Glauco, o cartunista da turma do fundão.
Hoje a noite em Osasco São Paulo três "coisas" assassinaram o Glauco, o cartunista da turma do fundão, um dos Três Amigos - ao lado do Angeli e Laerte, que trouxeram a turma do fundão para os quadrinhos. Como amante dos quadrinhos que sou, estou muito triste com a perda de um cara que nasceu para fazer os outros rirem, nasceu para mostrar ao mundo personagens fantásticos que retratam a vida do mundo alternativo, nasceu para abrir as portas do quadrinho nacional para o mundo.
"Comecei a desenhar no segundo grau. Sempre desenhei na turma do fundão, que eu fui freqüentador assíduo. Desenvolvi essa linguagem e vi que era uma ferramenta muito poderosa: o humor aliado com caricatura. Desde você fazer caricatura dos professores, de algum colega de classe... Também tive contato com o pessoal do Pasquim. Conheci o Henfil, todos aqueles desenhistas, o Ziraldo. Aquilo foi me inspirando." Glauco
Glauco, o cartunista da turma do fundão. Um fim injusto para quem trouxe tantas alegrias para tanta gente.
"Tinha uma coisa de equilíbrio entre nós três. O Angeli tem um espírito ordeiro e estrutural, apesar de ser um cara bastante louco; o Glauco tem essa coisa da "demência" dele, que proporciona sacadas absurdas, que a gente jamais teria sozinhos; e eu, não sei, também tenho algum papel nisso, principalmente na parte de desenhar as histórias, de compô-las." Laerte, sobre Os Três Amigos.
"Glauco foi um grande artista e um ser humano admirável. Sua obra ficará na memória das gerações que amaram seus desenhos e no traço dos muitos artistas jovens que sua imaginação influenciou. Era uma pessoa que tinha a doçura de uma criança e a serenidade de um sábio. Sua morte e a de seu filho Raoni são motivo de profunda tristeza, especialmente na Folha de São Paulo, casa profissional do cartunista há mais de três décadas". Otavio Frias Filho, diretor da Folha de São Paulo
"A notícia me pegou na estrada, é uma coisa que deixa você meio chapado. É como perder um sobrinho. Vi esses quatro meninos --Glauco, Angeli, Laerte e Adão-- começarem a vida. Sempre os tratei como filhos e tenho um carinho muito grande por todos eles. O Glauco, em específico, sempre foi a alegria da festa, a alegria dos salões. Tinha uma agilidade mental muito grande, era muito crítico, debochado --debochado num bom sentido, como uma qualidade, quase como uma ironia. (...) É uma perda brutal para todos nós, e fico com raiva e vergonha dessa violência. Demorará para passar. Há muito tempo não sentia uma dor tão grande." Ziraldo.



Glauco tinha 53 anos (minha idade) e seu filho 25 (idade do meu filho).
Como eu, Glauco nasceu numa cidade do interior ( Jandaia do Sul, interior do Paraná) e começou a publicar suas tirinhas no "Diário da Manhã", de Ribeirão Preto, no começo dos anos 70. Eu comecei no Jornal da Cidade de Bauru.
Nos anos de 1977 e 78, Glauco foi premiado durante o 4º e o 5º Salão Internacional de Humor de Piracicaba, respectivamente. Eu fui no ano de 79.
Em 1977, quando me formei e decidi que ia buscar o caminho como profissional da área de comunicação, Glauco começou a publicar seus trabalhos na Folha, tornando-se colaborador regular a partir de 1985. Entre seus personagens estão Geraldão, Cacique Jaraguá, Nojinsk, Dona Marta, Zé do Apocalipse, Doy Jorge, Ficadinha, Netão e Edmar Bregman, entre outros.
Dono de um humor escrachado e um traço característico, Glauco era aquele cartunista que desperta na gente o "tenho que ver".
Estive com ele uma vez apenas, num evento, o suficiente para apertar-lhe a mão e agradecer pelos momentos de diversão e reflexão que ele me proporcionou.
Glauco honrava a profissão de cartunista. Morreu de forma estúpida, etc etc etc...
Fica aqui uma singela homenagem e o registro da imensa dor que sinto pelo artista, pelo pai, pelo ser humano que perdemos.
Caralho!
Posted by: luciano pires | 12/03/2010 at 12:21 PM
Como toda notícia desse tipo, essa foi pra acabar com o dia... PQP
Posted by: Marcel | 12/03/2010 at 02:52 PM
Que perda. Cara, essa tirinha ai em cima dos los três amigos se não me engano é de 89. Lembro da galera reunida no elo perdido (uma lanchonete pé sujo perto da escola), passando a revista de mão em mão e cada um que pegava se entortava de tanto rir.
Que beleza Jordão! Fizeste-me recordar minha turma do fundão de 89: Porre (eu), Bocão, Ovelha, Alf, Cazuza, Osga, Didi e Nariz de matar barata no canto.
Bons tempos...
Forte abraço,
Gabriel Peixoto
Pis é... em 89 meu apelido já era porre...
Posted by: Gabriel Peixoto | 13/03/2010 at 09:25 AM
Meu caro,
O Glauco, por meio das suas tiras, me deu muita alegria. Geraldão e cia são demais!
Sou fã de cartoons e a perda deste artista é realmente triste.
Geraldão no céu pra quebrar tudo!!!
Posted by: Rafael Sardá | 15/03/2010 at 07:53 AM
Meu caro,
O Glauco, por meio das suas tiras, me deu muita alegria. Geraldão e cia são demais!
Sou fã de cartoons e a perda deste artista é realmente triste.
Geraldão no céu pra quebrar tudo!!!
Posted by: Rafael Sardá | 15/03/2010 at 07:53 AM