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30/06/2008

Bill Gates 2.0

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Bill Gates é o meu ídolo máximo no mundo dos negócios. Eu gosto do Steve Jobs, eu gosto muito do Sam Walton, eu admiro o Jeff Bezos, reverencio o Thomas Watson Jr da IBM e gosto de muitos outros revolucionários e inovadores, são tantos que nem cabem aqui. Mas é o Bill Gates o cara mais revolucionário de todos. Judeu, nerd, feinho, baixinho, bitolado, perebento, Bill Gates é o cara responsável pela revolução da microinformática. Se não fosse ele e sua turma da Microsoft, o mundo da computação talvez ainda estivesse restrito aos CPDs das grandes empresas. Foi ele que viu antes de todos que o software poderia ser a grande produto do século 21, e um dia todo mundo teria um computador na sua mesa. A indústria de microinformática explodiu. Hoje, o micro que eu estou digitando esse texto tem mais potência do que o CPD de um grande banco com o Bradesco quinze anos atrás.

Bill Gates se aposentou da Microsoft na última sexta-feira. Ele vai embarcar no projeto Bill Gates 2.0 onde vai se dedicar a filantropia e se reinventar como profissional. Bill é o cara. Na primeira parte da vida ele construiu a indústria mais interessante e relevante dos últimos 500 anos, a indústria da microinformática, e agora na segunda parte da sua vida vai se dedicar a causas sociais. Show!

A minha história com o Bill Gates e Microsoft não se restringe apenas aos livros que li e histórias que muitos conhecem. Eu vivi na pele as suas idéias e sempre fui parte integrante do sucesso da Microsoft e colhi parte de toda a riqueza que eles geraram.

Eu era um simples estagiário de marketing quando conheci a Microsoft. Na época, em 1989, o Windows ainda não existia efetivamente. O DOS era o produto mais vendido da Microsoft, veindo por alguns milhões de cruzeiros velhos ou qualquer outra moeda falida da época. O processador de textos mais vendido do Brasil era o WordStar, a planilha era a Lotus 1-2-3, o banco de dados era o dBase, o software para fazer apresentações era o Harvard Graphics, o utilitário mais vendido era o PC Tools, o correio eletrônico era o CC:Mail, a rede era a Tapestry e o sistema operacional de redes era Novell.

Todos esses produtos eram líderes de mercado. Produtos fantásticos com representantes brasileiros engomadinhos e arrogantes. Eu me lembro como se fosse hoje a maneira arrogante que eu era tratado na época. Apesar de já fazer parte de uma grande empresa revendedora de software, a Brasoftware, eu era ignorado pelos executivos da Novell, Lotus etc. Eu queria falar sobre marketing, vendas, novos projetos, mas eles nunca retornavam qualquer ligação. Estavam muito ocupados colhendo o fruto do sucesso dos produtos.

Chegou então a Microsoft. Aberta, super parceira, disposta a criar um canal sério, forte e integrado. Ela criou políticas de canais muito antes de qualquer um entender o que significava programas de relacionamentos. Enquanto os galãs da época tinham um jeito careta de fazer negócios, a turma da Microsoft trazia para o Brasil uma cara cool, um escritório cool, uma cultura jovem muito diferente do que existia na época. Comida grátis, lavanderia grátis, serviços de concierge para os funcionários eram algumas das inovações oferecidas aos funcionários no príncipio dos anos 90.

Hoje se fala muito sobre o escritório e a maneira despojada da Google de fazer negócios, mas foi a Microsoft que inventou tudo isso. Antes do Bill Gates, os executivos falavam difícil, eram inacessíveis, usavam gravatas listradas, ternos escuros e camisas brancas. Depois do Bill Gates, o mundo executivo ficou ágil, aberto, menos quadrado. Antes de Bill apenas os acionistas ganhavam dinheiro da empresa, depois de Bill todos os funcionários passaram a ter acesso as ações da empresa através de programas de stock options entre outros benefícios relacionados a distribuição de riqueza.

Milhares de funcionários se tornaram milionários com a cultura da distribuição de riqueza e meritocracia que a Microsoft criou e hoje é copiada por centenas de empresas.

O interessante é que Bill Gates inventou essas práticas sem copiar de nenhum livro de negócios. Bill Gates não terminou nenhuma faculdade. Ele largou a Harvard no primeiro ano para se dedicar de corpo e alma para a Microsoft. Talvez por isso que ele tenha conseguido criar uma cultura empreendedora e inovadora na Microsoft. Será que ele teria criado algo tão fora da caixa se tivesse se submetido aos conceitos retrógrados e lentos que mesmo Harvard ensina aos seus alunos?

Eu acho que não. Quantos MBAs e cursos de administração - passados 40 anos - ensinam hoje empreendedorismo para os alunos? Ou, como começar uma empresa do zero e ser dramaticamente diferente da concorrência?

Bill talvez não tenha inventado nenhum grande software. Ele fez apenas o DOS, o Windows, o Office, o Microsoft mouse, o XBox, produtos commom sense hoje, mas que na sua época foram muitos relevantes. Gates inventou a indústria do software quando todos achavam que hardware era a bola da vez.

Uma das frases mais famosas de Gates sobre sua visão dos negócios é "Nós procuramos por negócios onde possamos ter uma grande participação de mercado, e não apenas os tradicionais 30% ou 35%". Por trás da cara de nerd sempre se escondeu um executivo ultra agressivo que trabalhou duro enquanto a concorrêcia dormiu em berço esplêndido.

O filme Piratas do Silício que eu exibi no último HollyCEO tem uma cena muito bacana que reproduz fielmente o que Bill Gates teve que fazer para conquistar a IBM quando a Microsoft era uma micro empresa no segundo andar de um posto de gasolina.

A cena abaixo, como diz o personagem do Steve Ballmer durante o trecho selecionado, deveria estar nos livros de história de todo o planeta.

Bill Gates é o cara, sua vida deve ser estudada por nossos tataranetos. Sua trajetória é mais enriquecedora para uma criança do que a história de como Pedro Álvares Cabral chegou ao Brasil.

QUEBRA TUDO!

   

Comments

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Caro Jordão,

Direto do túnel do tempo. Em 1989 estudava no CEFET e lembro-me de meus pais fazendo das "tripas coração" para pagar meu curso de basic, cobol, lotus 1-2-3... na tal de Micronews (uma das poucas escolas na época).
Metade dos professores de informática daquela época se achava deus (porque a outra metade tinha certeza).
Bill acabou com isto. Graças a ele, se quiser fazer doutorado no MIT, posso disputar a vaga em pé de igualdade com qualquer um face o material de estudo estar disponível na NET.

Valeu Bill*!

Forte abraço,

Gabriel Peixoto

* o que será que este cara vai aprontar nesta sua nova empreitada???

Bill Gates, o homem, a lenda...
Acredito que ele irá revolucionar a onda do momento, o trabalho não-remunerado e que tem feito a diferença pra muitas pessoas.
Mas ao contrário do que há milhares e milhares de anos os governos fazem em prol dos mais carentes, dando comida e bolsa-alguma-coisa, acho que Billy vai alimentar a mente e o estômago dessas pessoas.
Boa sorte pra ele, pois muito, como com a Microsoft, se beneficiarão.

Abraços.

Rái pipou....

Depois de longo inverno, cá volto.

Em algum lugar no futuro, algum desvairado vai colocar o WG3 no mesmo pedestal de Jesus, Mohammed, Bhuda, Churchill...

E não será sem razão.

PS: Caracas, fiz curso nessa MicroNews e achava o Lotus o "crème de la crème"...

Caro Jordão,


Bill Gates sem dúvida é uma lenda, entretanto devemos sempre nos fazer a pergunta:

"Os fins justificam os meios?"

Pensemos nisso: Tio Bill fez, faz e continuará fazendo bem para a humanidade tanto com o legado da Microsoft como pela atuação em causas sociais. Fantástico. Só que isso não o absolve dos seus erros.

Grande Abraço

Mesmo a mais bem intencionada das pessoas erra e vai errar sempre, somos imperfeitos buscando o que chamamos perfeição.

Eles comenteram erros buscando seus sonhos e fazendo o que achavam ser certo ou sabiam que estavam errados mas tinham um objetivo final.

Hoje não faríamos certas obviedades, será??? as empresas modelo hoje serão taxadas de atrasadas no futuro, as que pensam que se preocupam o meio-ambiente hoje serão vistas como poluidoras!

Como já foi dito neste blog, nos preocupamos demais em reduzir nosso defeitos qdo poderíamos estar focando em melhorar nossas qualidades!

Abraços!

Rodrigo,

Acho que os fins não justificam os meios, mas uma coisa é certa: o cara foi lá e fez!
Quantas pessoas tu conhece que tem uma idéia MARAVILHOSA (ou pelo menos acha) e não tira a bunda da cadeira, pra fazer a coisa acontecer?
Esse é o grande mérito do cara. No meu ponto-de-vista.

Abraços!

O Bill Gates não inventou a internet!!
A invenção da WWW (world wide web), um braço da internet, como conhecemos hoje (aberta, livre, democrática) foi criada pelo Tim Berners em 1989. Em 1994, o Tim fundou o W3C, o consórcio para ditar os padrões da internet de forma que ela continue assim (aberta, livre...), privilegiando o acesso às informações.
Padrões do W3C, que a Microsoft vêm ignorando,combatendo e complicando através de linguagens confusas como o .NET e seu browser despadronizado IE.
Quem é da área sabe, o quanto é complicado lidar com este browser, sem transformar os sites em uma "internet proprietária e inacessível para os outros" da Microsoft.

Em tudo que ela adiantou 10 anos da história da informática no seu começo, ela seguramente atrasou o desenvolvimento da internet em 20 anos, graças a sua "política" traduzida em seu hegemônico e fechado browser IE.

O que a Microsoft tinha, era os planos (por sorte frustrados) de uma rede fechada, paga, difícil de usar, chamada MSDN, que felizmente "gorou" perante a universalidade da web.
E não se preocupem... ele também não inventou o conceito de microcomputador, nem de sistema operacional (o CP/M, diferente do mostrado do filme, já era um sistema de relativo sucesso)
Ele apenas embarcou seu sistema operacional em computadores de grande vendagem.
Não sei como era na época do Lotus 123. Mas de uns tempos para cá, os programas da Microsoft tem se mostrado complicados, pouco precisos (com mensagens de erro como: "*Parece* que há problemas de rede, pode ser que não haja conexão ou você tenha acesso de rede reduzido"..., difíceis de usar, em relação aos concorrentes.
Não é a toa que a Microsoft perdeu terreno na Europa, com as multiversões incompatíveis do seu Office.
Falha que agora a Microsoft está tentando "reparar" com ações como a nova interface do Office 2007, mais direta e intuitiva, mas que no entanto obrigou seus antigos usuários a reaprender totalmente a usar o programa.

Se a Microsoft teve algum mérito, foi a jogada comercial citada no vídeo, essa sim uma jogada de mestre.
Agora, em relação a tecnologia: na parte de software, eles mesmos reconhecem que ficaram aquém dos concorrentes em toda a história.

Mas, curiosamente, na parte de hardware, (que não seria o foco principal) a qualidade continua imbatível em todos os produtos. Porque será? (Que outro teclado é tão "solid state" que pode dar 3 anos garantia?)

O que não dá pra entender, é a insistência da Microsoft em manter um modelo de negócios rígido, baseado no "tudo pra mim, nada pros outros", acreditando que iniciativa open-source é uma espécie de "inimigo", etc.
Provavelmente, eles ainda ainda nutrem desejos secretos de transformar a internet em um MSDN gigante, como gostariam de fazer algum tempo atrás.
Só recentemente a Microsoft vem revendo sua atual postura "arrogante" (curioso... subiu no pódio, parece que é atacado desse mal) devido a baixa aceitação do seu novo filho, o Vista, com suas proteções exageradas, complicação de usar, críticas de usuários, etc.

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