forçaria" a agir... Foi isso que ele me disse o que seria a idéia da BizRevolution...
RECONSTRÓI TUDO!!!
Elton de Oliveira
Posted by: Elton de Oliveira | 29/02/2008 at 12:04 PM
É realmente miopia dizer que a Vale não agrega nada, é claro que agrega. Como um fã incondicional de DISTRIBUIÇÃO ATACADISTA seria um tiro no pé dizer que LOGÍSTICA não agrega nada.
But, eles poderiam pelo menos embalar os produtos.
Posted by: Ricardo Jordão Magalhães | 29/02/2008 at 05:26 PM
Muitos dizem que a Vale é um dos grandes orgulhos do País, eu acho exatamente o contrário, pois mandar toneladas de minério de ferro pra Ásia transformar em poucos kg e exportar de volta ao Brasil pelo dobro do valor que foi importado é burrice.
Não devemos exportar commodities, devemos agregar valor, exportar produtos, e assim criar empregos e renda.
Posted by: Gabriel Klein | 02/03/2008 at 03:39 PM
Gabriel
Não concordo com você. E respondo com um simples questionamento. Ser a segunda maior empresa de mineração do mundo (a ponto de se tornar a primeira)não é motivo de orgulho?
E mesmo que não fosse, me pergunto por que as pessoas hoje olham o mercado de commodities como uma heresia, uma falta de criatividade ou talento, como se ninguém precisasse de clipes de papel, ou minério de ferro...
Se a embalagem é desnecessária ou pouco atraente importa menos do que outros fatores bem mais complexos que permitem diferenciais competitivos muito mais interessantes de se observar ou encontrar em outras empresas brasileiras.
A Vale não é apenas uma exportadora de minério. Pra suportar todo esse processo industrial é necessário administrar e integrar de forma eficiente seus portos, usinas, navios, postos de abastecimento, estações de energia, além é claro das relações com inúmeros fornecedores de serviço que prosperam pelos negócios que mantém com a Vale. O número de empregos diretos e indiretos gerados é maior do que a maioria das outras empresas brasileiras que posso me lembrar no momento.
Quanto a criar renda, a Vale tem um faturamento anual próximo de R$152 bilhões, estimando crescimento.
Não entendo por que desmerecer ou não ver nenhum valor agregado nisso tudo?
Posted by: Felipe Silveira | 03/03/2008 at 05:13 PM
E mais um detalhe: a Vale tem participações expressivas em algumas siderúrgicas, sendo que em algumas detém quase a majoritariedade das ações. Certamente o minério que ela produz como mineradora vai parar em algumas dessas siderúrgicas. No entanto, como a quantia é gigantesca (falamos das maiores reservas de minério de ferro do mundo!), ela exporta a maior parte.
Posted by: Brun | 09/10/2009 at 05:55 PM