24/03/2010

O que você pode aprender com a Joana D´Arc sobre coragem e empreendedorismo?

Um novo século, uma nova era, um novo formato de vida, um novo perfil de trabalho, tempos de mudanças.

Tempos de Mudanças que vão passar por cima que nem um trator sobre aqueles que não souberem surfar na onda do que está rolando. 

Hoje a noite vai rolar a palestra HollywoodCEO: Heroínas em Ação na Livraria Cultura do Villa Lobos e ao vivo pela web. A palestra é uma homenagem as mulheres! Essa turma que está tomando de assalto o mundo dos negócios, nossas vidas e, talvez, tenham o melhor perfil para liderar as mudanças que estão em curso. Os slides estão prontos, confira abaixo.

A palestra será gravada e estará disponível dentro da BIZ PREMIUM que está chegando.

Te espero na Cultura, ou, faça a sua inscrição aqui para assistir pela web.

HollywodCEO: Heroínas Em Ação. O que Joana D´arc tem a te ensinar sobre negócios.

View more presentations from Ricardo Jordao Magalhaes.

12/03/2010

Glauco, o cartunista da turma do fundão.

Hoje a noite em Osasco São Paulo três "coisas" assassinaram o Glauco, o cartunista da turma do fundão, um dos Três Amigos - ao lado do Angeli e Laerte, que trouxeram a turma do fundão para os quadrinhos. Como amante dos quadrinhos que sou, estou muito triste com a perda de um cara que nasceu para fazer os outros rirem, nasceu para mostrar ao mundo personagens fantásticos que retratam a vida do mundo alternativo, nasceu para abrir as portas do quadrinho nacional para o mundo. 

"Comecei a desenhar no segundo grau. Sempre desenhei na turma do fundão, que eu fui freqüentador assíduo. Desenvolvi essa linguagem e vi que era uma ferramenta muito poderosa: o humor aliado com caricatura. Desde você fazer caricatura dos professores, de algum colega de classe... Também tive contato com o pessoal do Pasquim. Conheci o Henfil, todos aqueles desenhistas, o Ziraldo. Aquilo foi me inspirando." Glauco

Glauco, o cartunista da turma do fundão. Um fim injusto para quem trouxe tantas alegrias para tanta gente.  

"Tinha uma coisa de equilíbrio entre nós três. O Angeli tem um espírito ordeiro e estrutural, apesar de ser um cara bastante louco; o Glauco tem essa coisa da "demência" dele, que proporciona sacadas absurdas, que a gente jamais teria sozinhos; e eu, não sei, também tenho algum papel nisso, principalmente na parte de desenhar as histórias, de compô-las." Laerte, sobre Os Três Amigos.

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"Glauco foi um grande artista e um ser humano admirável. Sua obra ficará na memória das gerações que amaram seus desenhos e no traço dos muitos artistas jovens que sua imaginação influenciou. Era uma pessoa que tinha a doçura de uma criança e a serenidade de um sábio. Sua morte e a de seu filho Raoni são motivo de profunda tristeza, especialmente na Folha de São Paulo, casa profissional do cartunista há mais de três décadas". Otavio Frias Filho, diretor da Folha de São Paulo

"A notícia me pegou na estrada, é uma coisa que deixa você meio chapado. É como perder um sobrinho. Vi esses quatro meninos --Glauco, Angeli, Laerte e Adão-- começarem a vida. Sempre os tratei como filhos e tenho um carinho muito grande por todos eles. O Glauco, em específico, sempre foi a alegria da festa, a alegria dos salões. Tinha uma agilidade mental muito grande, era muito crítico, debochado --debochado num bom sentido, como uma qualidade, quase como uma ironia. (...) É uma perda brutal para todos nós, e fico com raiva e vergonha dessa violência. Demorará para passar. Há muito tempo não sentia uma dor tão grande." Ziraldo. 

Faquinha5
Nojinsk2
Ficadinha29
Ozetes20
Geraldinho56
Doyjorge5
Edmarbregmam9
Donamarta15
        

09/09/2009

Steve Jobs is back.

SteveJobs

O evento da Apple começou há pouco com Steve Jobs no palco. O público foi ao delírio, aplausos prologandos de vários minutos. 

"Eu estou muito feliz de estar aqui hoje. Como alguns de vocês devem saber, eu fiz recentemente um transplante de fígado. Eu estou muito grato ao jovem de 20 anos que teve a generosidade de me doar o seu fígado." O jovem morreu em um acidente de trânsito.

Alguns números da Apple:

- Em pouco mais de 2 anos a Apple vendeu mais de 30 milhões de iPhone. 

- + de 75 mil aplicativos para iPhone estão disponíves na iTunes. 

- Mais de 1.8 bilhões de download de aplicativos já foram feitos. 

- Uma novidade: a iTunes oferece mais de 30 mil ringtones na loja.

- 8.5 bilhões de músicas já foram comercializadas pela itunes. FANTÁSTICO! 

(Quando a iTunes surgiu a Napster dominava. Antes mesmo da indústria da música cortar as asinhas da Napster, a Apple lançou a iTunes e começou a ganhar dinheiro com algo que aparentemente tinha sido conquistado pelos piratas: a indústria da música). 

- A iTunes tem mais de 100 milhões de clientes cadastrados. ANIMAL!!!

(VENCE QUEM TIVER RELACIONAMENTO DIRETO COM OS CLIENTES! Aquele que terceiriza a EVANGELIZAÇÃO dos seus produtos e serviços para revendedores, varejistas, consultores etc tem um problemaço para resolver). 

Jobs anunciou esses números porque está fazendo agora uma demonstração da iTunes 9.

A iTunes 9 ganhou várias facilidades. Vamos ver...

(Finalmente! Eu particularmente acho a interface da iTunes um LIXO! Nem parece um software da Apple. Tá longe de ser bacana. Espero que a versão que Jobs está demonstrando nesse momento seja realmente superior as versões anteriores)

Itunes9

A demo da itunes 9 foi chata. A Apple redesenhou a interface, amarrou com as redes sociais, BUT, acho que melhorou muito pouco. 

Agora é hora dos iPods...

Ipod

O iPod que mais vende no mundo é o iPod Touch. A Apple já vendeu mais de 20 milhões de iPod Touchs desde que foi lançado há pouco mais de dois anos atrás. 

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Enquanto a Apple vai vendendo o peixe do iTouch, blá blá blá. Os blogueiros metralham seus notes.

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A Apple está mostrando o iTouch como se fosse o CANIVETE SUIÇO DO SÉCULO 21. Excelente para gamers e excelente para profissionais. 

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É possível posicionar um produto como EXCELENTE para gamers e profissionais? Bem, o Philip Kotler deve estar se revirando em seu sofá marketeiro, mas, talvez, a Apple possa, e consiga. 

Talvez as necessidades da pessoa física estejam se convergindo com as necessidades da pessoa jurídica. Será?

(A presentation agora descanbou para uma série de demo de joguinhos sofisticados para iTouch. Boring...)

Depois das demos, Phil volta ao palco para posicionar o iTouch : "A mais acessível porta de entrada para a Apple Store"

BACANA! 

iPod, iTouch, iPhone, TUDO LEGAL, mas a Apple deixa claro que são apenas chaves que você precisa ter para entrar na NUVEM, na tal da CLOUD COMPUTING.

Preço do iTouch nos EUA = 199 doletas pelo modelo de 8 gigas.

Preço Brasil = coloca um zero a direita... e você tem algo como 1.990,00. Dureza... 

Outros modelos disponíveis, iTouch de 32 gigas = 299 dólares, 64 gigas = 399 dólares. 

64 gigas no seu bolso!!!! 

Pouco?

Então leve para casa o iPod Classic com 160 gigas por 249 doletas. 

Agora é a vez do Shuffle...

Shuffle

(E o estilo Apple de fazer presentations continua o mesmo. Grandes imagens no fundo, poucas palavras, demo de produtos, diferentes apresentadores, diálogos entre eles)

Novidades no Shuffle, modelos de 2 gigas coloridos por 59 dólares, 79 dólares por um modelo de 4 gigas, e um modelo especial de aço polido por 99 dólares. 

Shuffle1

E Steve Jobs volta ao palco... e o iPhone?

Não...vem ai a filmadora da Apple...

Nano

A Apple vendeu mais de 100 milhões de iPods Nano, o que faz do Nano o mais popular tocador de música do mundo 

E por isso... a melhor plataforma para transformá-lo em uma filmadora portátil...

Nanoflip1

Por que a Apple está transformando o seu mais popular tocador de música em uma filmadora?

Porque o mercado de vídeos está bombando lá fora. 

Porque o mercado de vídeo já é uma realidade lá fora e o líder de mercado nesse segmento será destruído por uma multinacional. 

Do que eu estou falando?

Faz alguns anos que a filmadora portátil mais vendida nos EUA chama-se FLIP. A FLIP é uma filmadora simples, compacta, sem firulas, criada por uma pequena empresa agressiva, que chegou comendo pelas beiradas, tirando o mercado da Sony etc, e em alguns anos se transformou em um ícone de consumo americano. 

Infelizmente, a FLIP nunca chegou a ser comercializada no Brasil. Por algum motivo, os milhares de brasileiros que vão todos os anos para os EUA não perceberam a FLIP nas lojas americanas, ou perceberam, mas acharam a FLIP muito "chumbrega" para fazer filmes decentes. 

A FLIP é um típico caso de uma pequena empresa inovadora que inventou um produto quebra tudo, criou um mercado praticamente sozinha, e quando precisava de dinheiro para expandir, se vendeu para uma grande multinacional. Faz pouco mais de um ano que a FLIP foi comprada pela Cisco. 

A Apple, sabendo da incapacidade da Cisco em fazer um trabalho inovador no mercado de varejo, está lançando o iPod Nano para pegar o vácuo que vai ficar quando a politicagem da Cisco atrapalhar os planos inovadores da FLIP. 

Eu sei da FLIP há anos. Em 2004 quando abordamos os caras para trazer a FLIP para o Brasil, os fundadores se recusaram porque não conseguiam dar demanda do mercado americano. Em 2007, quando voltamos a carga, eles falaram que já estavam em conversação com a Cisco. Em 2008, quando a FLIP passou a ser Cisco, a coisa parou de vez. Os caras da Cisco que conversamos sobre FLIP não entendiam nada do mercado da FLIP e por isso não conseguiam (e ainda não conseguem) tomar nenhuma decisão sobre o produto. 

Enquanto isso, a Apple mexe no tabuleiro, muda as regras do jogo, e aproveita do descuido da FLIP/Cisco para arrebentar no mercado de vídeo portátil. Tá nascendo um GIGANTE. 

Mais uma vez a Apple vai se aproveitar de um mercado inventado por outros para conquistá-lo com DESIGN, SOFTWARE (iTunes) e CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO (Lojas Apple). 

A Apple não inventou o MP3, quem inventou comercialmente foi a Rio e a Creative Labs, mas ambas não entenderam o que tinham na mão. A Apple não inventou o SmartPhone, mas, bye bye everybody, o mundo é do iPhone. A Apple não inventou a filmadora portátil, MAS, a Apple entende de CLOUD COMPUTING (a seu modo) mais do que ninguém, e está bem posicionada para arrebentar nos vídeos. 

A imagem abaixo mostra justamente Steve Jobs comparando a espessura do Nano com a espessura da FLIP. 

Nanoflip

Nanoflip2

Enquanto isso... no quartel general da Cisco...em alguma torre de mármore em alguma cidade grande... alguns engravatados estão fazendo suas planilhas sem qualquer entendimento de FLIP, NanoFlip etc. 

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É assim que se mata um produto FANTÁSTICO... você dá para uma grande multinacional que não entende nada do assunto e deixa eles se estreparem sozinhos. 

Enquanto isso, em uma das 1.500 Apple Stores espalhadas pelo mundo, os 50 mil vendedores treinados e fanáticos por Apple estão metralhando e EVANGELIZANDO o novíssimo iPod NanoFlip nesse exato momento para as mais de 3 milhões de pessoas que visitam as lojas da Apple DI-A-RI-A-MEN-TE. 

FIM DO EVENTO. Como eu falei, NASCEU um gigante. Em 2 anos, a Apple vai DOMINAR completamente o mercado de filmadoras portáteis. 

18/08/2009

Ricardo Semler.

De mega star das mudanças corporativas a guru da educação e sei lá mais o quê. Confira a trajetória de Ricardo Semler e veja o que o cara está fazendo hoje com as suas vinte e quatro horas por dia. 

Antes de ler, pense em uma coisa:

(Alguns) empreendedores tem um plano de negócio para as suas empresas, mas (nenhum) empreendedor tem um plano de negócios para a sua vida.

Os trechos abaixo fazem parte do artigo sobre Ricardo Semler publicado pela Época Negócios meses atrás.

"Na biblioteca particular do empresário Ricardo Semler não existem livros de autoria de Ricardo Semler. Nem um exemplar sequer dos best-sellers Virando a Própria Mesa ou Maverick, com mais de 1 milhão de cópias vendidas; ou mesmo de obras de menor impacto comercial como Você Está Louco! e Seven-Day Weekend. Semler conta que os queimou numa imensa fogueira armada no jardim de sua casa, em Campos do Jordão, no inverno de 2007. A cerimônia de cremação durou cerca de uma hora e meia, tempo suficiente para que atirasse às chamas dezenas de livros com sua assinatura e mais de 80 vídeos com entrevistas e palestras dos últimos 20 anos. A pergunta inevitável: por quê? Diz que estava cansado de ser visto apenas como o cara que virou a própria mesa, tendo de contar e recontar mil vezes a história da revolução corporativa que liderou no Grupo Semco, de sua família. “Os livros e as palestras foram importantes na minha trajetória, mas essa fase passou”, afirma. “Fazer mais da mesma coisa até o fim da vida me parece um desserviço.” Sua mulher, Fernanda Ralston, de 32 anos, foi testemunha do fogaréu literário e resume simbolicamente o ato: “Foi como um ritual de passagem. Ali, o Ricardo renasceu”.

O novo Ricardo Semler acaba de completar 50 anos. É um homem encorpado, de 1,87 metro de altura, que se mantém em razoável forma física graças às partidas diárias de tênis em sua quadra particular. A idade lhe rareou os cabelos e abrandou o temperamento. O garotão que nos anos 80 surgia como um furacão empresarial, quebrando regras com sua filosofia de gestão participativa, hoje está mais sereno, paciente, bem-humorado e dedicado às questões familiares. Tem bons motivos para isso: as gêmeas Olívia e Letícia, de 9 meses, e Arthur, que chega em outubro – Fernanda está grávida de 6 meses. Completam a família os meninos Felipe, de 10 anos, do primeiro casamento de Semler, e Pedro, de 6, do primeiro casamento de Fernanda.

Semler está decidido a contar uma nova história. Quer escrever um romance sobre a resistência dinamarquesa na Segunda Guerra, rodar um longa-metragem e virar autor de peças de teatro. Trabalho? “Gasto apenas uma hora do meu dia pensando nisso”, diz ele. “Presença física nas empresas é algo raríssimo de acontecer. Compromissos profissionais, tenho um em cada quatro dias. Telefonema de negócios é uma vez por semana. Almoço executivo, eu faço a cada dois ou três meses e jantar eu aboli de vez, quero estar sempre cedo em casa.” Quem o conhece diz que o acidente ocorrido em 2005, quando seu carro entrou embaixo de um caminhão na estrada velha de Campos do Jordão, também o fez repensar valores. Semler foi resgatado das ferragens e internado em estado gravíssimo.

A decisão de se afastar do trabalho é algo que ele vem cultivando desde os tempos da Semco. Em 1986, então com 27 anos, Semler mudou radicalmente seu expediente. Entrava às 10h30 e saía às 19 horas. Queria tempo para ver filmes – o cinema é uma de suas paixões –, ler, viajar e tocar guitarra. “Trabalho não é tudo”, costumava dizer. O comportamento, à época, foi tratado como arroubo juvenil. Quando crescer, ele para com isso, diziam os mais experientes. Pois Semler cresceu e não parou. Ao contrário. Pode não apenas encurtar o expediente mas também, finalmente, deixar de lado aquilo que, para ele, não faz mais sentido. “Fiz uma conta de banqueiro suíço. É a seguinte: se você tiver 20 vezes o que gasta anualmente, pode continuar tranquilo com a sua vida, dedicando 95% do tempo à família e o resto a projetos pessoais.” Fácil para quem tem uma conta corrente de padrões suíços, diga-se.

Mesmo quando Semler fala nos 5% de tempo devotado ao trabalho, não o imagine resolvendo questões corriqueiras na Semco Equipamentos Industriais, na Brenco (produtora de álcool e etanol), na Brasil Agro (investidora de propriedades rurais) ou em outras companhias nas quais detém participação acionária. “Nunca fui ao escritório da Brenco e não conheço o presidente da Brasil Agro”, diz. O novo Ricardo Semler demitiu de vez o trabalho convencional. Seu interesse, no momento, se estende a negócios inovadores, algo que lhe proporcione algum envolvimento emocional. “O projeto tem de ser sexy. Jamais investiria numa mina de cassiterita, por exemplo. Tem algo mais chato do que isso?”

Semler

Mas o que seria sexy para Semler? Cuidar da Amazônia. E lucrar com ela. Nos últimos tempos ele vem tentando colocar em pé o projeto Guardiam, uma instituição híbrida, que atuará como ONG ambientalista e também como uma empresa capitalista – “for profit”, como ele gosta de dizer, entremeando frases com expressões em inglês. A ideia é congregar o máximo possível de ONGs existentes na região em uma superong amazônica, sob a holding Guardiam. “ONGs têm bons projetos, mas lhes faltam competência administrativa e planejamento”, diz Semler. “É aí que entra a parte privada.” O objetivo é capacitar a população local não apenas para que garanta o próprio sustento mas também para que desenvolva negócios lucrativos, como uma indústria de fármacos e cosméticos. “Ao mesmo tempo, o Guardiam atuaria como uma fiscal do desmatamento, do uso inteligente dos recursos, do manejo sustentável das grandes áreas”, afirma Semler. Enfim, uma guardiã da floresta – daí o nome da empresa, mistura de guardião com Amazônia. “Se Ricardo Semler realmente viabilizar esse projeto e se o empreendimento for um primor de transparência, será um avanço e tanto no modelo capitalista”, diz Maria Fernanda Gayoso, integrante de uma equipe da Fundação Getulio Vargas que estuda o chamado setor 2.5, de empresas sociais.

“As ideias de Semler são interessantes, mas de difícil execução” Horácio Piva

No mês passado, Semler voou até Londres para se encontrar com um grupo de investidores dispostos a ouvi-lo sobre o Guardiam. “Existem oito, dez grandes empresários internacionais cujo interesse pela questão ambiental é equivalente ao interesse pelos negócios. A ideia é juntar essa turma”, afirma. Ele não revela o nome dos potenciais sócios, mas o que se sabe é que alguns de seus parceiros da Brenco, como Steve Case, fundador da AOL, e Vinod Khosla, da Sun Microsystems, já se interessaram pelo emprendimento. Semler é daqueles que adoram uma polêmica. Uma superong capitalista na Amazônia, financiada por investidores estrangeiros, seria prato cheio para protestos nacionalistas.

De concreto mesmo na carteira de negócios alternativos há a escola Lumiar, adepta da pedagogia libertária, um sistema de ensino inspirado nos princípios de liberdade e democracia do filósofo suíço Jean-Jacques Rousseau. Em 2002, Semler valeu-se de um casarão da década de 30, nos arredores da avenida Paulista, em São Paulo, para montar a instituição. As escolas libertárias têm em comum a participação dos estudantes na gestão, a ausência de hierarquia, de provas e de boletins e o livre aprendizado. Nelas, cabe ao professor apenas guiar as crianças na descoberta dos próprios interesses.

“Semler é um negociador, não mais um executor”, diz Michel Harari, da Semco

Existem mais de 200 escolas no mundo seguindo essa linha. A mais famosa é a Summerhill, fundada na Inglaterra em 1921 pelo escocês Alexander Neill. “A Lumiar não é uma versão contemporânea de Summerhill, onde a liberdade e a democracia são usadas como fim e não como ferramentas de ensino”, afirma Semler. “Para nós, era fundamental que libertássemos as crianças da estupidez do sistema escolar convencional, mas não da magia do conhecimento.”

“Aproveitamos o bom momento para retomar a iniciativa de levar a pedagogia libertária a uma escola pública em Campos do Jordão, algo que Ricardo havia tentado fazer, sem sucesso, anos atrás”, diz Fernanda. A escola foi montada em Santo Antonio do Pinhal, vizinho a Campos. Funciona em período integral. “Havia seis alunos quando iniciamos a atividade. Hoje tem 70 e fila de espera.” O casal Semler, que também criou uma escola rural bilíngue na região, agora quer replicar o conceito Lumiar em várias cidades brasileiras, numa espécie de parceria público-privada. Nove municípios, em São Paulo e Minas Gerais, já teriam manifestado interesse na “lumiarização” das escolas públicas. É outro assunto capaz de gerar polêmica. “As famílias da maioria destas crianças estão acostumadas a avaliar o filho pela quantidade de lição de casa ou pelos boletins. Pedagogia libertária, para elas, é uma grande mudança cultural”, diz Ryon Braga, fundador da consultoria Hoper Educacional. “Ouso dizer que as crianças, sem o devido apoio e entendimento dos pais, poderão apresentar déficits cognitivos importantes. Não sei se a lumiarização está contemplando essa questão.” Fernanda afirma que nenhum aluno da escola terá carência de currículo.

Semler sabe que todos esses negócios alternativos são vistos com ceticismo por alguns de seus pares e amigos. Horácio Lafer Piva, acionista e conselheiro da Klabin, ex-presidente da Fiesp e ex-presidente do conselho do grupo Semco, costuma dizer que as ideias de Ricardo Semler são interessantes do ponto de vista de reflexão, mas de difícil execução. “São ideias contemplativas”, afirma. Até mesmo o diretor de novos negócios do grupo Semco, Michel Harari, muitas vezes tem de trazer o “chefe” de volta ao mundo real. “O Ricardo não tem problemas com respostas negativas. Ouve todo mundo e pondera”, diz Harari. “Mas tem uma coisa. Se ele acredita mesmo no negócio, faz de tudo para que aconteça.” Segundo o executivo, Semler deve ser usado da forma certa: para abrir portas e consolidar projetos. “Ele é um negociador, não mais um executor.”

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O empresário construiu, ao longo de sua trajetória, uma poderosa rede de contatos internacionais. Os livros de gestão, traduzidos para 39 idiomas, e as palestras feitas em quase todos os continentes (ele chegava a cobrar US$ 40 mil para subir ao palco) abriram as portas de um mundo a que poucos empresários brasileiros tiveram ou têm acesso. Graças a esse networking (para usar uma expressão que ele adora), Semler consegue levar adiante seus projetos. Um bom exemplo foi a Brasil Agro. “Fizemos IPO de um PowerPoint”, afirma. Traduzindo: ele conseguiu levantar US$ 300 milhões com uma série de investidores sem ter nada de concreto a oferecer – só um projeto exposto na tela do computador. O mesmo ocorreu com a Brenco. Quando a ideia surgiu, os amigos de Semler o aconselharam a desistir do projeto. O principal entrave, segundo os conselheiros do empresário, era que se associar a usineiros não seria exatamente um bom negócio. “Ouvi que era um setor sombrio, de sonegações, queimadas e outra série de infrações históricas”, diz Semler. “Ficou claro que não acharíamos sócio confiável no Brasil.”

Semler trocou as participações majoritárias em negócios menores pelo envolvimento minoritário em empresas maiores. Hoje, ele é o maior acionista somente da Semco. Em todas as outras empresas, mantém cotas que não ultrapassam os 5%. “O que não significa que esteja ganhando menos dinheiro, ao contrário. Ele detém pequenas fatias de negócios bilionários”, diz um ex-diretor da Semco. A mudança de postura está diretamente ligada à sua vontade de não mais dar as cartas em nenhuma companhia. Ele se interessa pelo nascimento da empresa e por sua eventual venda. A parte operacional e a burocracia do dia a dia corporativo lhe provocam longos bocejos. “Este é um grande defeito dele”, afirma o mesmo executivo. “Não se pode ser apenas o gênio criativo. É preciso acompanhar o projeto, sob pena de ver sua criação morrer antes do primeiro ano.”

Essa postura em relação à fase de execução dos projetos talvez explique também a pouca paciência de Semler ao falar sobre os atuais modelos de gestão praticados nas empresas. “Acho que não existe nada de novo. São velhas práticas com nomes diferentes. Só isso”, afirma ele. E as palestras com os pensadores administrativos da atualidade? “Acho que não têm nada de novo. São as mesmas teorias que eu ouvia anos atrás, com nomes diferentes”, repete.

As poucas palestras que faz atualmente – mais voltadas à educação e às questões sociais – e os royalties de seus livros garantem boa parte do orçamento da Fundação Ralston Semler. Já o orçamento da família Semler vem dos dividendos da Semco e das demais empresas, devidamente aplicados e multiplicados mês a mês. “É Fernanda quem cuida da parte financeira”, diz Semler. “Eu nem sei quanto tenho.” (Tem o suficiente para comprar uma praia particular em Alagoas. São 150 mil metros quadrados de areia na inóspita Patacho, ao norte da capital, Maceió. “Ricardo é um sujeito rico, de hábitos caros”, diz Horácio Piva.)

A família Ralston Semler vive em uma mansão erguida num terreno de 2 milhões de metros quadrados, maior do que o Parque Ibirapuera, em São Paulo. O acesso se dá pela estrada velha e sinuosa de Campos do Jordão que desemboca no bucólico bairro dos Mellos – localizado na divisa com os municípios de Santo Antonio do Pinhal e São Bento do Sapucaí. Passa-se por um vilarejo e, após alguns minutos de mais uma viela, alcança-se o portão da residência dos Semler – que os moradores do vilarejo apelidaram de castelo de vidro.

Semler3

Faz lembrar, de fato, um castelo moderno, o tipo de estrutura que leva o visitante, num primeiro movimento, a esticar o pescoço e olhar para cima. A estrutura de aço, madeira e vidro dá o toque contemporâneo à construção. Contemporânea também é a decoração, que foge ao estilo chalezinho suíço das casas da região. No hall de entrada, piso de madeira clara, paredes de cores suaves e um curioso pendurador de roupas de equitação – um dos esportes favoritos de Fernanda. Do hall, abre-se um corredor, alguns lances de escadas e chega-se à sala principal, em desnível. O pé-direito, de 12 metros, confere à sala um ar de lobby de hotel. No canto, um piano de cauda, preto. Enquanto conta a história da casa – construída após o casamento, em 2007 –, Semler alimenta a lareira. “Há quatro anos o Ricardo tinha apenas um pedaço pequeno desse mesmo terreno”, diz Walter Nicolau Jr., empresário do setor de imóveis e padrinho do primeiro casamento de Semler – com Sofia, a mãe de Felipe. “A casa também era bem simples.”

Semler gosta especialmente da biblioteca. Nas prateleiras, centenas de livros organizados por assunto. Arquitetura, gastronomia, romances, biografias, filosofia, história, arquitetura de novo, teatro. Nenhum sinal de literatura empresarial. Ele acabou de ler Leite Derramado, de Chico Buarque, e está com mais quatro livros na fila, empilhados sobre o criado-mudo ao lado de sua cama. São Silent Spring, de Rachel Carlson, o primeiro grande tratado ambientalista do mundo; The Life and Death of Classical Music, de Norman Lebrecht; O Crime do Restaurante Chinês, de Boris Fausto; e Post War, de Tony Judt.

“Sou uma espécie de ING, um indivíduo não governamental”

O quarto do casal, o maior dos oito dormitórios da residência, poderia ser definido como a “coroa” do castelo, sua torre principal. As paredes são envidraçadas, com persianas eletrônicas que o dono da casa deixa abertas nas noites estreladas (ele não tem vizinhos a incomodá-lo) e programa para subirem sincronizadas com o sol. “Acordo com luz natural”, diz. Às 7 horas ele já está de bermuda, camiseta, tênis, boné e raquete em punho. Rubens, um dos 18 funcionários da casa, contratado no Tênis Clube de Campos, o espera, na quadra com piso sintético. Ao lado dela, o empresário montou um galpão para a criançada, com piso emborrachado e brinquedos. Próximo ao galpão, o estúdio de música, equipado com vários instrumentos e um computador que ajuda Semler nas experiências musicais. A invenção do momento é a fusão da música clássica com rock-’n’-roll. Ele tem como cúmplice nessas horas o amigo João Paulo de Almeida, um dos fundadores da finada banda Joelho de Porco.

Ao deixar o estúdio, Semler caminha até a entrada da casa. Ali, no ponto mais alto do terreno, contempla a paisagem serrana, indica o vilarejo e afirma: “Sinto-me como uma espécie de senhor feudal. Construí tudo isso aqui, a igreja, a escola, o campo de futebol, o empório”. É verdade. Quando os Semler se mudaram para Campos do Jordão, levaram para o vilarejo um pouco do mundo a que estavam acostumados. Construíram o empório dos Mellos e o viveiro dos Mellos. Também montaram uma carpintaria, reformaram a igreja, abriram a filial da Lumiar e a escola rural bilíngue. “Quando nos casamos e decidimos mudar para Campos, resolvi que precisávamos ter escola para nossos filhos”, afirma Fernanda. Os pequenos negócios na região obedeceram mais ou menos à mesma lógica: a de servir ao casal e à comunidade. O botânico que cuida do viveiro, Marcos AurélioMoreira, foi o paisagista da casa. A carpintaria fez alguns dos móveis e os acabamentos de madeira. Um bistrô, com mesinhas para um lanche rápido, foi uma mão na roda para os moradores famosos. Tudo isso, após certo tempo, foi entregue à comunidade, que criou uma cooperativa para administrar os negócios. Alguns se mantêm de pé, como o viveiro e o bistrô. A carpintaria não existe mais. “Não sou paternalista. Negócio bom é aquele que, se a gente sair, sobrevive”, diz Semler. Sobre os motivos que o levaram a deixar os estabelecimentos nas mãos de moradores do vilarejo: “Me sinto bem com isso. Sou uma espécie de ING, um indivíduo não governamental”.

Basta dar uma volta com Fernanda pela região para conferir sua popularidade. Da janela do seu Land Rover, ela acena e é cumprimentada pelos moradores. Nas escolas, as crianças também já conhecem a dona Fernanda, e as professoras se apressam em saudá-la, contando as novidades. “As crianças de 8 anos tiraram nota 98,5 (numa escala de 100) na Provinha Brasil”, conta Vivian Faria de Sá, diretora da Lumiar pública. A Provinha Brasil, feita para crianças desta faixa etária, é um instrumento criado pelo MEC para avaliar o ensino fundamental. Fernanda sorri com a novidade, enquanto se dirige à escola rural. São apenas 14 alunos, cantando e falando inglês. A mensalidade é de R$ 700. Semler não acompanha a mulher nesse contato com a comunidade. Prefere ficar na dele, recluso, curtindo o que os amigos convencionaram chamar de sabático estendido. E os desafetos batizaram de aposentadoria chique – ou dolce far niente.

“O Ricardo é ciclotímico, muda de interesse a cada estação. Hoje só tem olhos para Campos e para os projetos particulares. Mas não se surpreenda se daqui a algum tempo ele parar com a reclusão e aparecer com outro discurso”, afirma Horácio Piva. O sabático estendido também pode ser explicado por outro episódio que nada tem a ver com a família ou a ciclotimia do empresário. Pessoas próximas a ele acreditam que o fracasso do Hotel Botanique seja um dos principais fatores da reclusão de Semler. Homem acostumado a projetos bem-sucedidos, ele teria se abalado profundamente com o episódio. Em 2004, o controlador da Semco idealizou aquele que seria o ecoresort mais exclusivo do Brasil. Batizado de Botanique Hotel Gourmand & Spa, o empreendimento, localizado no bairro dos Mellos, em Campos do Jordão, inauguraria um novo estilo de hospedagem. Seriam apenas 20 quartos de 80 metros quadrados cada, com diárias de US$ 1 mil. A revista Poder, da jornalista Joyce Pascowitch, detalhou o projeto: “Haveria um concierge quase que exclusivo para cada hóspede, carrinhos de golfe (meio de transporte entre as dependências do local), flores, frutas e charutos trocados uma ou mais vezes ao dia em cada quarto, além de um iPod customizado com o gênero musical preferido dos hóspedes. E mais: borboletário, trilhas, mirantes, lagos”. Semler previa ainda a criação de uma escola para formar os funcionários do hotel. O viveiro e o empório também prestariam serviço ao Botanique. Enfim, um negócio caro e de difícil execução.

Ainda assim ele convenceu a investir no projeto empresários como Paulo Bilyk e Mário Fleck (sócios da Rio Bravo Investimentos), o chef de cozinha Laurent Suaudeau, que seria responsável pela culinária do resort, Jair Ribeiro (CPM Braxis) e Roberto Baumgart (dono de shopping centers), entre outros. Todos como pessoa física. A turma injetou mais de R$ 20 milhões e captou outros R$ 9 milhões junto ao BNDES. Só que o dinheiro não foi suficiente para cobrir os gastos do empreendimento, as obras foram interrompidas e 200 funcionários demitidos. “Quando Semler tentou uma chamada extra de capital com os sócios, em 2006, levou um chega pra lá”, diz um empresário que acompanhou o processo. Depois disso, alguns acionistas ainda se uniram para pagar fornecedores e o BNDES, organizar um esquema de retomada da obra e administrar o engavetamento do projeto. “Houve erro de planejamento”, afirma Bilyk, um dos investidores. “A cada reunião, o Ricardo aparecia com uma novidade e as mudanças acabaram inviabilizando o negócio.” Segundo Fernanda, o hotel está pronto, mas sem operar. Bilyk corrige, dizendo que o hotel está semiacabado. Os sócios procuram compradores para o Botanique.

Ao longo de sua trajetória, Semler despertou ódios e paixões. Construiu uma legião de admiradores, fãs de suas teses e livros, mas também encontrou pelo caminho muita gente que o considerava arrogante, presunçoso e marqueteiro. Em um ponto, amigos e desafetos concordam: Semler inovou ao implementar na Semco, nos anos 80, a democracia empresarial que acabaria por inspirar várias empresas nas décadas seguintes. “Quase não acreditei quando vi aquele meninão de 20 e poucos anos se apresentar como presidente da Semco e me fazer perguntas nada convencionais sobre gestão participativa, integração entre o chão de fábrica e a diretoria, divisão de poder, remuneração por desempenho, felicidade no trabalho”, diz Clóvis Bojikian, de 72 anos, atual conselheiro da Fundação Ralston Semler e ex-diretor de RH da Semco. Bojikian, formado em pedagogia e administração, é considerado o guru de Semler. Foi ele quem tornou possível a realização daquilo que estava fervilhando na mente do meninão. “Ao mesmo tempo em que implementávamos novas políticas de gestão, Ricardo diversificava a Semco, em parceria com multinacionais”, diz Bojikian. A mais famosa se deu com a Cushman & Wakefield, a centenária empresa americana do setor imobiliário. Em mais de 20 anos à frente do negócio que herdou do pai, Antônio Semler, Ricardo fez o número de funcionários crescer de 300 para 3 mil e o faturamento, de US$ 4 milhões para US$ 200 milhões. Hoje, passadas algumas crises, o Grupo Semco pode ser considerado uma empresa de médio porte, formado pela Semco Equipamentos Industriais e pela Pitney Bowes, especializada em processamento de documentos. Bojikian acredita que a Pitney em breve será vendida. “Mas nada que comprometa os dividendos de Ricardo”, diz. “Ele poderá continuar com sua vida alternativa em Campos.”

22/03/2009

1996.

O Mandic tirou do fundo do baú do túnel do tempo uma reportagem muito legal sobre a Brasoftware em 1996. A reportagem fala sobre o web site de comércio eletrônico que haviamos lançado na época.

O primeiro web site de comércio eletrônico que eu fiz na vida foi a lojinha de software da Brasoftware na Mandic BBS feita com caracteres "estranhos" e comandos de WordStar nas cores verde e preto em 1990. Eu tinha 20 anos na época.

Em 1996, transferimos a lojinha da BBS para a Internet. A internet surgiu comercialmente em 1995. A Brasoftware foi a primeira empresa de comércio eletrônico na internet do Brasil. Montamos o negócio sem qualquer referência nacional ou gringa. A Amazon mesmo só surgiu em 1997.

Confira a reportagem completa que o Mandic enviou para mim aqui.

Uma das coisas mais legais desse projeto foi o pioneirismo. Repare que a home page do site da Brasoftware em 1996 tem o mesmo estilo que o Google imortalizou anos depois. Logomarca, big caixa de busca, e diretórios abaixo.

Até a reportagem da revista da Mandic dá ênfase ao "formulário para search na home page".

De volta para o passado com muito orgulho. Obrigado Mandic!

Brasoftware1996

08/03/2009

Ronaldo, Quebra Tudo!

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Grande RONALDO!!! QUEBRA TUDO!!! Fenômeno..., último minuto de jogo..., de cabeça..., por trás do beque..., contra o palmeiras, que volta..., predestinado....,SHOW!! E o meu filho de 1 ano no colo, primeiro jogo que ele viu, primeiro gol, primeiro jogo do timão, contra o palmeiras... CORINTHIANS, a única coisa interessante no futebol mundial. Grande Ronaldo, grande volta! Vamos fazer mais! 

"Esquecendo um pouco a modéstia, esse momento [do gol] eu domino com perfeição. Se não soubesse fazer isso, não teria chegado onde cheguei", declarou à TV Globo. 

É isso, AUTO-ESTIMA para QUEBRAR TUDO!

02/02/2009

A História da Honda.

01/02/2009

Morreu Gurgel.

Gurgel


Morreu ontem em São Paulo, João Augusto Conrado do Amaral Gurgel, fundador da Gurgel, aquela empresa brasileira que teve a pretensão de fazer um carro totalmente brasileiro. 

Quem não se lembra daqueles carrinhos "feiinhos" que circulavam pelas ruas das cidades brasileiras durante os anos 90?

Com a proposta de produzir veículos 100% nacionais, Gurgel montou em 1969 na cidade de Rio Claro (interior de São Paulo) a fábrica de carros que levava o seu nome. A montadora produziu mais de 40 mil veículos genuinamente brasileiros durante seus 25 anos de existência.

Enfraquecida no mercado pela concorrência das multinacionais, a montadora de Gurgel encerrou as atividades em 1993. A última tentativa de salvar a fábrica foi em 1994, quando a Gurgel pediu ao governo federal um financiamento de US$ 20 milhões, o que foi negado. Em 2001, a massa falida foi à leilão, avaliada por R$ 17 milhões pela Justiça.

João Gurgel ousou, sonhou, criou, produziu, empregou, vendeu, exportou e revolucionou. Foi um empresário capaz de conseguir independência tecnológica no Brasil, produzindo veículos nacionalizados e independentes do aporte de qualquer capital ou técnica externos. Os muitos veículos saídos de suas inteligentes linhas de montagem, e que ainda hoje rodam pelas vias do país, atestam isso. De personalidade controversa, reverenciado por muitos e criticado por tantos outros, Gurgel não se furtou a deixar claras e definidas suas posições e opiniões, o que certamente incomodou muita gente.

Por tudo isso, é de fundamental importância registrar sua vida e obra, o que fez brilhantemente Lélis Caldeira no livro sobre a Gurgel e seu fundador. Se gênio ou visionário, empreendedor ou utópico, bem-sucedido ou fracassado, não cabe aqui julgar. Mas não há dúvidas de que João Gurgel faz parte do rol das pessoas de fibra, que são lembradas por fazerem a diferença e marcarem o caminho por onde passaram. Eu recomendo que todos leiam Gurgel, um brasileiro de fibra, um cara que tentou mudar a cara da indústria automobilística, e não desistiu jamais 

"Posso ir a falência por incapacidade, erro de mercado, mas me recuso a ir a falência por decreto." Gurgel.
Gurgel2

12/01/2009

Happy Rocha, ou Rocha Hour.

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Sorvetes Rochinha.

Rochinha
O primeiro Rochinha a gente nunca esquece. Foi em Ubatuba quando era não passava de um jovem moleque jogador de raquetinha na areia. Cresci viciado em Sorvetes do Rochinha, e minha filha já entrou na onda. Rochinha na cabeça!

Quando eu vou para o litoral norte quem me alimenta é o Rochinha. Eu consigo passar o dia inteiro a base de Rochinha, é sorvete de amendoim (o melhor de todos), morango, banana, milho verde, abacate, abacaxi. O sabor é lindo, um sorvete artesanal da melhor tradição possível.

Dias atrás, em um post sobre o presidente da Unilever alguém citou que os Sorvetes Rochinhas foram comprados pela nova empresa do fundador da Arisco.

Hoje, eu recebi o seguinte e-mail:

"Boa tarde, vendo a matéria sobre os Sorvetes Rochinha, vi que consta alguns erros nas informações. A Rochinha nunca foi vendida para a Hipermarcas, e nem tem propostas para isso. Há 18 anos a empresa pertence ao José Lopes, e a revista Exame errou na matéria e publicou uma errata na edição seguinte, pode conferir. Se quiserem algumas informações sobre a empresa, pode nos contactar, teremos o maior prazer em tirar qualquer dúvidas referente à esse assunto. Fiquem com Deus." Juliana Lopes, Gerente Administrativa, Sorvetes Rochinha.

Fiquei muito contente em receber essa notícia. Espero que os Sorvetes Rochinha continuem independentes por muito tempo. Não vejo razão porque vender a marca para alguém que vende esponja de aço Assolan. O que alhos tem a ver com bugalhos?

Eu espero que as melhores marcas do mundo suportem a pressão por crescimento insano e continuem a sua jornada empresarial artesanal e em busca de fazer o bem sem necessariamente ter que bater metas estipuladas por investidores que nem sabem onde fica a Praia de Paúba ou Camburi.

Por falar nisso, fiquei com vontade de tomar um Rochinha. Antes de chegar em casa vou passar na banca de jornais perto de casa e me acabar no amendoim.

O Rochinha não precisa de distribuição para crescer, eles já tem; não precisa de produtos, eles já tem; não precisa de preços, o cliente paga o preço que eles quiserem; não precisa de propaganda, os melhores clientes levam a marca no boca-a-boca.

Que o Melhor Sorvete do Brasil continue assim, sendo um Sorvete, e uma uma sub-marca da Assolan.

Que a festa do apê da Assolan passe longe do Rochinha.

05/01/2009

iCon.

Steve-jobs

Steve Jobs realmente está com problemas de saúde. Confira a íntegra da carta que ele soltou hoje na internet.

Que ele se recupere logo e posso reinar a frente da Apple por muitas décadas.

“Pela primeira vez em uma década eu estou passando tempo com a minha família nos feriados de final de ano em vez de estar intensamente ocupado com minha apresentação no Macworld.

Infelizmente, minha decisão de mandar Phil (Schiller) fazer a apresentação no Macworld desencadeou mais uma avalanche de rumores sobre a minha saúde, com algumas pessoas até publicando notícias sobre o meu leito de morte.

Eu decidi dividir algo muito pessoal com a comunidade Apple para que todos nós possamos relaxar e apreciar o evento de amanhã.

Como muitos de vocês sabem, eu perdi peso durante 2008. A razão tem se mantido um mistério para mim e para meus médicos. Há algumas semanas, eu decidi que chegar á raiz deste problema e revertê-lo teria de ser minha prioridade número 1.

Felizmente, após novos testes, meus médicos pensam ter encontrado a causa – um distúrbio hormonal tem “roubado” as proteínas que meu corpo necessita. Testes de sangue sofisticados confirmaram o diagnóstico.

O remédio para este problema nutricional é relativamente simples, e eu já inicie o tratamento. Mas, assim como eu não perdi todo esse peso e massa corporal em uma semana ou um mês, meus médicos esperam que eu leve até a primavera para me recuperar. Eu vou continuar como CEO da Apple durante minha recuperação.

Eu dei mais do que tudo que podia para a Apple nos últimos 11 anos. Eu serei o primeiro a informar a mesa de diretores caso eu não possa mais executar as minhas funções como CEO da empresa. Eu espero que a comunidade Apple me apoie durante a recuperação e saiba que eu sempre colocarei o que é melhor para a Apple em primeiro lugar.

Agora, eu disse mais do que queria dizer, e tudo o que eu vou dizer, sobre o assunto.

Steve

03/12/2008

O Plano Original da HP.

Hpgaragemoriginal
Falando em manuais de procedimentos, bíblias corporativas e outros bichos, o HP Way escrito por Bill Hewlett e Dave Packard em 1937 é um dos mais famosos. HP Way é leitura obrigatória para todos os funcionários que entram na HP até os dias de hoje. Uma das máximas do HP Way:

"Se os funcionários não crescerem 30% como seres humanos hoje, a empresa não conseguirá crescer 30% em vendas no ano que vem. Se crescer, vai arrebentar porque não vai dar conta dos problemas e oportunidades que vão surgir".

A HP é famosa por ter começado na garagem e por ter começado com um business plan feito "nas coxas".

Uma das máximas do business plan de 1937:

"...A questão sobre o quê vamos fabricar pode ficar para depois...".

Para Bill Hewlett e Dave Packard, a construção da empresa era a coisa mais importante de tudo, mais importante do quê aquilo que eles fossem vender.

50 anos depois, quando perguntado sobre qual era a maior realização da HP, ambos respondiam que o melhor da HP não era um produto em si mas o estilo de gestão que eles criaram e desenvolveram no HP Way.

O plano de negócios original da HP tinha 3 páginas, e se chamava "Discussão de 23 de Agosto de 1937".

Algumas partes do plano...

Assunto: Tentativa de planos de organização e trabalho para uma proposta de empreendimento.
Apresentação: Wm. R. Hewlett, N. E. Porter, D. Packard

O propósito dessa reunião é discutir e formular várias idéias que interessem ambas as partes, e colocar no papel um plano para fazermos negócios nos campos de engenharia, eletrônica e rádio...

O plano...

I. NATURE OF WORK TO BE DONE (NATUREZA DO TRABALHO A SER FEITO)
It seemed to be the general consensus of opinion that the work should be limited to manufacturing and merchandising of our own manufactured goods entirely. The question of what to manufacture was postponed until later in the discussion and the various methods of marketing were mentioned. Initially it seemed that direct to the customer sales should be followed as much as possible with sales to manufacturers a possibility for certain types of equipment. Selling through jobbers and retail stores seemed a good thing only if the business became large although selling directly through retail stores appears the best of the two. It was mentioned that the possibility of having a man to do servicing would be a good idea in that we might make some money from him and also have someone to do our service work as we got more equipment in the field. Servicing seemed a poor bet although it was felt that we should take what we got and that high priced jobs would be a good thing. Merchandising of other manufacturers' goods was accepted only as a means to the other end at the beginning.

II. TYPE OF WORK ATTEMPTED OR TO BE ATTEMPTED (TIPOS DE NEGÓCIOS QUE PODEMOS ATACAR)
Selling radios and manufactured equipment in general did not meet with much favor…
Phonograph amplifiers seemed to be a good lead…
Public address systems did not appear to be too good a field…
Radio transmitters seemed to be a fair field...
High frequency systems including receivers appeared to be a good possibility…
The welding equipment field appears to be very good…
Medical equipment seems to be a good field. …
It was felt that we should make every attempt to keep up with television since that would be a good thing if it broke in the near future….
The control equipment for air conditioning will offer some work for the present…
It was felt that capacity relays and P.E. relays might be of some commercial value in the near future. ...

Os tipos de negócios que a dupla poderia abraçar não tem embasamento nenhum, tudo no chute, no feeling, na cara e coragem.

Hoje, HP é um negócio superior a 100 bilhões de dólares.

01/12/2008

De Zero a Esquerda a muitos Zeros a Direita.

Accioly

Alexandre Accioly é para muitos um playboyzão. Esses muitos talvez sejam aqueles que ainda são um zero a esquerda e precisam atirar a sua incompetência em alguém. Eu mesmo desci a lenha em uma das suas empresas em 2006 quando da vinda do U2 ao Brasil, leia aqui.

Accioly tem 48 anos, carioca, milionário, dono de ilha em Angra, Helicóptero, já saiu com todas as menininhas que todo mundo quer sair, e continua na ativa inventando novos negócios.

O cara veio do nada, não tem formação nenhuma de nada, não sabe falar inglês, mas conquistou o sucesso degrau a degrau meio que no vâmo que vâmo do nosso Brasil brasileiro. A história de Accioy apareceu na última Piauí. Eu reproduzo abaixo os melhores momentos. Coincidentemente, a empresa que eu desci a lenha em 2006 não é citada na entrevista. Confira.

Aos 46 anos, Alexandre Accioly se diz um homem realizado e de sucesso – e por sucesso ele entende reconhecimento e dinheiro no banco. Nos anos 90, ele freqüentava as páginas dos jornais especializados em economia. Foi apenas no século XXI que se tornou conhecido por gente que, bem ao contrário de Adriane Galisteu, confunde bancários com banqueiros. Não por acaso, foi ao lado da loiríssima Adriane que ele surgiu na sua nova fase: sarado, sorridente, bronzeado, falando sem parar, vestindo camisas com listras verticais.

“Minha vida se tornou pública, não por mim, por ela, e aí descobriram que eu era um cara que veio do nada, um self-made man”, diz ele que, embora não conheça a língua inglesa, motivo de grande frustração, admira os valores americanos. Histórias de superação encantam, e Alexandre enfeitiçou-se pela própria imagem. Como retornou ao ramo do entretenimento produzindo eventos, shows e festas, por obrigações profissionais, tornou-se um habitué da noite. Aparecia embalado em roupas de grife, comboiando namoradeiras célebres como Carolina Ferraz e Giovanna Antonelli. Era a conjunção perfeita para Accioly virar o playboy predileto das revistas de celebridade.

“Playboy é um cara que leva a vida que eu levo hoje, mas vive do ócio”, disse ele num jantar há pouco tempo. “Eu de ocioso não tenho nada. Quem me vê hoje não sabe o que sofri. Já passei muita noite chorando, pensando que trabalhava à beça, fazia tudo certo e dava tudo errado. Quando a vida me deu a chance de viver melhor, fui lá e vivi. Nunca tive vergonha de comer angu, vou ter vergonha de comer trufas brancas?”

Bem diferente de seu rebento, nascido em um feudo no cocuruto de Santa Tereza, sob a vigilância permanente de seguranças armados, Alexandre Accioly Rocha, o caçula entre quatro irmãos, nasceu numa família classe média do Leblon, foi abandonado pelo pai aos 2 anos de idade, mudou-se para Copacabana, nunca estudou em escola particular nem se formou na faculdade. Começou a flertar com os mundos do trabalho e da viração aos 8 anos, quando convenceu amigos a engraxar sapatos de manhã, e à noite se sujava de graxa para pedir esmolas nas ruas. Era adolescente quando viu o irmão, viciado em cocaína, sair correndo da mesa de jantar e defenestrar-se.

Ainda na adolescência, montou, com o amigo Bochecha, a Fix Som, que abastecia de luz e som as matinês dançantes do clube da Aeronáutica, na Praça XV. Sua carreira empresarial começou a deslanchar por acaso, quando acompanhou uma namorada ao extinto Teatro Fênix, que era usado como estúdio de gravação da Globo, para fazer figuração no clipe da banda Genghis Khan, também (felizmente) extinta. Foi convidado por um assistente de estúdio a participar da gravação e topou. “Fiquei ali dançando e ganhei uma merreca, mas achei legal e pensei: Vou montar uma agência de figuração pra mim”, disse. Nasceu a Young Set.

O escritório da agência ficava em uma salinha na Barata Ribeiro, a rua mais barulhenta de Copacabana, onde Alexandre também morava desde que brigara com a mãe. Como Accioly achava que seus funcionários abandonariam a empresa se soubessem que a saleta lhe servia de escritório e residência, bolou um estratagema: “Quando acabava o expediente, eu descia com eles, dava a volta no quarteirão e subia novamente. Esticava meu colchonete e dormia. Era sempre o primeiro a chegar e último a sair.”

Ele contou a história de jeans e cami-sa verde com listras azuis verticais, no pequeno sofá preto de dois lugares no topo do prédio 510 da avenida Vieira Souto, em Ipanema, onde vive provisoriamente. Ele se espreme em 60 metros quadrados enquanto os 730 metros quadrados onde mora, no 6º andar do edifício Cap Ferrat, são reformados, segundo assessoria do empresário, pelo “poderoso” arquiteto João Armentano.

Em apenas dois anos, a Young Set se tornou a maior agência de figurantes da Globo. Accioly achava pouco: vendeu-a para seus funcionários e abriu uma churrascaria no Leblon. Logo veio o Plano Cruzado, que mudou a moeda, prendeu os bois nos pastos, tirou os filés dos arruinados e quebrou o novo restaurante. Accioly associou-se a Sargentelli, o das mulatas, na casa noturna Oba-Oba e começou a produzir concursos de beleza.

Numa tarde de sol em que esperava, das duas às cinco da tarde, seu time de coração, o Flamengo, entrar em campo, inventou um jeito de passar o -tempo e ainda acompanhar os jogos do gramado: editar um jornal. E assim surgiu o Jornal do Maracanã, cuja tiragem em dia de clássico chegou a 80 mil exemplares.

O negócio rendeu a ponto de poder comprar um carro, ainda que usado. Ao pesquisar modelos, percebeu a ausência de um espaço que aglutinasse todos os anúncios de automóveis – e montou um jornal de classificados especializado no assunto. Depois ampliou o negócio: passou a comprar páginas de anúncios da revista Veja Rio e a revendê-las em tijolinhos para as concessionárias. “Eu até ganhava dinheiro, mas acabava largando”, contou. “O tamanho daquele tipo de business não me estimulava. Sempre quis ter 10 mil funcionários.”

Accioly tocava o negócio sem fazer feio até que Fernando Collor foi eleito presidente e, em 16 de março de 1990, confiscou contas-correntes e cadernetas de poupança. Como boa parte dos brasileiros, subitamente se viu sem dinheiro nem para pagar a conta de luz do escritório. Endividado e com dezessete linhas telefônicas na mão, o empresário estava frito.

Foi jogar vôlei na praia. De sunga, suado e sujo de areia, ouviu um amigo falar, pela primeira vez, no negócio que faria a sua vida dar uma guinada: vendas pelo telefone. Accioly vislumbrou a oportunidade e conseguiu compradores para onze das suas dezessete linhas telefônicas, a 4 mil dólares cada uma, e saldou algumas dívidas. Marcou uma reunião com o diretor geral da Telerj, disse que precisava de sessenta linhas para o novo negócio, mas não tinha como pagar nenhuma. Deu sorte: conseguiu comprá-las por um preço baixo e parcelar o total em quatro vezes. “É uma façanha empreender sem grana no Brasil”, disse. “Aqui, quem tem dinheiro consegue todo o crédito do mundo, mas quem não tem grana, e sim uma boa idéia, capacidade, vontade e força de trabalho, não arruma investidor.”

O próximo passo foi passar um mês ligando diariamente para o diretor de venda de assinaturas da Editora Abril, até conseguir um encontro. Pegou o ônibus para São Paulo de madrugada, vestiu o terno no banheiro da rodoviária e na manhã seguinte estava diante do sujeito.

– Bom dia, sou o Alexandre Accioly. Quero vender as assinaturas da Editora Abril pelo telefone.

– Quer fazer o nosso telemarketing?, perguntou o diretor.

Accioly nunca tinha escutado a palavra, mas apontou a própria língua e respondeu: “Tirou daqui.” Ganhou seu primeiro cliente, apesar de não ter nem escritório montado, ou mesmo o dinheiro para montá-lo. Tomando emprestado de amigos, juntou capital para comprar vinte computadores e colocá-los numa sala com sessenta lugares. “E aí, como é que eu inauguraria a minha empresa com menos da metade dos computadores necessários? Tive uma idéia: comprei 15 computadores e, com o dinheiro para os outros cinco, comprei quarenta caixas, os monitores, só. Inaugurei com tudo bonitinho, bacana.”

No começo, eram o empresário, uma secretária e as linhas telefônicas no escritório do Rio Comprido. Ao voltar para casa, em Copacabana, depois de um dia de trabalho, o empreendedor dormia no sofá da sala do apartamento de um quarto em que morava com a família – a avó, a irmã e a mãe, com quem se reconciliara. Os quatro viviam da aposentadoria da avó de Alexandre, Maria Ribeiro. Todo dia 5, ela ia com o neto até o caixa eletrônico retirar o dinheiro, o que hoje equivaleria a 2 mil reais. Fez assim até ser atropelada.

A dor do luto veio acompanhada de um aflitivo “E agora?”. Accioly imaginou que o banco talvez não soubesse do óbito. No dia 5 seguinte, digitou a senha e sacou o dinheiro. Foi o que sustentou a família por seis meses. “Eu tenho certeza que a minha avó me protege”, disse ele. “Logo depois que ela morreu a minha vida começou a dar certo.”

Além da suposta ajuda vinda do “outro lado”, Accioly seguiu sua própria máxima, “não sabe brincar, não desce para o playground”: terminou com a namorada, despediu-se do vôlei de praia e mudou-se para São Paulo. Trabalhava de segunda a segunda, das sete da manhã às duas da madrugada. Devorava pães de queijo ao entardecer com uma fome de anteontem. Começou a engordar. Quebrou a idéia-mestra do ramo ao pleitear que as empresas terceirizassem o serviço de telemarketing. Quatro anos depois, tinha 15 quilos a mais, 4 mil funcionários e faturava 10 milhões de reais por ano com sua empresa, a Quatro/A.

“Não adianta ter só competência, tem que ter audácia”, disse Accioly, à la Danton, sobre a sua filosofia de negócios, “e nessa hora você erra ou acerta. E quanto mais você se expõe, e acerta, mais você cresce.” Em 1995, com a falência do Banco Nacional, o cliente responsável por 50% de suas operações, ele enxergou uma possibilidade de expansão e abriu mais três empresas. Foi um passo maior do que a perna. Estava prestes a quebrar e convidou Luiz Urquiza, que lhe dera o contrato com o Nacional, para ser seu sócio. Com a parceria, a Quatro/A migrou do telemarketing para o call center – das vendas para todo o relacionamento telefônico de uma empresa com seus fregueses. O mercado de call centers, antes nanico, é hoje o maior contratante de mão-de-obra de primeiro emprego no Brasil.

Em pouco tempo, a Quatro/A tinha clientes como Varig, Xerox, Motorola, Brastemp e os jornais Estado de S. Paulo e O Globo, e faturava 30 milhões por ano. O strike aconteceu em 1997, quando o Unibanco terceirizou suas operações de call center e, por medida de segurança, optou por não contratar uma empresa, mas associar-se a ela. A Quatro/A era a maior do setor. “Foi o melhor negócio que eu fiz na minha vida”, disse. “Se não fosse sócio do banco, jamais teria vendido para a Telefônica.”

O século XX terminava quando os sonhos do garoto que nunca tivera bicicleta nem autorama começavam a se concretizar. Certo dia, no deslocamento entre reuniões, passou em frente à loja da Porsche na avenida Europa, nos Jardins. Entrou para dar uma olhadinha. Saiu de lá dirigindo um Porsche Carrera 711 prata. “Paguei à vista”, lembrou. “Ali eu senti o que é ser rico.”

Gostou do que sentiu e não parou mais. Comprou um apartamento no Cap Ferrat, o edifício mais caro da praia de Ipanema. Virou vizinho de plutocratas e financistas ao comprar uma casa na baía da Ribeira, em Angra dos Reis. Empregava 9 500 funcionários quando comprou um helicóptero, hoje pilotado pelo próprio empresário, segundo ele, seu único luxo – o Porsche foi vendido três anos depois, com 500 quilômetros rodados. “Nunca tive vergonha de pular roleta de ônibus, vou ter vergonha de andar de carro do ano?”, provocou, durante um jantar no Antiquarius, sacando uma variação sobre o mesmo tema de seu arsenal de frases prontas.

O estilo expansivo de Alexandre -Accioly fez dele figurinha fácil da crônica social carioca. Debutou aos 40 anos com uma inesquecível festa na ilha-Fiscal. Com champanhe francesa e cascatas de camarões, 1 600 amigos, conhecidos e nem tão chegados assim, se esbaldaram no baile cujo tema era os anos 60. Dançaram iê-iê-iê ao som de uma banda cover dos Beatles. Todos foram fotografados por 100 profissionais credenciados. E assistidos em cobertura simultânea pela tevê. Era o apoteótico início dos anos de deslumbre.

Sua então namorada, a atriz Carolina Ferraz, estava com uma peça em cartaz na outra ponta da Via Dutra. Para tê-la na folia nababesca, o empresário ofereceu o helicóptero. Um jornal publicou a notícia. O casal desistiu da viagem. Não por muito tempo. Na véspera da festa, Carolina telefonou perguntando se a oferta ainda estava de pé. “Claro”, ele disse. Ela pousou à noite no aeroporto Santos Dummont. E na manhã seguinte foi flagrada no heliporto da Lagoa, vestindo uma camisa branca do namorado, despedindo-se dele. Rapidamente a imagem, junto a outras tantas da festa, estava em todos os sites e revistas de fofoca. A partir dali, Alexandre Accioly, a bordo de suas camisas listradas, seria coroado como translumbrado.

Accioly ficou incomodado com a imagem. Achava que a fama de brega poderia prejudicar o lançamento de negócios, o que mais ama fazer na vida. É um homem do fazer. Ele não tem a ambição de deixar um legado empresarial. Gosta da adrenalina de empreendimento – não é à toa que seu passatempo predileto seja andar de montanha-russa.

Pouco a pouco aprendeu algumas regras da celebrização: mandar convites, telefonar para passar notícias e controlar a autopromoção. Ele não mostra sua portentosa coleção de relógios nem sob tortura. Veste-se de modo simples, sempre de jeans, tênis, camisa para fora da calça. “Antes eu viajava e tinha que entrar na Gucci, na Prada”, disse. “Hoje vou a qualquer loja e, se gosto, compro dez blusas iguais, uma de cada cor, e só uso isso.” Não quis que suas férias em um veleiro alugado na costa da Croácia saísse nos jornais. Seu estilo ao falar com repórteres é paradoxal: a grande espontaneidade aliada a respostas defensivas automáticas.

Embora diga que está desacelerando – o homem cujo foco são os negócios está míope –, ele é vigoroso e enérgico. Movimenta seu 1,87 metro de altura com a rapidez de quem não tem segundos a perder, fala compulsivamente, sem dar trégua aos interlocutores, atropelando sílabas e misturando assuntos. Pega 82 quilos de supino, 35 de cada lado e 12 da barra. Mas tem dúvidas se ainda consegue. Há dois meses está sem rotina, logo, sem se exercitar. Só pisa em uma academia com seu par de tênis da marca Goodyear para fechar negócios.

Ou abri-los – acabou de inaugurar a vigésima unidade da A!Body Tech, na Barra da Tijuca. Grandalhão e corpulento, Alexandre sente-se gordo. “Estou enorme, pesando 109 quilos”, reclamou. “Hoje eu trabalho tanto quanto naquela época, mas a diferença é que tenho qualidade de vida.”

“Naquela época” é quando (como num título de livro de auto-ajuda financeira) virou a própria mesa numa negociação com os espanhóis do Grupo Telefônica usando o mais prosaico lance dos jogadores iniciantes de pôquer: o blefe. O governo era o de Fernando Henrique Cardoso, quando as privatizações corriam soltas. Accioly foi um dos que, na onda, deixou de ser novo rico para virar milionário.

“Todo mundo sabia qual era o valor da proposta que receberíamos, mas um dos sócios sugeriu que pedíssemos um número estratosférico”, contou. Diante do que lhe pareceu a oportunidade de sua vida, ele teve medo de afugentar os espanhóis e decidiu-se pelo preço mínimo de venda. Na reunião, porém, quando viu o valor num papelzinho que lhe foi passado pelo representante da Telefônica, teve um surto. Era exatamente o número acordado entre os donos para o negócio. “Não sei o que me deu e eu disse: ‘Por esse valor não vendo. Só se for o dobro.’” Os espanhóis toparam. Accioly embolsou, sozinho, 70 milhões de dólares. Foi passar as férias, também sozinho, em Aspen.

Ao final da temporada de esqui no Colorado, o novo milionário retornou ao Brasil na classe executiva, porque, segundo repete, dinheiro não aceita desaforo e o preço das passagens na primeira classe é desrespeitoso. Retornou ao Rio capitalizado, líquido e à-toa, pesando 120 quilos. Voltou a malhar: uma hora de musculação com treinador privado e cinqüenta minutos de corrida na esteira – sempre assistindo ao noticiário.

Numa sauna, em conversa com um conhecido da malhação, soube que o sujeito estava com um câncer terminal e gastava alegremente os últimos meses de sua vida na academia. “Naquele momento, vislumbrei uma oportunidade de negócio”, disse. “Entendi que academia não é só músculo, mas sobretudo bem-estar, sociabilidade, entretenimento”, ramo que, segundo o próprio, define sua identidade. “O telemarketing foi um acidente na minha vida, sou e sempre fui um homem do entretenimento.”

Ele contou que dorme seis horas por noite. Acorda por volta das 8 horas, lê avidamente notícias de economia e política (“Não tenho saco para livros”), telefona, fica na internet (recebe 220 e-mails por dia, que enfrenta nos seus mais novos brinquedos, um iMac e um iPhone), tem aula de inglês (“para poder ensinar o Antônio”) e sai para almoçar. Embora seja sócio dos restaurantes Gero (que dá lucro), Fasano Al Mare (que empata com dificuldade) e Forneria (que dá prejuízo), Accioly às vezes ainda traça frango assado com farofa num pé-sujo na rua Domingos Ferreira, em Copacabana.

Accioly disse que vai ao cinema três vezes por semana, mas, curiosamente, não soube apontar o seu filme predileto da recente safra. Pouco depois se lembrou da refilmagem de O Campeão, o dramalhão de Franco Zeffirelli, no qual Jon Voight faz um lutador de boxe fracassado, que lhe causou grande emoção. Não por acaso, o tema do filme é o relacionamento entre pai e filho.

Na noite anterior a uma de nossas entrevistas, varara a madrugada assistindo ao seriado Prison Break com a namorada Renata Padilha, loira de belas pernas, com quem circula há quase três anos e troca múltiplas mensagens de texto. Sobre a união, Alexandre diz apenas que “Renata é mulher para casar” e completa falando que, atualmente, uma mulher para estar ao seu lado não pode corresponder apenas às suas exigências, mas também às do filho Antônio, de quase quatro anos.

Homem de gestos largos e língua presa nos fonemas sibilantes, ele diminui o ritmo ao tocar no nome do menino. Aquieta-se momentaneamente para dizer: “Quanto maior o sonho, mais ousado você precisa ser. Eu tive sorte e uma dose de boas oportunidades. A maior prova de que eu sou um cara iluminado e protegido é o Antônio. Deus foi tão generoso comigo que me deu um filho no momento em que eu posso ser pai, ser líder, ser uma referência, ter maturidade, tempo e cabeça.”

Pai e filho moram separados, mas são vizinhos. O menino vai todos os dias à casa de Accioly, com quem janta religiosamente às quartas-feiras na companhia de todo o clã do pai. “Mesmo quando estou para fora do Brasil, o jantar acontece via Skype”, contou, falando do programa de computador que permite a visualização e conversas à distância.

Com a rede de academias A!Body Tech (que perderá em breve o A! do logotipo), Accioly levou o valor da família de suas preocupações privadas aos negócios. “Não quero academia da moda, com garotões sarados paquerando gostosonas”, disse. “Na Body Tech, quero ver um senhor com um sorriso bonito, uma mulher saudável malhando, uma criança pulando feliz na ginástica olímpica.”

Ele entrou no ramo da malhação há quatro anos, para diversificar os investimentos. A Body Tech tem hoje vinte academias, 40 mil freqüentadores e 77 milhões de reais de faturamento. De seus dezessete sócios, doze minoritários dividem 15% das ações (entre eles o jogador Ronaldo e o ator Rodrigo Santoro), enquanto 85% pertencem a Accioly e quatro sócios (como o técnico de vôlei Bernardinho e João Paulo Diniz, herdeiro do Grupo Pão de Açúcar).

Uma das suas maiores glórias, ele diz, foi ser informado de que receberia da Câmara Municipal a Medalha Pedro Ernesto – aquela que premia cariocas ilustres como José Junior, do Grupo AfroReggae, até a aposentada Maria Dora Arbex, que baleou um ladrão no Flamengo – em homenagem ao que fez pelo Rio.

“Fiquei muito feliz”, comemorou Accioly, entrando atrasado em seu Ômega preto, que o esperava com ar-condicionado no talo. O carro partiu acelerado, muito acima da velocidade permitida, mas sempre reduzindo quando próximo aos “pardais”: “Eu trato bem o meu dinheiro”, explicou o empresário.

Durante o percurso, Alexandre foi ensaiando o discurso em meio a incessantes telefonemas. Seu celular (um BlackBerry, depois trocado pelo iPhone, ambos com a imagem de Antônio na tela) vibrava ao som de uma espécie de rumba digital. Embora diga que odeia celular, atendia a todas as chamadas. “Fala, meu deputado! Já estou na avenida Atlântica!”, disse, enquanto o carro ainda estava na Lagoa. Desligou e foi repassando os pontos principais do discurso. Demonstrava pouca intimidade com o texto, mas afirmava tê-lo escrito, embora tenha passado boa parte da noite anterior com seu amigo Aécio Neves, que viera de Belo Horizonte para a cerimônia.

Ao chegar, Accioly suava, nervoso, dentro de um terno azul-marinho e camisa branca, sem gravata. Empresários como Carlos Augusto Montenegro, dono do Ibope, e Olavo Monteiro de Carvalho, do Grupo Monteiro Aranha, e os deputados Rodrigo Maia e Eduardo Paes abocanhavam quitutes do bufê, aguardando a chegada do governador de Minas. Aécio Neves chegou com a filha, posou para fotógrafos. Accioly, segundo ele mesmo um carente profissional, olhou ao redor, abriu um sorriso e comemorou: “Agora posso relaxar; está todo mundo aqui.” No discurso ele ofereceu a medalha ao filho, que gritava da platéia: “Papai, papai!”

Somente aos 44 anos, Alexandre Accioly conheceu o pai. Sabendo que o filho enriquecera, o pai o ameaçou de morte caso não recebesse um gordo depósito em sua conta. Não houve depósito e ele entrou com um processo contra o filho. Foi numa audiência de tribunal que pela primeira vez esteve diante do pai. Saiu de lá vitorioso e com uma certeza: “Agora eu sei que, no dia em que meu pai morrer, eu não vou enterrá-lo.

Os críticos podem dizer o quê quiser, Accioly é o cara quando o assunto é empreender. Não lê, não tem escola, não fala inglês, mas não tem medo. Não tem medo de falar no telefone, não tem medo de ligar para quem quer que seja, não tem medo de fazer o quê não sabe fazer. Esse é o espírito de quem está ou vai ficar por cima.

Se você é um cara cheio dos medos e apreensões, é melhor estudar, aprender inglês, fazer conta, o seu destino é qualquer um menos estar a frente de alguma coisa.

Enquanto Accioly e Bernardinho almoçam no Gero para discutir a expansão das academias para o estado de São Paulo, você com o seu MBA almoçam no Mcdonalds em frente ao escritório da BodyTech porque tem que voltar rápido para a mesa de trabalho para debulhar  planilhas Excel. Cada um na sua. Mas quem tem mais coragem na vida ganha mais.

Certo?


28/09/2008

Morreu Butch Cassidy, o homem de 250 milhões de dólares.

Newman
Estou triste,

triste,

bem triste,

morreu hoje Paul Newman.

Aqueles que amam o cinema, e tem mais de 30 anos, devem se lembrar de Paul Newman e os fantásticos filmes que ele fez, como Butch Cassidy and Sundance Kid, Marcado pela Sarjeta, Golpe de Mestre e Os Criminosos não Merecem Prêmios.

A cena a seguir, de Butch Cassidy, marcou minha vida. É uma cena ANTOLÓGICA e uma das mais bonitas da história do cinema. Não haveria hoje nenhum HollyCEO se eu não tivesse cruzado com um filme como esse com atores como ele.

MUITO OBRIGADO Paul Newman!

26/08/2008

A Reinvenção da Advocacia.

Lara As entrevistas na BIZ continuam. Dessa vez eu conversei com Lara Selem e Rodrigo Bertozzi, consultores especialistas em reinvenção de escritórios de advocacia. Eles já escreveram vários livros, Estratégia na Advocacia, a Reinvenção da Advocacia entre vários outros.

O web site deles tem vários artigos publicados e entrevistas, e se gostar do tema você pode assinar a newsletter deles.

Se alguém tiver alguma pergunta a fazer, é só acrescentar aos comentários, ambos estarão acompanhando os comentários no blog.

QUEBRA TUDO na Advocacia!!!

Vamos a entrevista...

1. Quem são vocês, o que fazem, que objetivo pretendem atingir?

LS: Sou uma advogada sonhadora, que de alguma forma vai mudar um pedaço do mundo. Tenho como missão aprender e ensinar, participar da evolução e assistir as pessoas conseguindo ser melhores e acreditando que também podem mudar alguma coisa no seu entorno. O foco do nosso trabalho está na advocacia e em fazer os advogados refletirem sobre a sua atividade e o que querem fazer dela. Levamos a eles nosso conhecimento sobre gestão aplicada e os incentivamos a utilizar as ferramentas que permitirão que construam uma advocacia sustentável no longo prazo.

RB: Meu propósito como consultor é utilizar toda experiência para proporcionar aos escritórios e a carreiras individuais de advogados o sucesso. É ensinar e aprender ao mesmo tempo. O propósito profundo de nossa consultoria é gerar conhecimento intelectual sobre gestão e marketing jurídico por anos a fio. Palestras, artigos e livros fazem parte deste objetivo que é deixar uma marca na advocacia moderna.

2. Vocês pregam a reinvenção da advocacia, qual reinvenção seria essa?

LS: A Reinvenção da Advocacia é a nossa proposta para que os advogados pensem fora da caixinha. A advocacia é uma profissão que tem por característica o tradicionalismo, o formalismo, a rigidez. Só que os últimos anos revolucionaram a profissão. O aumento no número de advogados no Brasil (hoje somos mais de 600 mil), o impacto trazido pela tecnologia e a dificuldade em se formar uma carteira de clientes fez surgir a necessidade de mudar. Essa mudança, que chamamos de Reinvenção, é a nossa proposta. Uma mudança que nivele por cima, que preze o alto saber jurídico, que faça a banca operar com gestão profissional e gerando riqueza (não só financeira) para quem dela participar: equipe, clientes e sociedade.

RB: Uma banca que esquece que as relações com o cliente se alteram a cada segundo, que as necessidades (e desejos) da equipe se alteram e não acompanham a concorrência, vai estar fora do grande tabuleiro estratégico que se tornou ser um advogado. No passado era mais simples, bastava abrir um escritório e os clientes procuravam o advogado. Nesta época de alta expertise e tecnologia, tudo está a mudar. E o dilema que se apresenta é: ou faço a reinvenção de minha carreira e banca ou estou arriscando perder o bonde a jato da história.

3. É verdade que o advogado faz parte de uma espécie que só existe porque somos burrocráticos e cheios de desconfiança uns dos outros? Se vivêssemos em um mundo melhor, nós poderíamos dispensar os advogados?

LS: Se pensarmos sob o prisma do ‘mundo melhor’, romanticamente melhor, em que todos confiariam em todos, que o fio do bigode valesse a vida daquele que o carrega, que ninguém mataria, roubaria, mentiria, enganaria, etc., teríamos que não só dispensar os advogados (e segundo Shakespeare, matar a todos eles), mas também nos acostumar a viver num sistema sem leis, sem regras, sem ordenamento e, também sem nenhum ser humano por perto. Talvez o ‘mundo melhor’ possa ser real para o eremita. Ele sim não teria porque desconfiar de ninguém, não mataria,  não precisaria de leis, muito menos de advogados. A idéia de ‘mundo melhor’ pode e deve ser construída, mas com os pés no chão. E para isso temos que entender um pouco da essência humana, cheia de falhas, cheia de distorções, cheia de maravilhas e dons.

RB: A nova relação do advogado com o cliente, onde o advogado torna-se um ator fundamental no sentido consultivo permite-me afirmar que sempre existirá a profissão. A advocacia se sustenta na relação pessoal entre cliente e profissional. Tudo pode mudar, mas esta necessidade inata não mudará: o conforto e a segurança que somente bons advogados podem oferecer.  A luta agora é formar advogados que gosto de chamar de Master, ou seja, aqueles que visam efetivamente mudar para melhor a organização onde atuam e também ao cliente. O advogado é um agente transformador e as pessoas devem percebê-lo assim. Dentro deste pensamento, o advogado é essencial. 

4. Por que escritório de advocacia não pode fazer marketing?

LS: Marketing pode, o que não pode é fazer publicidade. Mas essa resposta eu deixo pro Bertozzi, grande especialista no tema.

RB: O provimento 94/2000 permite uma série de movimentos de posicionamento de marca, estratégias de negócios por meio da construção intelectual. O que é o marketing jurídico senão levar pessoas (empresas, pessoas física ou sindicatos) que estão com um problema específico a conhecerem, gostarem e confiar em você e na sua equipe. Reputação, foco na carreira, produção intelectual e bons serviços valem para os advogados hoje, assim como há 100 anos. O que existe são abusos das regras. Mesmo sendo está a minha área de atuação, jamais defenderia que as regras americanas de marketing valessem para o Brasil. Lá tudo pode, desde campanhas de televisão, sistemas de 0800, anúncios de captação em revistas entre outras ferramentas. Esse tipo de prática vulgariza a profissão e torna a imagem do advogado um criador de conflitos. Neste ponto estamos na frente, o Brasil é pautado por grandes cérebros (e não grandes bancas) e isto é absolutamente revelador. O marketing jurídico não trata apenas de comunicação. A matéria está imersa em cada centímetro quadrado do seu escritório (e impregnado em cada cérebro que ali trabalha). O conjunto de ferramentas é tão abrangente que serve como orientação estratégica, direcionamento de longo prazo, relacionamento com clientes, matriz do plano de carreira jurídica, capacitar os colaboradores e medir os resultados da banca. A era do amadorismo na gestão destas prioridades terminou no exato momento em que o cliente, como nunca antes, está informado e impaciente com seus advogados.

Bertozzi 5. Criatividade rima com advocacia? Você conhece algum advogado criativo? Como se mede criatividade na advocacia?

LS: Não só rima como deveria ser sinônimo. Graças a Deus conheço inúmeros advogados criativos. A criatividade na advocacia está em enxergar numa lei fria, uma tese. Está em observar as relações e, através da inteligência, formular doutrinas a ponto de mudar o curso da Jurisprudência. Está em analisar o problema do cliente e identificar uma nova forma de resolvê-lo. Os grandes advogados criativos são aqueles dotados de profundo saber jurídico e profunda percepção da realidade. A medida da criatividade será proporcional à reputação que o advogado conquistar.

RB: Basta dizer que a criatividade ou o ato de criar algo novo por meio da cognição rápida é a mola-propulsora da humanidade. E assim como em outras profissões, a criatividade tem se destacado na advocacia por meio de criação de teses novas, novas interpretações das leis e novos serviços. A combinação de áreas tradicionais com outros deu origem a direito do entretenimento, direito turístico e direito da infra-estrutura. São provas reais que o advogado é realmente criativo. O novo advogado não está aí para dizer ‘não’ a projetos ou a sentar em cima de processos morosos. Sua função é encontrar novos caminhos.

6. O que os escritórios de advocacia têm a ensinar sobre gestão e/ou relacionamento com clientes para todas as outras empresas?

LS: Os escritórios são considerados empresas de serviços profissionais e, como tal, a fábrica é o próprio homem. Sendo assim, lidam com um desafio gigante: promover o alinhamento dos objetivos e exigências estratégicas da banca às necessidades da equipe visando atingir as grandes metas. A maior lição que pode ser aprendida de escritórios que conseguiram realizar esse alinhamento (não são muitos, diga-se de passagem) está na força da liderança. Os sócios que gerenciam equipes num escritório de advocacia são os responsáveis não somente pela escolha daqueles que farão parte da equipe, como também pela disseminação e gestão do conhecimento, pelo desenvolvimento profissional dos advogados e pelo marketing do escritório. Os melhores líderes das melhores empresas de serviços profissionais têm algumas práticas consistentes: compreendem a realidade (monitoram interna e externamente os fatores que importam), desenvolvem estrelas (atraem, desenvolvem e motivam profissionais talentosos), ampliam a oferta de líderes (identificam e recrutam futuros líderes). E também se mostraram seres humanos que possuem caráter (são confiáveis, fazem o que pregam), discernimento (sensatez e bom senso ao discernir) e intuição (compreendem todas as peças do seu negócio e sabem como elas influenciam umas às outras, prevêem causa e efeito).

RB: A maior lição de todas é que um excelente advogado assume o problema do cliente como se fosse dele. E esta é uma senhora lição. No essencial livro “O cliente em segundo lugar” Hal Rosenbluth afirma que as empresas devem colocar os funcionários (de qualquer hierarquia) em primeiro lugar. Para o autor, o máximo que se pode alcançar em um serviço é aquele oriundo do coração. Assim a empresa que alcançar o coração de seus funcionários prestará o melhor serviço. É uma idéia intrigante, mas ao mesmo tempo faz todo o sentido, afinal, se o advogado ou profissional é valorizado ele renderá o máximo para o cliente, colocando-o em primeiro lugar.

7. O que você acha dessa movimentação atual que existe dentro dos escritórios rumo a produtividade, onde os advogados são obrigados a produzirem trabalhos em série ao invés de entregar um trabalho mais personalizado como sempre foi feito?

LS: Optar pela produção em série ou pelo trabalho artesanal vai depender da estratégia do escritório. A advocacia de massa teve seu início em meados da década de 90, oriunda de uma crescente demanda de ações trabalhistas (nos PDVs, PDIs e outros modelos de desligamento voluntário), do consumidor (que ganhou força depois da lei que instituiu os Juizados Especiais), questões bancárias, previdenciárias, dentre outras. Muitos escritórios optaram por esse modelo e a pressão do volume de prazos, audiências e relatórios implica no aumento da produtividade. Geralmente as teses utilizadas são praticamente as mesmas e o trabalho precisa ser em série. De outro lado, o trabalho especializado e mais personalizado irá atender uma demanda diferente da massa, a dos casos únicos, que requerem muito estudo e dedicação. Em minha opinião, a advocacia de massa é uma oportunidade de mercado para muitos, assim como a advocacia especializada, e o mercado é quem acaba ditando a regra do jogo. Cabe a quem está jogando, se adaptar.

RB: Mesmo dentro do contencioso de massa é possível inovar, afinal inovar significa deixar a lógica de atender a um mercado e simplesmente criar um mercado novo. Sim, exato, focar em criar algo novo. É possível? Claro que sim, veja como nasceu o direito do entretenimento, direito das novas tecnologias, direito ambiental estratégico, direito esportivo, recuperação de empresas e quantos frutos ainda caíram desta imensa árvore mitológica que é o Direito. Como negar está explosão de criatividade?

8. Qual é a maior inovação que surgiu na advocacia nos últimos anos?

LS: A maior inovação foi a troca do papel pela mídia digital. Depois que os computadores entraram nos escritórios, o lento se transformou em rápido, o arquivo de aço se transformou em estação de trabalho, o processo amarrado no barbante se transformou em processo eletrônico, a caneta se transformou em certificação digital, a audiência presencial se transformou em videoconferência, os códigos se transformaram em audiobooks. Ou seja, o ácaro se transformou em bits. Vivemos a era da Advocacia 3.0.

RB: Posso arriscar dizer que é o pensamento estratégico e o planejamento de longo prazo. Não basta advogar, devemos analisar o ambiente que circula ao redor da advocacia. Pensar diferente é uma revolução e um passo enorme em uma profissão repleta de tradições.

9. Os advogados vão burrocratizar a internet?

LS: Ainda temos muito a aprender, e eu espero que não. No entanto, mudar o modelo mental adotado até aqui (do papel, do comprovante, da assinatura, do carimbo) pelo que vai ser necessário para inserir a advocacia no mundo web (certificação, imagens, documentos virtuais) demandará bastante esforço.

RB: A internet é um vírus mortal quando se pensa em produção intelectual. Ela facilita em excesso as pesquisas e retira do profissional o hábito de pensar (é um tal de copiar-e-colar que vou te contar). Claro que ela tem suas vantagens na gestão de processos e comunicação com o cliente via voip e outros sistemas de conferência reduzindo custos. E não haverá burocratização pelo simples fato da internet ser dinâmica e líquida. O que defendo é o uso inteligente da ferramenta como facilitador da comunicação.

10. Como os advogados estão usando ferramentas de tecnologia (internet, sistemas de gestão de conteúdo, web 2.0) para melhorar o trabalho que fazem?

LS: A internet é hoje o meio de comunicação e envio de dados mais utilizado, sem dúvida. Permitiu mais mobilidade, atuar em Tribunais à distância, falar com membros da equipe ao mesmo tempo e de vários lugares. Os celulares também se tornaram ferramentas poderosíssimas. A digitalização de arquivos é cada vez mais rotina nos escritórios. O uso de sistemas integrados via web permite o acesso aos dados do escritório de qualquer parte do mundo. Mas ainda temos muito a progredir.

RB: Os advogados não podem mais ignorar a tecnologia, afinal, os clientes também estão mais tecnológicos. Eles devem ser gestores da informação em uma linguagem de fácil acesso ao cliente. Simples e complexo assim.

11. O Brasil tem a melhor advocacia do mundo? O que falta, quem são os melhores do mundo?

LS: Se estivermos falando da advocacia de natureza contenciosa, diria que sim. Nossos advogados são treinados belicamente para o combate, para a lide, para o processo. Faz parte da cultura do brasileiro “entrar com processo”. Só pecamos no sistema lento que faz girar a roda da justiça. Se estivermos falando da advocacia de natureza negocial, consultiva, aí estamos distantes. Os americanos ganham quando o assunto é fazer acordos. O treino deles é pra isso. Mas pecam no excesso de agressividade. Sinceramente, ser o melhor vai depender de qual advocacia estamos falando, como ela é exercida, onde e por que. Advocacia hoje é um gênero que abarca muitas espécies, dada a segmentação da profissão. Apontar quem é melhor seria como comparar maçãs com abacaxis.

RB: o Brasil pode se equiparar entre os melhores, mas para isto necessitamos de advogados com conhecimento amplo nas leis e regras de outros países. As empresas brasileiras estão tornando-se mundiais e necessitam de advogados para acompanhar esta revolução. Para podermos ser melhor, devemos saber jogar em outros terrenos (países), pois nossa atuação na área do Direito Internacional ainda deixa a desejar. Porém, estou confiante: estamos no caminho certo.

12. O Brasil está melhorando ou piorando?

LS: Melhorando, claro!!!!! Sempre... acompanhando a lei da evolução.

RB: Ouço dezenas de pessimistas afirmando como um oráculo que a advocacia está terrível, que os clientes e problemas não crescem na mesma proporção do número de advogados e toda a sorte de lamentações. Só tem um problema! Não acredito em nada disto. Estou confiante que a advocacia está finalmente iniciando uma era de ouro (e não uma bolha como a área tributária na década de noventa), mas um crescimento sustentável e sólido.

13. O que você acha dessa lei que blinda os advogados? Por que um advogado merece mais respeito do que um peão de obras formado em um curso técnico de peãozismo de obras?

LS: Não é uma questão de respeito ao advogado (a pessoa em si, o curso que fez, se tem OAB ou se usa terno e gravata), mas sim de respeito ao cliente do advogado, que merece que seus assuntos sejam mantidos em sigilo no escritório daquele que escolheu pra lhe defender. Se tiver dúvidas se a lei é justa ou não, é só se colocar no lugar do cliente. Até porque, como diria meu professor de Direito Penal dos tempos de faculdade, “somos todos assassinos em potencial”, ou seja, não estamos imunes a cometer erros. Imagine alguém que tivesse cometido um crime (de qualquer natureza), procurasse um advogado e quando este lhe dissesse “me conte o que aconteceu”, o cliente sussurrasse baixinho dizendo “não posso, estão gravando”. Seguramente que além do curso de Direito, o advogado teria que aprender a lidar com métodos de adivinhação para poder defender alguém.

RB: O escritório de advocacia é um local para que o cliente sinta-se a vontade para encontrar os melhores caminhos para seus problemas, assim como na psiquiatria, estas conversas são invioláveis. Não se trata de proteger uma categoria, mas, como afirma a Dra. Lara Selem, proteger seus clientes. Sem isto, a advocacia perde um bem muito precioso: o de conselheiro confidencial.

14. O que os advogados estão fazendo para mudar as leis (de todos os tipos) que atrasam o crescimento do país?

LS: Bem, se o 2º lugar na lista de profissões dos deputados federais que assumiram em 2007 é a de advogado, eu espero que estejam fazendo a sua parte e honrando o voto daqueles que os elegeram. No entanto, cabe aos advogados do lado de cá, juntamente com a própria sociedade, fazer as pressões necessárias não só para que leis antigas caiam, mas que principalmente sejam cumpridas as que estão em vigor, como por exemplo, a própria Constituição. No ano em que se comemora o 20º da nossa lei maior, considerada uma das mais modernas e progressistas do mundo, conclui-se que ela é letra morta. Basta ler o artigo 5º (que fala das garantias fundamentais) e checar se vivemos ou não a realidade que está no papel.

RB: Aposto no advogado como agente transformador em um país que cresce. O mercado quer profissionais de serviços jurídicos que tenham opinião, que desafiem o judiciário e procurem as melhores práticas para que o nosso país possa crescer. Por exemplo, o direito ambiental, a aceleração de licenças (junto a uma responsabilidade ambiental) é fundamental para que indústrias possam nascer, gerar empregos, impostos e desenvolvimento. A contribuição dos formadores de opinião nesta esfera é intensa. O mesmo ocorre com os sistemáticos pedidos de mudar as leis trabalhistas e tributárias para criar um país vigoroso. Acredito que a lógica irá prevalecer: teremos em um futuro próximo cenários otimistas e de crescimento.

15. O que um pequeno escritório de advocacia pode fazer para vencer os grandes escritórios?

LS: Se profissionalizar, criar um diferencial competitivo, produzir intelectualmente e dar tratamento vip a seus clientes. Ser pequeno pode ser um grande diferencial, especialmente junto ao cliente. Mas ele tem que fazer seu dever de casa e se preparar para o futuro.

RB: Em um mercado com tantas opções (e desconexo) é preciso fazer escolhas em qual nicho atuar. Quanto maior o potencial de identificar o foco da sua carreira e da banca mais qualitativa será a colheita de resultados. Posicionar a marca jurídica é tudo em um mercado congestionado. A falta de opção por um ou mais segmentos pode significar uma distorção no modelo competitivo do escritório. Um pequeno escritório necessita operar com a inovação e concentração de expertise em uma área do direito ou um segmento de negócios. Não podemos esquecer que as atuais grandes bancas nascem como pequenas. Mas acredito que o futuro será das bancas de médio porte pois sua força estará na diferenciação e personalização de serviços.

16. Frente aos resultados que vemos nas provas da OAB, você diria que os novos jovens advogados são mais ignorantes do que uma porta?

LS: Eu não diria isso. Desde sempre tivemos saíram das faculdades os bem e os mal preparados. Ocorre que hoje temos uma população muito maior saindo sem a formação técnica e ética adequada, somado ao baixo nível de educação de base, somado ainda à preguiça mental do corta-cola-copia. O mercado fará a seleção natural, assim como o Exame da Ordem já está fazendo.

RB: Sou um entusiasta da advocacia. Sei que a maioria vem com uma formação precária das faculdades, mas os grandes talentos não aparecem em quantidade, mas em qualidade. Aquele que faz sua opção desde o início da advocacia que pretende ser um grande advogado, tenha a certeza, ele o será. Desta maneira criamos um novo conceito: trazer de volta o desenvolvimento mental que faça um profissional melhor: o chamado ‘neurojurídico’, aquele que usa conscientemente sua capacidade de combinar as suas habilidades pessoais com o futuro e pode efetivamente mudar sua história pessoal e, por pura conseqüência de ação e reação, mudar o mundo ao seu redor. O conceito foi inspirado no pensamento do psicólogo Howard Gardner, sobre as cinco mentes do futuro: a sintetizadora, a disciplinadora, a criativa, a respeitosa e a ética. Gardner aponta como exemplo da mente disciplinária é o pianista Vladimir Horowitz, por sua excelência técnica. Já o biólogo e paleontólogo Stephen Jay Gould era uma mente sintetizadora. A escritora Virginia Woolf era uma mente criativa. O presidente Jimmy Carter é uma mente respeitosa. Finalmente, Nelson Mandela é uma mente ética.

17. Eu nunca vi um advogado sugerir novos negócios para um cliente, esse tipo de coisa existe?

LS: Existe sim. Principalmente para aqueles advogados que se dedicam a entender do negócio do cliente, que são curiosos sobre o funcionamento do negócio do cliente, o que impacta seus resultados, que ambiente o beneficia e o prejudica. O cliente atendido por um advogado que vai além dos códigos tem grande probabilidade de ser fiel e leal. Temos uma máxima que diz: “o cliente não dúvida que o advogado saiba sobre leis e o Direito, mas sim que ele saiba sobre o seu (do cliente) negócio”.

RS: Isto está mudando completamente justamente pela real necessidade do advogado ser um conselheiro para evitar litígios. Vou dar um exemplo, no BIODIREITO as Estatísticas demonstram que 80% dos recursos financeiros das indústrias farmacêuticas são destinados ao tratamento de doenças. E 20% na prevenção de doenças. Com o mapeamento do DNA a tendência é está matriz de pesquisa e desenvolvimento modificar-se completamente e até mesmo inverter as proporções. As grandes indústrias irão investir em prevenir as doenças. E assim como o mercado de carbono tornou-se uma realidade, o advogado especializado em biodireito também se tornará uma figura fundamental para dar a devida segurança as pesquisas e lançamentos de novos produtos.

18. Você recomendaria a profissão de advogado para os seus filhos?

LS: Se isso lhe fizesse feliz, claro que sim. Mas eu respeitaria plenamente os talentos, sonhos e habilidades dos meus filhos e ouviria a opinião deles antes de recomendar. Se esta fosse inclinada para o direito, não só recomendaria como os incentivaria a primeiro se desenvolver intelectual e moralmente, e depois a entender seu papel no mundo e o impacto que suas ações geram. Eles teriam, sem dúvidas, meu total apoio.

RB: É uma época de ouro e de oportunidades. O direito clássico misturado com a tecnologia permite-se afirmar que sim, se ele optar pela área. Plano, propósito profundo e foco servem para qualquer profissão. E o sucesso vem desta obsessão em buscar melhorar a cada dia. Sim, é um fantástico ramo e um mundo de possibilidades.

Lara Selem - Advogada e consultora em gestão estratégica de serviços jurídicos. Autora dos livros “Advocacia: Gestão, Marketing e Outras Lendas” (no prelo), “Estratégia na Advocacia”, “Gestão de Escritório”, “A Reinvenção da Advocacia” e “Gestão Judiciária Estratégica”. MBA pela Baldwin-Wallace College (EUA), especialista em Gestão de Serviços Jurídicos pela Fundação Getúlio Vargas (SP), e em Liderança de Empresas de Serviços Profissionais pela Harvard Business School (EUA). Coach certificada pelo Integrated Coaching Institute. Membro do Conselho Editorial da OAB Editora, Conselho Federal da OAB. E-mail: laraselem@estrategianaadvocacia.com.br

Rodrigo Bertozzi - Administrador, Escritor e Consultor, MBA em Marketing, Especialista em Comunicação Jurídica, Articulista das revistas Justilex, Advogados: Mercado & Negócios e Zero. Autor dos livros “Marketing Jurídico”, “Revolution Marketing Place”, “Depois da Tempestade”, “Um Futuro Perfeito”, “O Senhor do Castelo” e “O Despertar”, todos pela Ed. Juruá, e “A Reinvenção da Advocacia”. E-mail: bertozzi@estrategianaadvocacia.com.br

22/08/2008

Entrevista com David Maister.

David_maister
É com um imenso tremendo incrível animalesco prazer que apresento a vocês a entrevista que fiz essa semana por e-mail com David Maister.

David who?

David Maister!!!! O mais genial pensador do mundo dos negócios quando o assunto são Empresas de Serviços Profissionais.

Infelizmente, Maister não tem nenhum livro publicado no Brasil, portanto pouco conhecido na terra brasilis. Uma verdadeira vergonha nacional, e prova da incompetência dos livreiros nacionais do mundo dos negócios em reconhecer talentos ou mesmo acompanhar o que rola lá fora.Maister é uma dessas coisas que se fosse conhecida no Brasil transformaria o país em um lugar melhor para se trabalhar.

David Maister é cultuado em todos os cantos do planeta, e consegue ser amado ao mesmo tempo por Tom Peters e Peter Drucker. Tom Peters, que nos últimos tempos tem falado bastante sobre Empresas de Serviços Profissionais, chupou todas as idéias que publicou no livro Reimagine do trabalho de Maister.

David Maister é o bicho, um cara super ultra inteligente que fala ao vivo de uma maneira tão direta e reta que espanta todos que o escutam.

Ele esteve recentemente no Brasil fazendo uma palestra para uma grande banca de advocacia de São Paulo de um amigo meu. O evento foi em Campos do Jordão, e deixou todos de boca aberta com o seu jeitão porrada de ser, "Se você não entender o que eu estou falando o problema é teu,  vou te ajudar se você quiser se ajudar".

Tudo a ver comigo. Muito mais do que qualquer outro guru que vou entrevistar por aqui, ele é provavelmente o maior influenciador do meu trabalho. Eu conheci David Maister em 1995.

Vocês poderão comprovar pela entrevista que muito do que ele fala eu falo por aqui.

Todos os livros de David Maister podem ser comprados na Livraria Cultura sob encomenda, ou na Amazon.com. Eu recomendo que você comece a ler Maister pelo livro True Professionalism, depois Practice what you preach!, depois Managing the Professional Service Firm, depois First Among Equals, Trusted Advisor, e o mais recente Strategy and the Fat Smoker. Sendo o Fat Smoker ele mesmo.

Se não quiser ler nada, leia os artigos que ele publica no web site dele, e ouça o seu podcasting. TUDO SHOW DE BOLA!

Entre outras coisas que vocês vão ler na entrevista, eu gostaria de destacar o posicionamento profissional de Maister com relação as suas palestras.

Maister simplesmente não faz palestras para qualquer um. Se ele perceber que o cliente não sabe o que quer, ele não vai. A palestra que eu comentei acima que aconteceu em São Paulo, quase não aconteceu. Ele não sentiu firmeza dos advogados e não queria vir nem por 80 mil reais. Ele não fala para boçais que procuram maneiras de se motivar, ele quer mudar as pessoas que querem mudar.

MAISTER É O CARA!

DETALHE: é a primeira entrevista de Maister para um brasileiro. Se eu não conseguisse entrevistar mais nenhum galã do primeiro mundo, eu me daria por satisfeito por ter conseguido falar com David Maister.

A entrevista é longa, mas please, leia. Outro detalhe: ele vai acompanhar os comentários que foram postados no blog, o que ele não conseguir entender, eu vou traduzir e enviar a ele.

Agora... Como eu consegui chamar a atenção de um cara admirado no mundo inteiro, que se recusa a fazer palestras por 100 mil reais? Como eu consegui fazê-lo  responder o meu questionário de 20 perguntas em 5 dias? O que será que ele viu em mim, heim???

Por que ele perdeu tempo comigo, um brasileiro do terceiro mundo, ao invés de ganhar dinheiro com palestras e consultoria????

Think! Think Different!

Vamos a entrevista...

1. Conte um pouco sobre você, quem é você, o que você faz, qual é a missão da sua vida?

Maister: Nos últimos 25 anos eu tenho trabalhado como um consultor solo, aconselhando empresas de serviços profissionais por todo o planeta. Antes de me tornar um consultor solo, eu fui professor da Harvard Business School. Desde o início, eu escrevo livros e artigos para contribuir com a sociedade e também (egoisticamente falando) para construir a minha reputação.

Eu não penso que eu tenho uma missão na minha vida. A cada estágio da minha caminhada, eu me pergunto, “O que eu quero fazer a seguir que irá me interessar, e onde eu acredito que eu posso dizer coisas que outros não estão dizendo.”

2. Eu fiquei sabendo que você faz palestras apenas para as pessoas que você realmente acredita que estão alinhadas com a sua maneira de pensar. Isso é verdade, você desistiu dos mortos vivos que se escondem dentro das empresas e fingem que querem aprender alguma coisa?

Maister: Eu não quero ganhar dinheiro de pessoas quando eu percebo que eu não tenho nenhuma chance de realmente merecer, ao ajudá-las a atingir as suas metas. Isso acontece quando é óbvio que essas pessoas não têm nenhum desejo de fazer as mudanças necessárias para atingir as suas metas. Eu acredito que isso é antiético. Então, eu tento evitar essas (freqüentes) situações onde pessoas querem apenas um palestrante motivacional ou um discurso inspirador durante uma reunião e depois querem voltar a fazer negócios como sempre fizeram.

3. O seu ultimo livro é chamado de "Strategy and the Fat Smoker", eu estou familiarizado com a transformação que você passou na sua vida pessoal nos últimos tempos. Você poderia nos contar qual é a história por trás do nome do livro? Por que você misturou vida pessoa com vida profissional?

Maister: Em muitos dos meus escritos, eu gosto de usar o que nós conhecemos sobre as nossas vidas como indivíduos, e aplicar essas lições em um contexto de negócios. A minha preocupação é que em muitos casos, nós tentamos aplicar nos negócios algumas idéias que nunca funcionariam nas nossas vidas pessoais. Então porque aplicar tais idéias?

Então, o título do livro deriva da natureza do ser humano. Nós geralmente sabemos o que nós queremos atingir (exemplo, ter saúde), nós sabemos por que nós devemos atingir, e geralmente nós sabemos como fazer (exemplo, comer menos e fazer mais exercícios). Nada disso é garantia que alguém irá fazer alguma coisa. Então, estratégia e concorrência não são  sobre descobrir o que é bom para você. É sobre descobrir como ter a disciplina para fazer o que tem que ser feito, a despeito das tentações do curto prazo. E uma vez que os negócios vivem de pressões e tentações de curto prazo, viver a estratégia se torna difícil.

4. Os seus pensamentos sobre o mundo dos negócios se aplicam apenas as tradicionais empresas de serviços profissionais como escritórios de advocacia e consultores? Quais conceitos de negócios os donos de pequenas empresas poderiam pegar emprestado das suas idéias?

Maister: Eu tenho ouvido de muitas pessoas que as principais lições que eu tenho a ensinar são bastante úteis fora do setor de empresas de serviços profissionais, ainda que eu não tenha investido meu tempo em estudar outros negócios. Entretanto, isso não me surpreende, uma vez que as minhas lições sobre temas como o gerente efetivo, como lidar com os clientes e como trabalhar em equipe são derivadas da tentativa de entender como o ser humano funciona. Ainda que cada indústria e profissão gostem de acreditar que os seus problemas são especiais, existe muito mais em comum entre nós do que as pessoas possam imaginar.

5. Você fala sobre empresas de serviços profissionais desde 1982, certo? O que mudou nessa indústria desde então?

Maister: Os clientes se tornaram compradores mais sofisticados, e esse tipo de comportamento colocou uma pressão imensa sobre as costas das empresas medianas. Empresas e pessoas excepcionais estão se saindo melhores do que nunca. Existe menos espaço para aqueles que fazem trabalhos “aceitáveis” ou “suficientemente bons”. Isso significa que, dentro das empresas de serviços profissionais, elas se tornaram muito mais seletivas com relação aos profissionais que devem ficar. Essas empresas são menos “familiares” do que no início dos anos 80.

A outra grande mudança é a retenção de jovens talentosos (a famosa guerra pelo talento). Nos velhos tempos, as empresas acreditavam que sempre existiria talento de sobra, pessoas dispostas a trabalhar a qualquer hora, começar em qualquer posição - como aprendizes por exemplo - , trabalhar duro até alcançar o topo da pirâmide alguns anos depois. Isso não é mais verdade, uma vez que os jovens têm mais oportunidades e diferentes atitudes em relação a esperar pela recompensa. Enfim, as empresas estão tentando (com relativo sucesso) desenvolver novas maneiras de atrair, motivar e reter os novos talentos. Poucas estão sendo bem sucedidas.

6. Qual idéia que você cunhou no passado se provou obsoleta para o século 21?

Maister: Eu costumava acreditar que as pessoas queriam ser bem sucedidas e estariam dispostas a fazer tudo que é necessário para atingir esse objetivo. Eu acreditava que um impecável atendimento ao cliente, o trabalho em equipe, o treinamento e investimentos no futuro iriam garantir os resultados esperados. Entretanto, o que está obsoleto é a idéia de acreditar que todas as pessoas irão colocar energia para atingir essas coisas. Eu agora acredito que a chave para o sucesso – energia, direção, paixão, determinação, disciplina – é uma matéria muita escassa.

7. Você sempre disse que o desenvolvimento dos negócios não é sobre vendas, o desenvolvimento dos negócios é sobre ajudar as pessoas a crescer e prosperar. Como empresas de serviços profissionais podem fazer isso no mundo de hoje em que vivemos cercados por cínicos?

Maister: Esse é um ponto prático, não moral. Mais uma vez, vamos chamar a nossa experiência pessoal para suportar essa idéia. Quando nós compramos serviços profissionais, como nós respondemos as pessoas que falam de si mesmas e das suas empresas o tempo todo? Quando você é o comprador, qual é a sua resposta se o vendedor nunca tenta te vender nada, mas gasta todo o seu tempo dando a você idéias e sendo prestativo? Um simples fato sobre a humanidade é que você e eu damos o nosso dinheiro para aqueles que conquistam a nossa confiança ao se importar e tentar nos ajudar. Aqueles que nos perseguem com técnicas de vendas nós desrespeitam e nós passamos a fazer menos negócios com eles. Se nós somos assim, porque os nossos clientes seriam diferentes?

8. Eu conheço dezenas de pequenos empresários que investiram rios de dinheiro, tempo e energia para desenvolver os seus funcionários principais e então vê esses funcionários deixarem a empresa. Qual conselho você daria para essas pessoas?

Maister: Simplificando ao máximo, você pode dizer que a maioria das pessoas gosta de desafios, significados e dinheiro. Para me motivar, você precisa me pagar bem – esse é o ponto de partida. Depois, eu quero sentir que eu trabalho com líderes e colegas para atingir algo que eu possa acreditar. Trabalhar apenas por dinheiro torna as pessoas depressivas depois de certo tempo. Então, eu pergunto, “Qual é o propósito dessa empresa?”. Finalmente, eu quero receber novas tarefas para continuar a desenvolver as minhas habilidades e permanecer interessado.

É isso que eu gostaria de ter. E você?

9. Qual é o segredo para transformar pessoas medíocres em verdadeiros profissionais?

Maister: Eu acredito que foi Dale Carnegie quem disse “A única maneira de mudar uma pessoas é descobrir o que ela quer, e mostrar a ela como conseguir“. Essa máxima ainda é verdade hoje, em todo o mundo. As pessoas não vão correr atrás das suas metas – elas vão correr atrás das próprias metas.

As pessoas que estão desmotivadas atingem esse estado de espírito porque geralmente elas não sabem o que querem fazer a seguir. Um coaching habilidoso pode ajudar essas pessoas a escolher uma profissão que elas se sintam interessadas, definir pequenas metas de melhoria para criar um momento de orgulho, e agir como chefe profissional de torcida dessa pessoa e crítico mais ferenho: “Vamos, você consegue fazer, eu vou ajudar você.”

David 10. Como gerenciar uma empresa de serviços profissionais em tempos de crise?

Maister: Não entre em pânico! Todos irão olhar para o líder para ver se ela ou ele estão lidando com a crise sob a perspectiva de longo prazo ou curto prazo. Se os líderes da empresa começarem a proteger os seus próprios interesses de curto prazo, então todos entenderão que podem fazer o mesmo. Você não pode reclamar da falta de lealdade dos funcionários, se você os demite ao primeiro sinal de fumaça só para manter os custos sob controle. Você precisa olhar para a figura como um todo. Eu estaria disposto a trocar a fidelidade futura dos meus funcionários por um melhor controle de custos hoje? Ou, eu estou disposto a fazer sacrifícios pessoais para motivar as pessoas quando (se) nós sobrevivemos? Uma escolha precisa ser feita. Você não pode esperar que receba se nunca deu.

11. Qual é a próxima grande coisa para as empresas de serviços profissionais? Quais são as três maiores tendências para os próximos anos?

Maister: Novas tendências são geralmente irrelevantes. Pense sobre a analogia que eu fiz com o “fumante gordo”. Se você for um fumante gordo, é muito tentador perguntar sobre quais são as novas teorias sobre dietas e programas de exercícios. A verdade, entretanto, é que tais discussões são táticas para fugir do problema. O negócio é começar a trabalhar as áreas para atingir as melhorias que nós sabemos que temos que trabalhar.

12. Hoje, o mundo dos negócios é mais competitivo do que nunca, transformando a perda de um simples cliente em um verdadeiro crime. Sabendo que manter clientes, construir relacionamentos e continuar a nutri-los é uma arte. Quais são os princípios para construir relacionamentos fortes com os clientes?

Maister: Pense sobre relacionamento no seu mundo pessoal. Quais são as “regras do romance”? O que você poderia fazer que vá inspirar outras pessoas a quererem entrar em um relacionamento de benefício mútuo com você? As pessoas esperam: um alto nível de integridade; um interesse sincero em conhecer a outra pessoa; preocupação em entender o que passa pela cabeça da outra pessoa ao invés de tentar fazê-la entender o que passa na sua cabeça; boa vontade para investir no relacionamento e ser paciente para esperar os benefícios futuros. Isso pode soar como princípios morais e não relacionados a negócios, mas não são. Eles fazem parte do comportamento e atitudes básicas que fazem outras pessoas quererem ficar com você no longo prazo.

13. O que é confiança do cliente e como uma empresa de serviços profissionais pode conquistá-la?

Maister: Confiança é feita de muitas coisas, mas quatro perguntas são chaves (conforme descritas no livro TRUSTED ADVISOR). Eu acredito que você seja competente (ações)? Eu posso depender de você para fazer o que você prometeu fazer (palavras)? Eu estou confortável para lidar com você como pessoa, e você me faz sentir a vontade (intimidade)? E finalmente, eu acredito que você irá colocar os meus interesses em primeiro lugar, ou você está falando comigo apenas para conseguir o que você quer (interesse)?

14. Como se tornar um conselheiro que o cliente pode confiar?

Maister: Aqui vai uma dica simples sobre como descobrir. Pense sobre todos os momentos que você tem sido o comprador de serviços profissionais. Talvez você tenha usado um médico, um contador, um mecânico para o seu carro, um decorador para a sua casa. Faça duas listas. Na primeira coluna coloque todas as coisas que te deixaram decepcionado, magoado ou chateado – falhar em tratá-lo como você gostaria de ter sido tratado. Então faça (provavelmente uma lista curta) das coisas que os melhores fizeram para conquistar a sua lealdade. Você terá então uma receita perfeita para ser usada como conselheiro que o cliente pode confiar. Trate os outros como você gostaria de ser tratado.

15. Você realmente tem que se importar com as pessoas que serão seus clientes?

Maister: Essa questão é importante para você quando você é o comprador? Você consegue dizer que o médico que o atendeu se importa com você? O consultor? Se você conseguir dizer, que afeta (a), a sua probabilidade (b) de retornar? Ou contar sobre o serviço para outras pessoas (c)? Eu pessoalmente diria que sim, você realmente tem que se importar com as pessoas que serão o seus clientes, e não apenas com o lado profissional delas.

16. Empresas de serviços profissionais rimam com inovação? Como ser inovador quando você tem que ter todos os tipos de métricas de performance, controle de qualidade etc?

Maister: Sempre existirá conflito na sua cabeça se você escolher um horizonte de curto prazo para tomar decisões. Pense sobre a abordagem da Toyota em fabricar carros: até o mais novato dos funcionários tem permissão para interromper a produção se ele ou ela encontrar uma falha. A Toyota é a maior e mais lucrativa empresa de carros do mundo. O mesmo é verdade em meu mundo solo de consultor profissional. Se eu não reservar um tempo para escrever, eu vou me tornar um “homem do ontem” e irei ganhar menos dinheiro, não mais. Muitas empresas como a General Motors estão cometendo o erro de pensar que se colocarem suas fábricas para funcionar na capacidade máxima todos os dias, elas terão mais lucros. Essa abordagem já foi provada que está errada. Qualidade precisa vir antes do volume.

17. Qual é a mais revolucionária empresa de serviços profissionais que você conhece, e o que a torna revolucionária?

Maister: Como eu descrevi no meu último livro, empresas que são revolucionárias não estão necessariamente fazendo as coisas mais inteligentes, elas estão apenas fazendo o que todo mundo fala que vai fazer mas não faz. Faz 22 anos que as empresas mais revolucionárias do mundo são as mesmas, Goldman Sachs, Accenture, McKinsey, Latham & Watkins. Elas conhecem sua filosofia de trabalho, e a vivem disciplinadamente. Essas empresas não está a venda, elas são revolucionárias!

18. Como você responde para as pessoas que dizem que você não escreve nada de novo ou revolucionário, apenas idéias que tem bom senso?

Maister: Eu apertaria a mão dessa pessoa e diria, “Agora, você entendeu a minha mensagem!”

19. Como você responderia à afirmativa: “As empresas de serviços profissionais se transformaram em um sistema de produção de clientes e cobrança. Elas perderam o toque humano dos velhos tempos. Elas se tornaram muito “profissionais”.”

Maister: Eu concordaria com a primeira parte. Muitas empresas profissionais colocaram o volume de negócios na frente dos seus valores e qualidade, e (como a General Motors) estão se machucando feio. Elas não se tornaram mais profissionais, elas se transformaram em mini corporações com mentalidade de curto prazo.

Eu não concordo com a segunda parte, que diz que nós perdemos o toque humano dos velhos tempos. Muitas empresas no passado se autodenominavam “humanas” porque elas eram muito tolerantes, ociosas, e quase não tinham qualquer tipo de controle de qualidade realmente utilizado.

Existe uma terceira onda que eu acredito. A onda que entende que é necessário fazer todos (do líder ao estagiário) se motivarem e se energizarem ao viver os padrões mais altos das empresas de serviços profissionais, vivendo de acordo com valores verdadeiros como “Nós sempre colocamos os interesses do cliente em primeiro lugar”, “Ninguém deve levar uma vida de cruzeiro, fazendo o que sabe fazer por muitos anos. O desenvolvimento pessoal é esperado de todos.”, “Se você não quiser ser um membro de uma equipe, por favor, vá embora da empresa e junte-se a outras pessoas como você”. Toda empresa realmente dirigida por valores reais e padrões profissionais será um excitante e lucrativo lugar para se trabalhar.

20. Quando os seus fãs brasileiros terão uma oportunidade de escutar você falar em terras brasileiras?

Maister: Eu não tenho nenhum plano nesse sentido. Mas nunca se sabe.

MUITO OBRIGADO DAVID MAISTER!
Davidmaister1

18/08/2008

Entrevista com Seth Godin.

Sethgodin1

É com imenso prazer que reproduzo abaixo a entrevista que fiz com o Seth Godin via e-mail. Seth Godin é considerado o mais influente marketeiro da atualidade. Ele é autor de vários livros que criaram os conceitos mais modernos sobre marketing de internet na atualidade. O cara é bom, fala sobre o que realmente interesse nos dias de hoje quando o assunto é marketing.

O seu blog, Seth Godin´s blog, é o mais influente da internet na categoria marketing. Vale uma centena de visitas, e os seus livros devem ser devorados.

Quando daqui há quatro meses vocês lerem sobre o novo livro do Seth na revista Exame ou na Você SA, lembrem-se que saiu na BIZ muitooooooo antes.

Vamos a entrrevista.

1. O seu novo livro, Tribes, será lançado no dia 16 de Outubro, do que se trata o livro?

Seth: Uma tribo é qualquer grupo de pessoas, pequeno ou grande, que estão conectadas entre si, com um líder e uma idéia. Durante milhões de anos, as pessoas tem vivido em tribos, sejam elas religiosas, étnicas, econômicas, políticas, ou mesmo musicais (vide a Deadhead, comunidade dos fãs do Greatful Dead). É a nossa natureza.

Agora a internet eliminou de vez as barreiras geográficas, de custo e tempo. Todos os blogs e sites de social mídia estão ajudando as tribos existentes a ficarem cada vez maiores. Mas, mais importante do que isso, eles estão permitindo que um incontável número de novas tribos nasçam - grupos de 10 ou 10 mil ou 10 milhões que se importam com os seus iPhones, ou campanhas políticas, ou uma nova maneira de lutar contra o aquecimento global.

E então, a pergunta chave é: Quem vai nos liderar?

A web pode fazer coisas fantásticas, mas não fornece liderança. Essa parte ainda tem que vir dos indivíduos - pessoas como você que tem a paixão por alguma coisa. A explosão em tribos significa que qualquer pessoa que quiser fazer a diferença agora tem as ferramentas a disposição na ponta dos seus dedos.

Se você ignorar essa oportunidade, você se arrisca a se transformar em uma "ovelha ambulante" (sheepwalker) - alguém que luta para proteger o status quo das coisas a todo custo, nunca se perguntando se a obediência está fazendo algum bem a você ou a sua empresa. Os Sheepwalkers não vão se dar bem nos dias de hoje.

2. Com o crescimento exponencial do marketing boca-a-boca, Google, ferramentas da web 2.0, você acredita que em poucos anos NINGUÉM conseguirá fazer novos negócios se não tiver um papel ativo em suas comunidades?

Seth: Nunca diga todo mundo, mas, do mesmo jeito que nós precisamos da televisão e da propaganda impressa em 1962, se você não for um tópico em uma comunidade em 2012, você será invisível.

3. Dois anos atrás a cidade de São Paulo baniu toda a propaganda extena na cidade (nós, o povo, ficamos muito contentes), você já falou no passado que todos os marketeiros são mentirosos, qual é o futuro do marketing?

Seth: Bem, eu chamei todos os marketeiros de mentirosos por uma razão diferente. Eu penso que a razão porque as grandes empresas são não tão odiadas hoje em dia tem a ver com o fato de terem feito "mídia que interrompe a vida das pessoas" no passado, que inclui os outdoors. As coisas não são hoje como eram antigamente.

4. Qual idéia de marketing vale 1 milhão de dólares hoje em dia?

Seth: As melhores idéias de marketing são produtos e serviços, NÃO anúncios. Faça produtos, crie serviços tão fantásticos que grupos de pessoas queiram falar a respeito. Ou, organiza-se ao redor de uma determinada comunidade. Não é difícil fazer isso, mas é aterrorizante.

5. O café é um commodity, a Starbucks transformou o café em algo que vale a pena ser falado. Vamos dizer que eu sou um vendedor de computadores, como exatamente eu poderia transformar o meu negócio em algo que as pessoas teriam tesão de comentar com outras pessoas?

Seth: A melhor maneira que existe é contando a elas uma boa história, vivendo essa história, e conectando com as pessoas que realmente queiram ouvir essa história.

6. Quais empresas praticam marketing revolucionário hoje em dia? O que as torna revolucionárias?

Seth: Dê uma olhada na 37signals.com e threadless.com e você terá uma boa idéia do que eu estou falando.

Meatball 7. Você é responsável por criar conceitos de marketing famosos como permission marketing, ideaviruses, purple cows, the dip, meatball sundae etc, você é o tipo de cara que está sempre provocando os outros com novas idéias e novas maneiras de fazer as coisas, por outro lado, a sociedade, não é tão rápida assim na adoção dessas idéias, como você se sente a respeito?

Seth: A sociedade AINDA não é tão rápida na adoção das novas idéias. AINDA. Seja paciente!

8. Nós vivemos no momento mais incrível da história da humanidade. Qualquer brasileiro de classe média vivendo no Brasil em 2008 tem um padrão de vida muito superior ao padrão de vida dos reis da frança em 1700. Por que ainda não somos felizes?

Seth: Porque a felicidade não tem nada, nada, absolutamente nada a ver com o que você tem mas com o que você quer.

9. Revolução ou Evolução?

Seth: Sempre ambas ao mesmo tempo, certo?

10. Meatball ou Sundae?

Seth: Qualquer um, nunca ambos, por favor.

11. Internet ou Equipe de Vendas?

Seth: Os vendedores são importantes. Mas a internet supera.

12. Peter Drucker ou Tom Peters?

Seth: Tom Tom Tom.

13. Você é um guru de marketing para milhões de pessoas, quem são os seus gurus de marketing?

Seth: Eu estou mais interessado em conhecer a mulher que visita um evento de negócios, o cara na rua, o pequeno empreendedor, e o blogueiro animado do que seguir gurus de marketing. A verdadeira mudança vem das pessoas, da rua, nunca do topo.

14. Você se auto-proclama "Agente de Mudanças", quais mudanças você pensa que precisam ser mudadas?

Seth: Eu acredito que a nossa dependência do medo é a primeira coisa.

15. Como você tira o medo de uma pessoa?

Seth: A maneira mais segura de perder um medo é se arriscando. Quanto mais seguro for alguma coisa, mais arriscado torna-se para você perdê-la, certo?

16. Vamos dizer que eu tenha 100 dólares para investir em marketing. Vamos dizer que eu seja o dono de uma pequena empresa com poucos funcionários e poucos clientes em um mercado super comoditizado, qual seria a sua sugestão para eu investir a minha limitada verba de marketing?

Seth: Pare de fazer e vender commodities! Essa é uma escolha ruim (e é sempre uma escolha). Faça um produto que as pessoas terão vontade de falar a respeito.

17. Os EUA é a Roma do universo do marketing. Existe alguma chance de vermos mudanças na liderança do marketing no futuro próximo?

Seth: Eu não sei se marketing tem a liderança de alguma coisa tanto quanto as pessoas que fazem as coisas que valem a pena falarmos a respeito, que valem a pena copiarmos, que valem a pena considerarmos.

18. Por que você não permite comentários no seu blog?

Seth: Eu penso que os comentários são sensacionais, e eles são uma excelente maneira de atrair mais pessoas para o blog. Mas não para mim. Primeiro, se alguém tiver alguma pergunta para me fazer, eu estou a disposição para responder. Segundo, os comentários ocupariam um tempo muito grande da minha cabeça, não tenho tempo nem para lê-los, imagina para comentá-los. E finalmente, e mais importante, eu estou sempre mudando a maneira de pensar. Eu estou sempre me antecipando ao que os comentários do blog poderiam dizer. Quando eu termino de escrever um post, eu já fico com vontade de reescrevê-lo. Então, entre um blog com comentários e nenhum blog, eu fiquei com a opção de ter um blog sem comentários.

Os blogueiros que gostam de comentários, devem blogar sobre o meu blog. Os comentaristas sintam-se a vontade para falar sobre mim, mas não aqui. Sorry.

19. Você já captou no seu radar de marketing alguma empresa brasileira fazendo grandes coisas em marketing?

Seth: O meu radar, aliás, é bastante limitado.

20. Quando os seus fãs brasileiros terão a oportunidade de assistir você ao vivo em terras brasilis?

Seth: Eu desconfio que eu não devo viajar para fora dos EUA nos próximos anos. Mas eu vou fazer uma videoconferência para o Brasil em Outubro.

21. Mais uma vez, qual é o futuro do marketing? Liderar tribos?

Seth: Exatamente!

22. Existe alguma outra pergunta que eu tenha esquecido de fazer, eu estou esquecendo de alguma coisa?

Seth: Eu duvido!

Seth37logo

14/08/2008

O Verdadeiro John Galt.

Joaogilberto

João Gilberto.., aí está a história de um cara QUEBRA TUDO que dá de ombros para o resto do mundo e toca a sua música apenas para aqueles que realmente apreciam a sua obra, deixando todo o resto de fora, críticos, desafetos e medíocres.

John Galt, é personagem herói do livro Atlas Shrugged. No livro, Galt é o melhor do mundo no que faz, mas um dia se cansa de ter que dar explicações sobre as suas idéias para os cabecinhas da sociedade em que vive. Ele resolve então entrar em greve, PARAR de carregar o mundo medíocre nas costas, e cai fora.

John Galt vive...no Rio de Janeiro.

"João Gilberto leva uma vida minimalista e discreta tal qual seu canto. Como a batida do seu violão, conduz a rotina em ritmo próprio, alheio ao movimento e ao barulho que vêm de fora de seu apartamento no Leblon, zona sul do Rio.

Hoje e amanhã, João deixa a reclusão e se apresenta no Auditório Ibirapuera, em São Paulo, para aqueles que tiveram sorte e conseguiram comprar os 1.012 ingressos que se esgotaram em pouco mais de uma hora no último dia 5. Serão suas primeiras apresentações no Brasil em cinco anos.

Pessoas que trabalham nos estabelecimentos comerciais próximos ao prédio onde o músico mora se referem a João Gilberto como "homem-morcego", devido ao seu hábito de sair somente depois que escurece. Sempre de táxi, que entra na garagem tanto para buscá-lo quanto para deixá-lo.

Como o elevador que conduz à garagem é o de serviço, João nunca é visto circulando na área social. O edifício tem 15 andares e quatro apartamentos por andar, divididos em duas alas. Somente a vizinha de porta tem algum tipo de relação com o cantor, de acordo com um dos porteiros.

A maioria dos condôminos sabe que João Gilberto mora ali, mas nunca o viu. Uma moradora de 35 anos, que se mudou para o prédio há quatro, ficou surpresa ao ser informada pela reportagem de que era vizinha de João Gilberto. "Eu gosto dele, mas nem sabia que morava aqui."

Pela manhã, o apartamento permanece no mais absoluto silêncio. É quando ele costuma dormir. De madrugada é que se pode ouvir João Gilberto tocar o seu violão, revelaram aqueles que já tiveram o raro privilégio.

João se mudou para o prédio "há sete ou oito anos", segundo porteiros, em busca de privacidade (antes morou num apart-hotel no Leblon). Passa longos períodos fora, outros igualmente longos sem sair e não costuma receber visitas -de vez em quando, a filha Bebel e um homem que faz compras para ele. Caetano Veloso já foi visto aguardando na portaria.

Porteiros garantiram que ele passa a maior parte do tempo sozinho e calaram ao ser perguntados sobre Cláudia Faissol, 36, sua atual empresária, com quem o músico tem uma filha de quatro anos. Um deles diz ter alguns discos de João Gilberto e se refere ao artista como se fosse um amigo. Eles costumam se comunicar pelo interfone. Travam conversas rápidas, de um a dois minutos, sobre assuntos triviais.

Gorjetas gordas

João oferece gratificações polpudas aos funcionários do prédio na época das festas de fim de ano. O mesmo diz um entregador de um restaurante na quadra em que o cantor mora. Ele foi recebido pelo próprio João em duas oportunidades.

Adepto dos serviços de entrega em domicílio, o músico aciona restaurantes como o Antiquarius, o Degrau e o Pizza Al Taglio, todos no Leblon.

João não assina nenhum jornal ou revista e não recebe muita correspondência. "Só as contas a pagar e extratos bancários", diz um dos porteiros. De vez em quando, por telefone, encomenda revistas na banca Encontro dos Amigos, que fica na esquina de sua rua.

João já disse só usar dois tipos de roupa: pijama em casa, terno e gravata na rua. Mas já foi visto por uma vendedora --em um raro relato de alguém que o viu a pé-- trajado à la Inspetor Closeau, com capa de chuva (sem estar chovendo), gola levantada e chapéu.

"Às vezes, por causa de um atraso num show, ou uma reclamação por causa do som, vocês da imprensa distorcem a imagem dele. Mas ele é só uma pessoa normal que, apesar de ser quem é, quer levar sua vida de maneira reservada", diz o porteiro com quem conversa.

Quando se trata de João Gilberto, porém, as versões são dissonantes. Um segurança que trabalha cuidando das lojas perto do prédio do cantor afirma que "tudo que envolve ele é meio estranho". Assim como, há 50 anos, muitos estranharam a música do cantor de voz contida e violão sincopado que firmou as bases da bossa nova.

É como se o artista tivesse se tornado a própria obra." Folha de S.Paulo, hoje.

11/08/2008

Entrevista com o Mr. Camiseteria.

Camiseteria
A Camiseteria é uma loja on-line brasileira que vende camisetas de uma maneira muito democrática, personalizada e divertida. Eu conheci os caras anos atrás e desde então acompanho o negócio por ser apaixonado por qualquer iniciativa que desafie um dos paradigmas mais antigos do mundo dos negócios: a Lei de Pareto. Confira a entrevista que eu fiz com o Fabio Seixas, o Mr. Camiseteria. O Fabio é blogueiro, confira a Fabio versão txt.

"O Camiseteria foi eleito o segundo melhor site de Ecommerce brasileiro pela Academia iBest. Quem escolheu o primeiro lugar ainda não conhecia a gente. ;)" Fabio Seixas, Camiseteria.com

1.  O que é a Camiseteria, como andam os negócios, quantos clientes, quantos funcionários, quantos designers etc já fazem parte do negócio? Você já está milionário?

O Camiseteria é uma empresa que promove um concurso permanente de estampas para camisetas onde qualquer pessoa pode participar e concorrer a R$ 1.000 em prêmios. As estampas vencedoras do concurso são produzidas e vendidas em nosso site.

O Camiseteria nasceu há 3 anos e já é lider em venda da camisetas pela Internet no Brasil, vendendo mais que qualquer outra loja online. São mais de 85 mil usuários cadastrados no site que além de comprar camisetas, enviam estampas, votam nas suas preferidas ou simplesmente conhecem pessoas através do site. Atualmente a equipe é composta por 7 pessoas que são absolutamente apaixonadas pelo que fazem. Nesses 3 anos, mais 100 designers já emplacaram suas estampas no concurso do Camiseteria onde já produzimos mais de 200 produtos diferentes.

Ainda não estou milionário e para ser sincero nem é essa a minha motivação principal. Prefiro pensar que dinheiro é consequência do sucesso e de um objetivo maior que no nosso caso, é valorizar o mercado de design nacional colocando poder na mão dos usuários e clientes.

2.    Eu imagino que você nunca investiu em propaganda de massa para crescer, você acredita que propaganda ainda é a alma do negócio?

Eu acredito que estamos vivendo uma época onde as opções para fazer uma empresa crescer são muitas e acessíveis. Acredito em propaganda de massa como ferramenta, mas também acredito que, em determinados mercados, essa é uma ferramente que não precisa, necessariamente, ser utilizada. A propaganda continua sendo a alma do negócio, seja a propaganda paga, de massa, ou a propaganda gratuita e espontânea do boca-a-boca.

3.    Eu imagino que a Camiseteria copiou o conceito do negócio da Threadless, certo? Se a Threadless viesse para o Brasil HOJE, você conseguiria competir com os caras?

Nos inspiramos no modelo de negócio bem sucedido do Threadless. Se o Threadless visse para o Brasil hoje, teriamos perfeitamente condições de competir de igual para igual. Mas prefiro ver isso como oportunidade e não como ameaça. Se o Threadless quisesse vir para o Brasil, poderia fazer isso através do Camiseteria que, além de consolidado, conhece melhor o mercado local.

4.    Qual foi o maior furo n´água da Camiseteria até agora? Como você lidou com o fracasso?

Durante os 2 primeiros anos, não soubemos lidar com a demanda maior do que a produção. Tivemos que rever nossos processos de planejamento de produção para melhorar uma imagem que começava a se formar de que nunca havia produto disponível no Camiseteria. Felizmente, conseguimos reverter o quadro rapidamente.

5.    Qual é a inovação que eu encontro apenas na Camiseteria?

Pessoas. Pessoas são únicas e inovadoras a seu modo. No Camiseteria as pessoas fazem a diferença pelas pequenas inovações diárias que trazem para a empresa.

6.    O sucesso da Wikipédia, Google, Flickr, Softwares de Open Source mostra que o Amadorismo está em ascensão, o povo não está fim de pagar o preço cobrado pelos profissionais de fotos, imagens, conhecimento, designer etc. Você acredita que esse tipo de comportamento vai nivelar o mundo pela mediocridade?

Acho que os modelos que permitem a operacionalização do Open Source ou Crowdsourcing não buscam a mediocridade, mas sim encontrar a excelência onde seria difícil encontra-la por outros métodos. É a busca na cauda longa do que está justamente bem acima da mediocridade.

7.    Eu vi que você saiu fora do WeShow, o que era e porque saiu?

O WeShow é um site que agrega videos online de vários sites de vídeos. É a idéia que que se você quer ver vídeos interessantes, é melhor ir no WeShow onde está tudo filtrado e organizado do que ir no YouTube onde tem de tudo um pouco com todo nível de qualidade. Sai do WeShow pois preferi apostar minhas fichas no Camiseteria, onde vislumbrei maiores oportunidades de fazer a diferença e mudar o mundo de alguma forma.

8.    Quem é o seu guru?

Seth Godin.

9.    5 livros que todo mundo deveria ler.

O Ponto de Desequilíbrio, de Malcolm Gladwell
Re-Imagine de Tom Peters
Idéias que Colam de Chip Heath
Wikinomics de Don Tapscott e Anthony D. Williams
Feitas para Vencer de Jim Collins

10. 5 web site ou blogs que todos deveriam freqüentar.

Trizle
Signal vs Noise
Creating Passionate Users
Logic + Emotion
Camiseteria.com :)

11. 3 tecnologias de internet marketing que você aposta para os próximos 5 anos.

Social Media em geral, Mobile Marketing com relevância local e humanização da comunicação online.

12. Qual é o recado que você dá para aqueles que gostariam de ser empreendedores?

As vezes é importante não dar ouvidos para conselhos que podam suas idéias. Apostar nas suas idéias com planejamento bem feito é o melhor caminho.

30/06/2008

Bill Gates 2.0

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Bill Gates é o meu ídolo máximo no mundo dos negócios. Eu gosto do Steve Jobs, eu gosto muito do Sam Walton, eu admiro o Jeff Bezos, reverencio o Thomas Watson Jr da IBM e gosto de muitos outros revolucionários e inovadores, são tantos que nem cabem aqui. Mas é o Bill Gates o cara mais revolucionário de todos. Judeu, nerd, feinho, baixinho, bitolado, perebento, Bill Gates é o cara responsável pela revolução da microinformática. Se não fosse ele e sua turma da Microsoft, o mundo da computação talvez ainda estivesse restrito aos CPDs das grandes empresas. Foi ele que viu antes de todos que o software poderia ser a grande produto do século 21, e um dia todo mundo teria um computador na sua mesa. A indústria de microinformática explodiu. Hoje, o micro que eu estou digitando esse texto tem mais potência do que o CPD de um grande banco com o Bradesco quinze anos atrás.

Bill Gates se aposentou da Microsoft na última sexta-feira. Ele vai embarcar no projeto Bill Gates 2.0 onde vai se dedicar a filantropia e se reinventar como profissional. Bill é o cara. Na primeira parte da vida ele construiu a indústria mais interessante e relevante dos últimos 500 anos, a indústria da microinformática, e agora na segunda parte da sua vida vai se dedicar a causas sociais. Show!

A minha história com o Bill Gates e Microsoft não se restringe apenas aos livros que li e histórias que muitos conhecem. Eu vivi na pele as suas idéias e sempre fui parte integrante do sucesso da Microsoft e colhi parte de toda a riqueza que eles geraram.

Eu era um simples estagiário de marketing quando conheci a Microsoft. Na época, em 1989, o Windows ainda não existia efetivamente. O DOS era o produto mais vendido da Microsoft, veindo por alguns milhões de cruzeiros velhos ou qualquer outra moeda falida da época. O processador de textos mais vendido do Brasil era o WordStar, a planilha era a Lotus 1-2-3, o banco de dados era o dBase, o software para fazer apresentações era o Harvard Graphics, o utilitário mais vendido era o PC Tools, o correio eletrônico era o CC:Mail, a rede era a Tapestry e o sistema operacional de redes era Novell.

Todos esses produtos eram líderes de mercado. Produtos fantásticos com representantes brasileiros engomadinhos e arrogantes. Eu me lembro como se fosse hoje a maneira arrogante que eu era tratado na época. Apesar de já fazer parte de uma grande empresa revendedora de software, a Brasoftware, eu era ignorado pelos executivos da Novell, Lotus etc. Eu queria falar sobre marketing, vendas, novos projetos, mas eles nunca retornavam qualquer ligação. Estavam muito ocupados colhendo o fruto do sucesso dos produtos.

Chegou então a Microsoft. Aberta, super parceira, disposta a criar um canal sério, forte e integrado. Ela criou políticas de canais muito antes de qualquer um entender o que significava programas de relacionamentos. Enquanto os galãs da época tinham um jeito careta de fazer negócios, a turma da Microsoft trazia para o Brasil uma cara cool, um escritório cool, uma cultura jovem muito diferente do que existia na época. Comida grátis, lavanderia grátis, serviços de concierge para os funcionários eram algumas das inovações oferecidas aos funcionários no príncipio dos anos 90.

Hoje se fala muito sobre o escritório e a maneira despojada da Google de fazer negócios, mas foi a Microsoft que inventou tudo isso. Antes do Bill Gates, os executivos falavam difícil, eram inacessíveis, usavam gravatas listradas, ternos escuros e camisas brancas. Depois do Bill Gates, o mundo executivo ficou ágil, aberto, menos quadrado. Antes de Bill apenas os acionistas ganhavam dinheiro da empresa, depois de Bill todos os funcionários passaram a ter acesso as ações da empresa através de programas de stock options entre outros benefícios relacionados a distribuição de riqueza.

Milhares de funcionários se tornaram milionários com a cultura da distribuição de riqueza e meritocracia que a Microsoft criou e hoje é copiada por centenas de empresas.

O interessante é que Bill Gates inventou essas práticas sem copiar de nenhum livro de negócios. Bill Gates não terminou nenhuma faculdade. Ele largou a Harvard no primeiro ano para se dedicar de corpo e alma para a Microsoft. Talvez por isso que ele tenha conseguido criar uma cultura empreendedora e inovadora na Microsoft. Será que ele teria criado algo tão fora da caixa se tivesse se submetido aos conceitos retrógrados e lentos que mesmo Harvard ensina aos seus alunos?

Eu acho que não. Quantos MBAs e cursos de administração - passados 40 anos - ensinam hoje empreendedorismo para os alunos? Ou, como começar uma empresa do zero e ser dramaticamente diferente da concorrência?

Bill talvez não tenha inventado nenhum grande software. Ele fez apenas o DOS, o Windows, o Office, o Microsoft mouse, o XBox, produtos commom sense hoje, mas que na sua época foram muitos relevantes. Gates inventou a indústria do software quando todos achavam que hardware era a bola da vez.

Uma das frases mais famosas de Gates sobre sua visão dos negócios é "Nós procuramos por negócios onde possamos ter uma grande participação de mercado, e não apenas os tradicionais 30% ou 35%". Por trás da cara de nerd sempre se escondeu um executivo ultra agressivo que trabalhou duro enquanto a concorrêcia dormiu em berço esplêndido.

O filme Piratas do Silício que eu exibi no último HollyCEO tem uma cena muito bacana que reproduz fielmente o que Bill Gates teve que fazer para conquistar a IBM quando a Microsoft era uma micro empresa no segundo andar de um posto de gasolina.

A cena abaixo, como diz o personagem do Steve Ballmer durante o trecho selecionado, deveria estar nos livros de história de todo o planeta.

Bill Gates é o cara, sua vida deve ser estudada por nossos tataranetos. Sua trajetória é mais enriquecedora para uma criança do que a história de como Pedro Álvares Cabral chegou ao Brasil.

QUEBRA TUDO!

   

31/05/2008

Um jovem herói.

Entrevista1 Em tempos difíceis que descobrimos quem é quem. Confira a história de um estudante venezuelano e sua luta contra a retórica ultrapassada da esquerda chavista.

Apesar da pouca idade – apenas 23 anos –, o estudante de direito Yon Goicoechea é hoje um dos principais líderes de oposição ao governo do presidente Hugo Chávez na Venezuela. Sua atuação à frente do movimento estudantil foi considerada pelos observadores decisiva para a derrota de Chávez no referendo que lhe teria conferido mais poder e limitado ainda mais a liberdade dos venezuelanos. Por sua luta em prol da democracia, Goicoechea recebeu, no mês passado, um prêmio de 500 000 dólares do instituto americano Cato, sediado em Washington. Ameaçado de seqüestro e até de morte pelos chavistas, ele passou a tomar algumas medidas de segurança em seu dia-a-dia. Não sai mais à rua sozinho e troca o número do celular a cada quinze dias, para evitar ser grampeado. Ainda assim, vive com medo de ser vítima de um ato violento por parte do governo. Na entrevista que concedeu a VEJA, Goicoechea se revela uma voz destoante no movimento estudantil: critica o fato de tais movimentos receberem dinheiro do governo, tal qual no Brasil, e é contra invasões de reitoria como forma de protesto.

Veja – Você acaba de ganhar um prêmio nos Estados Unidos por lutar pela liberdade em seu país. Qual foi a reação do governo?
Goicoechea –O Ministério da Comunicação usou a televisão estatal para difundir a tese de que, ao conceder o prêmio a um opositor do regime, os Estados Unidos estariam fazendo uma nova tentativa de desestabilizar os governos na América Latina. Uma baboseira ideológica que choca, antes de tudo, pelo anacronismo.

Veja – Qual é sua opinião sobre esse antiamericanismo?
Goicoechea – É inaceitável o fato de a filosofia antiamericanista ainda ter espaço num momento em que os países estão cada vez mais próximos uns dos outros. Enquanto eles se abrem e claramente se beneficiam disso, a Venezuela está isolada do mundo. Também não dá para entender de onde vem tanto ódio contra um modelo que, afinal, deu certo. Fiz palestras em Harvard e Georgetown, ambas nos Estados Unidos, e vi de perto como funcionam algumas das melhores universidades do mundo. Devemos é aprender com os americanos, em vez de repudiá-los. Repare que há muito pouco de objetivo nas críticas feitas por Chávez aos Estados Unidos – são pura retórica. Adoraria ver os venezuelanos vivendo tão bem quanto os americanos.

Veja – Você costuma ser criticado por outros estudantes ao defender tais idéias?
Goicoechea –Sim, o tempo todo. Essas críticas vêm de uma minoria de estudantes que ainda apóia Chávez. Estão motivados, basicamente, por um discurso ideológico de esquerda. Segundo esses estudantes, eu seria um típico representante da direita. Com uma discussão tão ultrapassada, eles deixam de prestar atenção na questão central: quem se opõe ao governo Chávez está lutando pela possibilidade de qualquer venezuelano defender o que bem entenda e acreditar nisso sem que seja punido, como é comum hoje. Para superar um cenário tão atrasado, é preciso pragmatismo – e a insistência no debate ideológico só atrapalha.

Veja – Líderes estudantis brasileiros, sobretudo aqueles ligadas à União Nacional dos Estudantes (UNE), já declararam apoio incondicional ao presidente Hugo Chávez. Eles também estão sendo mais ideológicos do que pragmáticos?
Goicoechea –Sem dúvida. Acho indefensável que haja no movimento estudantil brasileiro líderes que saiam em defesa das práticas autoritárias do governo venezuelano. Prefiro acreditar que eles fizeram isso por um profundo desconhecimento das reformas propostas por Chávez. Se estivessem mais bem informados, esses estudantes brasileiros não teriam tomado uma posição que vai de encontro à diversidade de opiniões e às liberdades individuais. Como ser a favor de reformas que tirariam das pessoas direitos tão básicos, como o de escolher seus governantes e até o de optar pela profissão que desejam seguir? Não faz nenhum sentido que estudantes tenham simpatia por tais idéias.

Veja – Você chegou a receber alguma manifestação de apoio de movimentos estudantis brasileiros?
Goicoechea –Nenhuma. Mas teria sido de grande ajuda. A pressão internacional contra Chávez pode exercer um papel fundamental para que a Venezuela se torne, de novo, uma democracia. Infelizmente, alguns líderes estudantis na América Latina, assim como o meio acadêmico de modo geral, estão paralisados pelo discurso ideológico. Perdem tempo discutindo Karl Marx e idéias superadas ao longo dos séculos, quando poderiam estar lutando por questões mais práticas e relevantes. Esse debate velho não faz mais sentido em nenhum lugar do mundo – muito menos na Venezuela, onde falta um artigo de primeira necessidade: a liberdade de expressão.

Veja – No Brasil, os estudantes costumam invadir reitorias como forma de protesto. Você concorda?
Goicoechea –Não. Numa democracia como a brasileira, há instituições suficientemente sólidas para resolver os impasses, e é preciso recorrer a elas. A ordem e o respeito à lei não são princípios apenas desejáveis, mas absolutamente necessários nas sociedades modernas. Até mesmo num governo autoritário como o da Venezuela, em que as instituições são menos transparentes e inoperantes, acho que manifestações tão extremas a ponto de ser ilegais devem funcionar apenas como último recurso.

Veja – Que tipo de represália você sofreu por parte do governo quando começou a liderar movimentos antichavistas?
Goicoechea –Foram tantas que perdi a conta. Recebi telefonemas em casa com ameaças de seqüestro e até de morte. Isso se estendeu à minha família. Também já apanhei no meio da rua. No ano passado, durante uma assembléia para discutir as reformas propostas por Chávez, alguns estudantes que apoiavam o governo me agrediram. O que era para ser um debate como qualquer outro se tornou uma demonstração de intolerância. Acabei no hospital com um olho roxo e o nariz machucado. Em outra ocasião, colocaram um explosivo no palco em que eu discursava. Eles fazem isso para me assustar, e às vezes conseguem. Não dá para não ter medo de morrer numa situação como a atual. Meus familiares vivem apavorados com a idéia de que algo pior possa acontecer comigo. Por mais de uma vez, minha mãe via televisão quando foi surpreendida com cenas em que eu era alvo de agressões em plena luz do dia.

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Veja – Em geral, quem são os agressores?
Goicoechea –Pessoas ligadas a alguns dos grupos radicais de apoio a Chávez. Eles praticam a violação dos direitos humanos na Venezuela sem nenhuma espécie de pudor. Minha situação piora com a propaganda negativa que o governo faz contra mim em jornais, rádios e na televisão. Já me chamaram de tudo: de fascista, inimigo da pátria, colaborador da ultradireita e até de títere do império americano. Em meu país, sou tratado pelo governo como um péssimo exemplo.

Veja – Como você se protege?
Goicoechea –Jamais fico sozinho em lugares públicos. Troco o número do meu celular a cada quinze dias e não tenho mais telefone fixo, para evitar ser grampeado. Em momentos mais tensos, como nas semanas que antecederam a votação do referendo de Chávez, deixei de dormir em casa. A cada noite, pedia asilo a um amigo diferente. Viver assim não é exatamente bom, mas sei que não exagero ao tomar medidas em prol da minha segurança.

Veja – Você pensa em deixar a Venezuela e morar em outro país?
Goicoechea –Não. Depois da II Guerra, meu avô fugiu do caos em que estava a Espanha para tentar uma vida melhor na Venezuela. Com o passar dos anos, a Espanha se tornou próspera e meu avô sofreu muito com o fato de não ter estado lá para ver essas mudanças e participar delas. Guardadas as devidas diferenças históricas, a Venezuela é hoje, também, uma espécie de terra arrasada. Posso soar idealista, mas não quero jamais sentir a mesma frustração de meu avô, ainda que toda essa repressão me atinja tão diretamente.

Veja – O governo interfere nas universidades da Venezuela?
Goicoechea –Ele tenta o tempo todo. Algumas universidades já são diretamente controladas pelo governo. Nelas, todos os reitores e diretores são pró-Chávez e chegaram lá por indicação política. É o caso da Universidade Bolivariana, uma invenção do próprio Chávez, e da Unefa, comandada pelas Forças Armadas. Essas instituições sofrem pressão do governo. Alunos e professores têm medo de emitir opiniões que possam ser mal interpretadas pelas autoridades e resultem em expulsões, demissões e outras represálias. Fazer oposição a Chávez numa dessas universidades é algo impensável. Felizmente, elas ainda são a minoria na Venezuela. Mas o número pode aumentar.

Veja – Por que você diz isso?
Goicoechea – O governo lançou recentemente uma proposta inacreditável. Chávez quer que o processo de seleção nas universidades passe a ser comandado pelo Ministério da Educação. Na prática, isso significa que só os estudantes alinhados com o governo teriam acesso à educação superior. Não acredito que os chavistas consigam emplacar esse projeto. De todo modo, é assustador. O governo também tentou implantar uma cartilha própria nas escolas, mas fracassou.

Veja – Como era exatamente essa cartilha?
Goicoechea – Profundamente ideologizada e xenófoba. O objetivo declarado da cartilha era formar "o novo homem socialista", nas palavras do próprio Chávez. Ela incentivava as crianças a entoar canções a Simon Bolívar, o herói da independência nacional, e a odiar os colonizadores europeus. Também apagava alguns capítulos da história desfavoráveis a Hugo Chávez e alimentava a admiração aos movimentos que resultaram em ditaduras comunistas, como os da Coréia do Norte e de Cuba. Um absurdo atrás do outro. Mas essa Chávez não conseguiu levar adiante. 

Veja – Você conhece muita gente que vive com medo do governo na Venezuela?
Goicoechea –Isso é muito comum. No serviço público, por exemplo, é preciso dar a toda hora manifestações explícitas de apoio ao governo para manter o emprego. Isso acontece de diversas maneiras. Conheço pessoas que já foram várias vezes forçadas a participar de atos públicos em favor de Chávez. Nessas ocasiões, elas sabem que, caso não compareçam, acabarão demitidas. Vão, portanto, porque precisam do trabalho. Essa é uma forma de coerção brutal. Quem recebe benefícios sociais do governo sofre algo parecido. O pré-requisito básico para ter acesso a qualquer um deles é o mesmo: apoiar incondicionalmente Hugo Chávez. Hoje, quem faz oposição ao governo na Venezuela paga um preço alto por isso.

Veja – De onde vem o dinheiro para manter o movimento estudantil que você comanda?
Goicoechea –Da contribuição mensal dos estudantes e de empresas do setor privado. Elas dão dinheiro por meio de uma fundação mantida pelo próprio movimento estudantil. Do governo, evidentemente, não vem nem um centavo. É claro que isso tem uma relação direta com o fato de o movimento ser de oposição a Chávez. Mas, mesmo que o governo quisesse nos ajudar financeiramente, eu seria absolutamente contra.

Veja – Por quê?
Goicoechea –Não acho apropriado para um movimento estudantil manter uma relação tão estreita com o governo. Por definição, uma organização dessa natureza precisa ser independente. Do contrário, dificilmente fará um trabalho sério. Às vezes, os estudantes precisam se colocar contra o governo, como acontece hoje na Venezuela. Com uma relação financeira estabelecida entre as duas partes, a isenção fica naturalmente comprometida.

Veja – No Brasil, uma parte do orçamento da UNE vem do governo...
Goicoechea –Para mim, está claro que esse é um modelo fadado ao fracasso. Se fosse estudante no Brasil, faria uma reflexão sobre isso.

Veja – Você está pessimista em relação à situação na Venezuela?
Goicoechea –É preciso fazer um esforço diário para renovar o otimismo. Enxergo, no entanto, alguns sinais positivos no horizonte. Estudantes que antes não se manifestavam têm me procurado dizendo que, diante de tanto obscurantismo, resolveram protestar ativamente. Isso fortalece o movimento. Outro dado bom diz respeito ao surgimento de lideranças no governo dispostas a respeitar as leis e a dialogar com a oposição. É, pelo menos, um começo.

Veja – O que você vai fazer com o prêmio de 500 000 dólares que acaba de receber?
Goicoechea –Investir numa escola em Caracas para capacitar líderes. A idéia é ajudar a formar uma juventude com a mentalidade mais aberta e, antes de tudo, voltada para temas minimamente relevantes. É o contrário do que se passa na Venezuela e em tantos outros países da América Latina – todos com uma forte inclinação para assuntos já sepultados pela própria história. Fico angustiado ao ver como questões tão ultrapassadas e ideológicas impedem as pessoas, ainda hoje, de aspirar a uma sociedade mais moderna.

FORA TODAS AS IDEOLOGIAS ATRASADAS DE ESQUERDA que se propõem a transformar o mundo em algo comunitário e não pessoal.

Eu espero que NENHUM JOVEM JAMAIS ABAIXE A CABEÇA para NENHUM SISTEMA POLÍTICO de esquerda ou direita. ABSOLUTAMENTE NENHUM. Seja MAIS VOCÊ, crie sua própria IDEOLOGIA (temporária) a partir da REALIDADE que você vive ao invés de tentar adaptar alguma ideologia a fantasia imaginária de algum lunático dos séculos que já eram.

Que o número de brasileiros com INFLADA AUTO-ESTIMA multiplique todos os dias.

CHEGA de abaixar a cabeça!

21/05/2008

Himalayan Experience.

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Dias atrás eu assisti Russell Brice, CEO da Hymalayan Experience, falar sobre as dificuldades, logística e segredos para chegar ao topo do Everest. Brice é super detalhista quando descreve o planejamento, a preparação e os equipamentos necessários para chegar no topo do mundo. Confira os sides da palestra aqui, e o áudio em mp3. Às vezes o áudio da palestra some, don't worry, é porque o cara fez a palestra do Himaláia. A palestra aconteceu em um evento de marketing + gestão de projetos. A palestra é sobre a tal da "experiêcia de marketing" e o quanto tempo ela dura depois que o cliente experimenta. Os slides mostram fotos lindas sobre toda a experiência que o cliente vive. São 107 fotos fantásticas!!!
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13/05/2008

Contra todas as regras de negócios.

18/03/2008

América Independente.

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Um dos documentários mais legais que eu assisti nos últimos é Independent America. Independent America + Corporation entre outros serão temas de um dos próximos eventos do HollywoodCEO, fique ligado.

Independent America é sobre o impacto que a abertura das lojas da Wal-Mart têm sobre a economia das pequenas cidades, e principalmente sobre o resultado do pequeno comércio local.

Em Independent America dois jornalistas americanos mostram por A + B que o impacto Wal-Martiano é sério sobre os pequenos empresários, por outro lado, o impacto da Wal-Mart é sempre positivo para os clientes. O documentário é SHOW.

O documentário mostra que os pequenos negócios são varridos da face da terra se não estiverem super bem preparados para se diferenciar da Wal-Mart. O filme mostra casos de quebradeira, e casos fantásticos de pequenos comércios locais que ainda sobrevivem a entrada da Wal-Mart em seus mercados.

O mensagem é simples, ou você cria algo realmente diferente, ou a Wal-Mart te come vivo.

Starbucked_bookcover Um novo livro, Starbucked, mostra agora o efeito contrário e positivo provocado por uma grande rede de lojas de varejo, no caso a Starbucks, no pequeno comércio.

Starbucked mostra que a abertura das lojas da Starbucks aumentam os negócios e vendas das cafeterias locais e independentes.

(Infelizmente, esse tipo de pesquisa ainda não existe no Brasil).

A Starbucks geralmente oferece produtos mais caros que as cafeterias independentes, o que permite a eles continuar a sobreviver, e mesmo investir em novos produtos e nichos de mercado agora desenvolvidos pela Starbucks.

20 anos atrás existiam apenas 585 cafeterias nos EUA. Ao final de 2007, o país têm mais de 7 mil lojas da Starbucks. A Starbuks tem 24 mil lojas no mundo inteiro. Howard Schultz, fundador da rede, tem o objetivo de transformar a Starbucks na maior rede de lojas de varejo do planeta. Ele pretende abrir 16 mil novas lojas no próximo par de anos.

Em média um cliente da Starbucks visita 18 vezes a mesma loja no período de um mês. Eles oferecem algo próximo a 50 mil tipos de combinações diferentes que podem ser feitas com os seus produtos!!!

O livro mostra a Starbucks como um modelo exemplar de mega ultra multinacional que ajuda a economia a melhorar, e ainda contribui para o crescimento e formação do comércio local.

Excelente exemplo de um Golias do mundo dos negócios ajudando os pequenos Davis a prosperar.

QUEBRA TUDO na America (incluindo Brasil) Independente!!!

23/01/2008

A Embraer do ônibus

"Quem chega à fábrica da Marcopolo em Ana Rech, distrito da cidade gaúcha de Caxias do Sul, é forçado a concluir que está diante de uma empresa com ambições globais. As dezenas de carrocerias de ônibus espalhadas pelo imenso galpão central da unidade chamam a atenção pela diversidade. Há modelos de marcas russas, indianas, argentinas, uruguaias, venezuelanas -- e até mesmo veículos destinados ao mercado brasileiro. Um mapa-múndi pendurado na parede do prédio da diretoria mostra os mais de 100 países para onde a Marcopolo exporta, nos quais possui fábricas ou tem representantes comerciais. Nos próximos dias, essa ambição global será potencializada pelo mais audacioso passo dos 58 anos de história da Marcopolo. A companhia começou a construir na cidade de Dharwad, no sul da Índia, a maior fábrica de ônibus do mundo, com capacidade para produzir até 25 000 veículos por ano (a fábrica de Caxias produz cerca de 8 000 unidades anuais). O investimento, feito em parceria com a indiana Tata Motors, tem como objetivo atender ao mercado local, segundo maior do mundo. Cerca de 4 000 funcionários serão deslocados para a nova unidade. A fábrica começará a funcionar em setembro de 2008, e a previsão da Marcopolo é que gere receitas de quase 400 milhões de dólares anuais.

Com movimentos dessa natureza, a companhia gaúcha conseguiu entrar para o grupo das 100 empresas de países emergentes que mais incomodam as líderes mundiais, levantamento realizado em 2007 pela consultoria Boston Consulting Group (BCG). Também fazem parte dessa lista companhias tradicionalmente voltadas para o mercado global, como a siderúrgica Gerdau e a mineradora Vale. Outra brasileira que entrou na lista é a Friboi, que em julho comprou a americana Swift. As empresas do Brasil, da China e da Índia são destaques absolutos na lista da BCG. O Brasil tem 13 empresas listadas. A China, 41. E a Índia, 20. "O impressionante crescimento de multinacionais de países emergentes está ameaçando os fabricantes tradicionais", diz Fernando Machado, consultor da BCG no Brasil. "E a Marcopolo está cada vez mais agressiva em seu movimento de internacionalização." Até o final de 2008, a Marcopolo vai contar com pelo menos dez fábricas em oito países -- Brasil, Argentina, Portugal, México, África do Sul, Colômbia, Rússia e Índia.

Terceira maior fabricante de ônibus do planeta, com faturamento anual de 2 bilhões de reais, a Marcopolo começou a se aventurar pelo mundo há 16 anos, quando abriu uma fábrica na cidade de Coimbra, em Portugal. O objetivo era modesto: estabelecer uma espécie de posto avançado de observação do mercado europeu. Depois, construiu uma fábrica na Argentina, mas ficou nisso. Essa modéstia se manteve inabalada até que, nos últimos sete anos, instalou-se em sua sede uma espécie de fúria inauguratória. Foram abertas fábricas no México, na África do Sul, na Colômbia, na Rússia e na Índia. Hoje, as vendas fora do Brasil representam mais de 40% do faturamento da Marcopolo, um crescimento de 20% em relação 2006. O principal motivo para a aceleração recente foi a criação de um novo modelo de negócios, que divide os riscos da internacionalização com um parceiro local -- conhecedor das peculiaridades do mercado em que atua, ele diminui as chances de errar a mão, sempre grandes quando um forasteiro chega sozinho. Foi assim na Rússia, onde a Marcopolo se associou com a Ruspromauto, maior montadora de veículos local. Uma segunda fábrica russa já vem sendo construída. O mesmo ocorre na Índia. Ali, a sócia é a indiana Tata Motors, líder do setor, que construirá com a Marcopolo a maior fábrica de ônibus do mundo.

O sucesso da internacionalização da Marcopolo pode ser explicado por dois fatores principais. O primeiro deles foi a mudança no modelo de produção. Até poucos anos atrás, a empresa enviava do Brasil conjuntos com partes de ônibus para que as fábricas em outros países os montassem. Esse modelo funcionava muito bem com o real barato, mas começou a se desgastar com a valorização cambial dos últimos dois anos. Foi quando seus executivos adotaram um sistema que concentra toda a produção nos países onde a Marcopolo tem fábricas. Na Índia, os ônibus serão produzidos com 100% de peças e componentes locais já no fim de 2007. "Enviar kits ao exterior é complicado. Transladar a engenharia é imensamente mais difícil", diz José Rubens De La Rosa, diretor-geral da Marcopolo. Para vencer esse desafio, a empresa substituiu a exportação de peças pela de pessoas. Hoje, há mais de 200 funcionários brasileiros expatriados, que têm a função de ensinar aos trabalhadores locais os métodos de produção da companhia.

Como a Marcopolo chegou lá

  • Produção local. A empresa inaugurou sua primeira fábrica no exterior em 1991, em Portugal.D e lá para cá,foram outras seis unidades em seis países.Agora, prepara a construção da maior fábrica de ônibus do mundo, na Índia
  • Modelo novo. Até 2000, a Marcopolo enviava do Brasil kits com partes e peças e montava os ônibus nas unidades internacionais.D epois, passou a apostar em fornecedores locais. Hoje, já há duas fábricas com 100% da matéria-prima local
  • Mais flexibilidade. Para conquistar clientes em cada país que opera, a Marcopolo desenvolveu a maior gama de produtos entre as fabricantes de ônibus.Além disso, produz modelos sob medida — de microônibus a veículos de dois andares

O SEGUNDO PULO-DO-GATO da Marcopolo foi a aposta radical na customização de seus ônibus. As empresas do setor tinham por hábito vender apenas meia dúzia de modelos, até que a fabricante gaúcha decidiu que faria qualquer adaptação possível, não importando se os clientes fossem grandes ou pequenos. Primeiro, ampliou seu leque de produtos básicos, desenvolvendo todo tipo de ônibus -- de veículos de dois andares a microônibus. Depois, apostou na produção sob medida. Para entrar no mercado saudita, os engenheiros desenvolveram um ônibus com teto removível. A modificação tinha como objetivo atender os fiéis que fazem a peregrinação a Meca, já que, de acordo com os rituais religiosos muçulmanos, não podem ter nada entre a cabeça e Deus. Os ônibus vendidos para mineradoras de cobre chilenas são mais altos e têm estrutura de aço inoxidável para evitar a corrosão. Finalmente, até mesmo ônibus encomendados por artistas são transformados: vêm até com quarto de dormir. "Realmente não temos limites", diz De La Rosa. "Para entrar no mercado dos outros, precisávamos fazer algo que eles não conseguissem copiar."

Nos últimos anos, a expansão internacional entrou como tema urgente na agenda dos empresários brasileiros, para quem o país passou a ser pequeno demais. Empresas como Gerdau, Vale, Weg e Odebrecht fizeram do Brasil, antes sedento por investimento estrangeiro, o 120 maior investidor do planeta. Entre os benefícios dessa nova faceta dos grandes grupos brasileiros está a diversificação de suas receitas, o que diminui os riscos do negócio e, conseqüentemente, aumenta o apetite dos investidores. Hoje, já há 13 empresas brasileiras com investment grade, o grau de classificação de risco baixo concedido pelas agências especializadas. Segundo EXAME apurou, a Marcopolo seria uma das próximas empresas brasileiras a receber o grau de investimento. "Há muito tempo nos perguntávamos: por que não vamos para o mundo inteiro?", diz Paulo Bellini, fundador da Marcopolo e, atualmente, presidente do conselho de administração. "Hoje, pouco mais da metade da empresa depende do Brasil."

Para atingir o grau de investimento e se manter no grupo de 100 empresas desafiantes, a Marcopolo terá de superar alguns obstáculos. O principal deles é a entrada no maior mercado do planeta, a China. A logística necessária para levar um ônibus pronto do Brasil até lá representa um aumento de pelo menos 20% no preço final, o que inviabiliza o negócio. E, até agora, seus executivos não encontraram uma solução definitiva para o problema. Um acordo de transferência de tecnologia assinado em 2001 com a italiana Iveco e a chinesa CBC impediu que a Marcopolo instalasse uma fábrica de ônibus no país. A primeira saída encontrada foi iniciar a produção local de componentes. Não deu certo. A empresa não encontrou um parceiro local que garantisse os direitos de propriedade intelectual de sua tecnologia. O nó demorou tanto a ser desatado que o acordo com Iveco e CBC expirou e agora a Marcopolo está livre para abrir uma fábrica de ônibus na China. O problema, mais uma vez, será conseguir um parceiro estatal necessário para colocar o projeto de pé. As negociações estão em andamento, e um acordo pode ser anunciado nos próximos meses. É na China, portanto, que a ambição global da Marcopolo enfrentará seu grande teste. "Eles já incomodam muito hoje", diz Machado, do Boston Consulting Group. "Se finalmente conseguirem se instalar na China, vão incomodar muito mais." Fonte: Exame.


17/12/2007

A história do iStockPhotos.

iStockPhotos é um negócio revolucionário que mudou para sempre a maneira de comprar e vender imagens no mundo. O iStockPhotos acabou com a dificuldade que existia no mercado para fotógrafos amadores (nem tanto assim) mostrarem o seu trabalho e ganhar dinheiro com isso. Os caras quebraram tudo. Confira a história da empresa em um youtube video montado com imagens que estão disponíveis no site. Se uma imagem vale por mil palavras, quantas palavras você economiza quando mostra mil imagens?

Uma visita ao iStockPhotos PROVA a você a quantidade de gente criativa que tem nesse mundinho que vivemos. É brin-ca-dei-ra! Milhões de pessoas com um excelente olho para bater uma foto emocionante, ou desenhar uma ilustração de arrepiar os cabelos.

Não tem prá ninguém, o SER HUMANO é animal!

16/11/2007

Pouco processo, muita inovação.

Logojpg "O empresário Abilio Diniz passou os últimos anos em busca da fórmula para acelerar o crescimento do Pão de Açúcar. Após uma década de expansão impressionante, quando teve seu faturamento triplicado, a rede estacionou. Há três anos, suas vendas aumentam num ritmo decepcionante. Em conseqüência, o Pão de Açúcar passou a ser visto com ressalva pelos investidores da bolsa: as ações do grupo estão entre as que mais se desvalorizaram nos últimos 12 meses, uma queda de 11,8%. Em abril, Abilio perdeu a liderança do varejo brasileiro para seu maior concorrente, o Carrefour, que comprou o Atacadão e voltou ao primeiro lugar após sete anos. A mudança no ranking acendeu a luz vermelha no Pão de Açúcar. Abilio e o presidente do grupo, Cássio Casseb, começaram a buscar no mercado alternativas para reencontrar o caminho do crescimento. Depois de dois meses de procura, encontraram a resposta no sorridente empresário paulista Rodolfo Nagai. No dia 1o de novembro, Abilio deu a Nagai 208 milhões de reais para tornar-se seu sócio na rede atacadista Assai."Analisamos o Assai e consideramos que o negócio deles realmente merecia ser olhado com muita atenção", disse Abilio a EXAME. "Foi aí que decidimos unir forças."

A atração do Pão de Açúcar pela empresa de Nagai pode ser explicada, em parte, pela quantidade de mussarela vendida pelo Assai -- uma espécie de resumo do modelo de negócios da rede e de seu potencial de crescimento. A cada mês, são vendidos nas 14 lojas da rede 1,5 milhão de quilos de mussarela, o equivalente a 75 milhões de fatias e 12 milhões de reais. Esses números traduzem o poder que Nagai acumulou com um público abandonado por varejistas e atacadistas tradicionais: pequenas pizzarias, "dogueiros" de rua e vendedores de pastel de feira (além da mussarela, o Assai é especializado na venda de salsichas, hambúrgueres e pães de cachorro-quente). A ligação com os microcomerciantes dura mais de três décadas. Pouco após completar 19 anos, Nagai abriu uma pequena barraca de frutas e bebidas na Vila Carrão, zona leste de São Paulo. Para faturar um pouco mais, decidiu revender mussarela, requeijão, palmito e farinha a amigos que tinham pizzarias e vendiam pastéis em feiras livres. "Eles não tinham tempo de comprar, e eu resolvi ajudá-los", diz Nagai. "Quando me dei conta, estava atendendo dezenas de pequenos comerciantes."

Rodolfo Nagai, fundador do Assai
IDADE
54 anos
FAMÍLIA
Casado, três filhos
CARREIRA
Seu primeiro negócio foi um mercadinho inaugurado em 1974, na zona leste de São Paulo
INOVAÇÃO
Criou uma rede de atacado voltada para os microcomerciantes, como “dogueiros”
CURIOSIDADE
Começou vendendo mussarela e farinha a pasteleiros de feiras e pizzarias. Hoje, é um dos maiores vendedores de queijo do país
FEITO
Vendeu 60% de sua empresa a Abilio Diniz, por 208 milhões de reais

Por quase 25 anos, a clientela manteve-se fiel, mas estável, e o desempenho do Assai, modesto. Até o fim dos anos 90, Nagai continuava na mesma loja da Vila Carrão. Foi quando o consumo explodiu: Nagai foi favorecido diretamente pela injeção de dinheiro recebido pela classe C nos anos que se seguiram ao Plano Real e passou a inaugurar duas lojas por ano. O faturamento cresceu exponencialmente, até atingir o atual 1,15 bilhão de reais. A conquista da freguesia de baixa renda deve-se ao modelo de negócios desenvolvido pelo Assai, que tem nos baixíssimos custos de operação seu pilar. As lojas, localizadas em regiões de baixa renda (ou seja, com aluguéis baratos), são calorentas, e os produtos ficam empilhados sem organização. Os preços baixos atraem uma clientela que lota as unidades, dando-lhes ares de mercado persa. A conseqüência disso é uma estrutura extremamente reduzida: enquanto no Pão de Açúcar o custo fixo representa 20% das vendas, no Assai esse índice não passa de 12%.

Custos baixos, lojas cheias e taxas de crescimento de dois dígitos são tudo que Abilio Diniz procura hoje. As vendas dos super e hipermercados de sua rede estão praticamente estagnadas há quatro anos. O empresário tentou reverter essa tendência com a compra do Atacadão, no início do ano (o Atacadão é uma espécie de versão melhorada do Assai: tem, ao menos, ar-condicionado). Mas foi atropelado pelo Carrefour e perdeu sua grande oportunidade de entrar no chamado "atacarejo". Enquanto isso, o Wal-Mart apostava seu crescimento no modelo Maxxi, idêntico ao Atacadão. Com a compra do Assai, Abilio tem em suas mãos, finalmente, um modelo de alto crescimento para fazer frente a seus dois principais rivais. "A corrida recente por esse modelo de loja foi a maneira que as grandes redes encontraram para multiplicar formatos e ganhar escala e rentabilidade", diz Eugênio Foganholo, consultor de varejo.

Rodolfo Nagai passou de vendedor de mussarela a dono de uma empresa de 1 bilhão de reais exercendo controle absoluto sobre o negócio. Segundo amigos próximos e funcionários da rede Assai, ele define praticamente tudo: da localização das lojas à estratégia comercial, passando pelo volume do estoque. Diariamente, Nagai recebe uma resma de papel com o preço de cada um de seus produtos e as promoções da concorrência. Com essas informações em mãos, decide que itens terão os preços reduzidos e por quanto tempo permanecerão em promoção. Nagai também encontra tempo para administrar outros negócios. Alguns deles têm sinergias óbvias com seu atacado: sete fábricas de laticínios, todas localizadas na Região Norte do país, que produzem, claro, mussarela. Outro chama a atenção por não ter nada a ver com o discreto charme da baixa renda. Recentemente, ele comprou metade da alfaiataria do estilista João Carlos Camargo, ex-aprendiz do renomado Ricardo Almeida. Mesmo com tantas atribuições, é Nagai quem comandará a brutal expansão planejada por seus novos sócios. De acordo com os planos do Pão de Açúcar, o Assai dobrará de tamanho já no ano que vem. Serão inauguradas de dez a 15 lojas -- entre elas estão unidades das bandeiras Extra e Barateiro que serão transformadas em Assai. Rodolfo Nagai fica onde está. Ele continuará responsável pela administração na segunda encarnação do Assai. "É praticamente impossível encontrar alguém que entenda como funciona a confusão da rede Assai", diz um executivo ligado ao Pão de Açúcar. "Quem quiser mexer corre o risco de estragar." Após anos de marasmo, talvez a confusão do Assai seja mesmo aquilo de que o Pão de Açúcar de Abilio Diniz precisa para voltar a crescer." Fonte: Exame, hoje.

09/09/2007

8a Geração.

1877 "Para provar que seus lápis são os melhores do mundo, o conde Anton Wolfgang von Faber-Castell convidou quinze jornalistas ao castelo de sua família, em Stein, na Alemanha, para testemunhar uma prova de resistência.

Do topo de uma das torres, a 30 metros de altura, atirou 144 lápis. Nenhum se quebrou, segundo ele. "Nem a internet é capaz de eliminá-los", diz. A história dos lápis Faber-Castell começou em 1761, quando o bisavô de seu trisavô, o marceneiro Kaspar Faber, fabricou o primeiro lápis de chumbo. De passagem por São Paulo, o conde falou à repórter Anna Paula Buchalla da revista Veja.

O QUE O LEVA A ACREDITAR QUE OS LÁPIS NÃO ESTÃO FADADOS A DESAPARECER? Eu acredito na invencibilidade dos lápis. O acessório de escrita mais usado no mundo é também o mais barato. Um único lápis pode escrever cerca de 80 quilômetros. Seu suporte técnico é um simples apontador. Você pode deixá-lo de lado por 100 anos e ele ainda escreverá. Os lápis são indispensáveis, sobretudo, se pensarmos a educação nos países em desenvolvimento. A Faber-Castell do Brasil é a maior fabricante do mundo. Produz 1,8 bilhão de unidades por ano. É onde temos também o maior número de funcionários, cerca de 3.000, o que a torna empresa líder no mercado nacional. Os lápis coloridos, em especial, têm se revelado extremamente importantes no estímulo da criatividade das crianças. Eles são um ativador do desenvolvimento do cérebro infantil. Há uma tendência nas escolas de incentivar o uso dos lápis de cor bem cedo.

NA SUA OPINIÃO, O COMPUTADOR NÃO REPRESENTA UMA AMEAÇA? De forma nenhuma. Um não substitui o outro. Há vinte anos, eu temia pelo pior. Hoje, já não tenho mais medo. Há um enorme número de escritores, pensadores, arquitetos e músicos que não se desvencilham do lápis, mesmo tendo à disposição a mais alta tecnologia. No caso deles, o lápis os ajuda a formular as primeiras idéias – seja o desenho de um carro, seja o esboço de uma pintura. Além disso, o lápis tem seu papel na era da eletrônica. Você será capaz de usar o computador melhor no futuro se na infância desenvolveu suas habilidades mentais com a ajuda dos lápis. Isso sem falar nos bilhões de pessoas que não usam computador. Repito: não há substituto para a praticidade e para o custo de um lápis.

EM QUE SITUAÇÕES O SENHOR DISPENSA O USO DO LÁPIS? Só uso o computador para ler meus e-mails e para me comunicar com os diversos países nos quais temos operações. Carrego sempre no meu bolso um Perfect Pencil. É um lápis feito de cedro californiano, com acabamento canelado, que vem acompanhado de um extensor com banho de platina. Além de proteger a ponta do lápis, esse extensor possui um apontador embutido. Com uma única peça, é possível escrever, corrigir e apontar. Com ele posso escrever em qualquer lugar, seja numa mesa de restaurante, seja no avião. Em casa, guardo meu lápis de estimação, que tem pelo menos 140 anos.

ASSIM COMO AS CANETAS, OS LÁPIS PODEM SER ARTIGOS DE LUXO? Sim, claro. Temos lápis de alta performance, feitos com materiais preciosos. Foi meu trisavô, o barão Lothar von Faber, que, ao assumir os negócios da família, em 1839, possibilitou pela primeira vez que o lápis pudesse se tornar um acessório de qualidade superior. Tomei como desafio pessoal a redescoberta de produtos do passado e o resultado foi a coleção Graf von Faber-Castell. São lápis, canetas e acessórios que combinam materiais selecionados, como platina e madeiras raras, e alto grau de funcionalidade. A imagem da empresa ganhou muito com essa coleção. Mostrou que temos condições de fazer não só produtos para crianças, como também peças com design e tecnologia compatíveis com os de uma caneta Montblanc.

UM NEGÓCIO DE FAMÍLIA QUE DURA OITO GERAÇÕES É UMA RARIDADE. COMO FOI POSSÍVEL MANTER ATÉ HOJE DESCENDENTES NO COMANDO DOS NEGÓCIOS? Bem, homens espertos casam-se com mulheres espertas e geram filhos espertos... A verdade é que é preciso se reinventar sempre. Os desafios mudam de geração para geração. Quando assumi o negócio, em 1978, vi-me obrigado a fazer da Faber-Castell uma marca global em sintonia com o meio ambiente. Criamos recentemente o ecolápis, um produto desenvolvido com madeira reflorestada e fabricado segundo normas socioambientais rígidas." Fonte: Veja.

04/09/2007

Aposte nas pessoas que fazem as coisas certas.

Jeff Skoll fez fortuna como o primeiro presidente da Ebay. Agora ele investe o tempo dele fazendo filmes, como Syriana e Inconvenient Truth na Participant. Nos próximos 15 minutos, você pode escutá-lo falando sobre aqueles que o inspiraram a fazer a coisa certa, como Ayn Rand por exemplo.

"Todo mundo tem a oportunidade de fazer alguma coisa pelo planeta, se cada um de nós fizer algo, nós podemos mudar o mundo."

22/06/2007

Desliga o LIXO do jornal nacional e assista...

Poster_lg01 "Quando eu soube sobre o que aconteceu com vocês, a única coisa que passou pela minha cabeça foram os meus filhos e a minha esposa. Eu pensei sobre o quanto eles significam para mim, sobre o quanto eu sofreria se eu os perdesse. Então eu pensei sobre vocês, o time, a escola, a cidade, sobre o quanto vocês deviam estar sofrendo, então, caramba, talvez eu posso ajudá-los." Jack Lengyel, Treinador do Time de Futebol Universitário da Marshall University.

O mundo do cinema é realmente inspirador. Quando o cinema encontra o mundo dos esportes... sai de baixo. É QUEBRA TUDO. Ontem a noite eu assisti a um filme MA-RA-VI-LHO-SO. Inspirador! Tocante! Fantástico! Um show de moral, ética e responsabilidade: We are Marshall! Disponível nas locadoras como "Somos Marshall".

O filme é baseado em fatos reais.

Em 1970, todo o time de futebol americano da Marshall University, juntamente com fãs, comissão técnica, diretor esportivo e outros membros importantes da comunidade local morreram em um acidente aéreo que comoveu todo o país. 75 mortos. Nenhum sobrevivente.
O filme é sobre a jornada de alguns membros revolucionários da Marshall para reconstruir o time a tempo de participar da temporada de 1971 e honrar a memória dos amigos mortos.

"Um dia, não hoje, nem amanhã, talvez não durante essa temporada, talvez nem na próxima, mas um dia, você e eu vamos acordar e de repente nós seremos como todos os outros times onde vencer é tudo e a única coisa que importa. E quando esse dia chegar, caramba, nós vamos honrar a memória daqueles que não estão mais conosco." Jack Lengyel, Treinador do Time de Futebol Universitário da Marshall University.

Eu gostaria de contar agora mesmo a todos vocês sobre o quê eu vi no filme, mas aí, eu estragaria o prazer de vocês em assistí-lo.Wearemarshall_2

ASSISTAM!!! E depois coloquem os seu comentários nesse post.

"Quando vocês entrarem no campo hoje a tarde, vocês precisam entrar com o coração. Joguem com o coração, sangue e alma até o apito final. O jogo só termina no apito final. E se vocês fizerem isso, vocês não podem perder. Nós podemos estar atrás no placar, mas no final do jogo, se vocês jogaram assim, vocês não podem ser derrotados. Aqueles que se foram estão nos observando. Vocês podem apostar a sua vida que eles estão roendo os dentes onde quer que eles estejam ao ver vocês produzirem no campo. Vocês estão me entendendo? A maneira que vocês vão jogar hoje, será a maneira que vocês serão lembrados para sempre." Jack Lengyel, Treinador do Time de Futebol Universitário da Marshall University.

Desliga o LIXO do jornal nacional, desliga o lixo da história do calheiros, e ASSISTA uma excelente história sobre Ética, Moral, Senso de Comunidade, Senso de Urgência e Integridade. Você precisa, os seus filhos precisam, o Brasil precisa acreditar e praticar os melhores VALORES DO MUNDO.

10/11/2006

Starbucks Experience.

Starbucks12 A série de web seminários gratuitos sobre varejo oferecida pela B4B está de volta!!!! Se o seu negócio é Varejo, MARQUE AGORA A SUA  PRESENÇA!

Para ARREBENTAR TUDO, o primeiro web seminário da segunda temporada dessa série da B4B será sobre a STARBUCKS!!!

O web seminário acontece dia 7 de Dezembro das 15:00 as 16:00 hs. FAÇA AGORA A SUA INSCRIÇÃO.

Starbucks Experience é o web seminário onde você vai conhecer a história e as razões que fazem da Starbucks um FENÔMENO mundial no varejo.

Eu quero ver você lá!!!

QUEBRA TUDO no Varejo!

22/06/2006

E quanto aos SEUS Valores Familiares?

Eu gostaria muito de contar a história de empresas familiares que são bem-sucedidas por serem familiares. Se você conhece alguma, e gostaria de contar a sua história, por favor, responda as perguntas abaixo, ou parte delas, e envie para o meu e-mail.

Mostre a sua cara, o seu nome, a sua história. Inspire os outros e a você mesmo!

1. Quem começou a empresa, quando, por que, para vencer qual dificuldade ou realizar qual sonho? Qual é a história de superação que marcou os primeiros anos?

2. O que torna a empresa dramaticamente diferente da concorrência?

3. Quais valores familiares fazem parte da cultura da empresa?

4. Quais histórias você poderia contar que mostram que os valores familiares que eu citei no meu artigo se fazem presentes na empresa: DIÁLOGO, SACRIFÍCIO, NOME do dono aparecendo para o cliente, PERSISTÊNCIA, RESISTÊNCIA?

5. Quais são os desafios que a nova geração tem pela frente?

6. O que a empresa ganha tendo a família no comando?

7. O que a nova geração sente quando olham para ela como "filho do dono"?

8. Como a nova geração vai provar o seu valor?

9. Onde a empresa quer chegar nos próximos anos?

10. Qual é o mercado que a empresa vai se dedicar a ajudar a prosperar?

DEIXE PARA TRÁS TODOS OS SEUS PRECONCEITOS!

17/06/2006

Quando morre o melhor do mundo.

Bussunda "Seja lá onde você estiver, você deve estar bem pois com as coisas boas que fizestes aqui não precisa de mais nada.Alegrou a vida de muita gente. Mesmo das pessoas sem grana com um pouco de humor elas mudavam e ficavam alegres e isso tudo se deve a você e seus amigos. Ayrton Senna, Mamonas Assassinas, Mumu da mangueira (mussum), Zacarias, Grande otelo entre outros que todos aonde esteja estejam juntos e rindo muito pois vocês merecem." Daniel, 17/07/2006, postado as 03:27 hs na comunidade daqueles que AMAM o Casseta & Planeta na Orkut.


"Olha, eu detesto todos do casseta e planeta, inclusive o Bussunda, lamento pela pessoa, mas graças a Deus estou livre daqueles personagens chatos que ele fazia. Tomara que os outros integrantes se toquem e acabem com essa equipe e esse programa idiota." Artides, 17/05/2006 postado as 07:47 na comunidade daqueles que ODEIAM o Casseta & Planeta na Orkut.

Os Melhores do Mundo são aqueles que vivem suas vidas no LIMITE. Muito acima da sanidade média do ser humano.

OS MELHORES DO MUNDO são ARROJADOS, CRIATIVOS, REVOLUCIONÁRIOS, SEM MEDO.

Os MELHORES DO MUNDO VÃO ALÉM DOS LIMITES do entendimento médio do Ser Humano para realizar seus objetivos.

Ao fazer isso, são AMADOS e ODIADOS, com ou sem razão.

VIVA O MELHOR DO MUNDO!!!!!

AME OU ODEIE, mas compreenda de uma vez por todas que são eles que GIRAM A MANIVELA DO MUNDO.

30/05/2006

O Mágico de Woz.

Jobs_and_wozniak_1975 Sem Steve Wozniak não existiria o Apple Computer, sem Steve Jobs não existiria a Apple Computer Inc. Muito antes de Steve Jobs inventar a empresa, Woz inventou o produto.
As histórias, as lendas e as verdades sobre a invenção LITERAL do microcomputador serão lançadas no segundo semestre desse ano no livro "I Woz: How I Invented the Personal Computer and Had Fun Along the Way", a autobiografia do "nerd dos nerds" Steve Wozniak.

Todo mundo deve conhecer Steve Jobs, mas são poucas as pessoas que conhecem Wozniak. Wozniak foi o co-fundador da Apple ao lado de Steve Jobs e o mentor por trás do Apple I, o primeiro microcomputador que a Apple lançou no mercado.

Durante o evento de lançamento do livro nos EUA, Woz falou sobre sua vida e a sua maneira de ser.

"O livro descreve como nós trabalhavamos naquela época no desenvolvimento de projetos de software durante dias a fio sem dormir um segundo sequer. Naquela época eu descobri que eu conseguia clarear as minhas idéias quando eu atingia um estágio avançado de horas sem dormir. Eu fiz várias descobertas nesse estágio avançado de insônia e vontade de ficar acordado".

"O dia e a hora exata que o mundo mudou está no livro. Esse momento aconteceu quando eu estava trabalhando no Apple I. Antes desse momento todos os computadores pareciam com o cockpit de controle de uma aeronave. Depois desse momento, todos os computadores passaram a ter um teclado."

"As escolas fecham a nossa mente para o desenvolvimento criativo. Elas fazem isso porque educação tem que ser algo para todos, e isso significa que o governo tem que fornecer, e esse é o grande problema. As escolas treinam as crianças para fazer certas coisas de certas maneiras, e não para PENSAR, e não para considerar NOVAS SITUAÇÕES."

"Todas as vezes que você faz algo pela primeira vez na sua vida, você vai fazer um trabalho melhor do que a pessoa que já fez o trabalho, você está por dentro dos componentes mais modernos. Eu estava consciente dos melhores chips que existem e onde poderiam ser usados. Produtos mal feitos são resultados do trabalho de pessoas que simplesmente não querem fazer o trabalho pesado de pensar e pesquisar. Ao trabalhar pesado, você consegue criar produtos que funcionam de maneira mais simples e humana."

"Eu aguardo ansiosamente pelo dia em que o computador será o professor das pessoas. Nós ainda não chegamos lá, mas vamos chegar. Nós ainda não conquistamos a inteligência artificial, mas vamos conquistar. Uma vez que um robô consiga servir uma xícara de café para uma pessoa, nós conseguiremos colocar 30 robôs em uma sala com 30 crianças para educá-las uma-a-uma de maneira personalizada, de acordo com seu perfil, preferências e maneiras de aprender." 

"Eu consegui inventar tantos produtos bacanas porque eu estava no ambiente certo na hora certa. Além disso, eu tive um pai maravilhoso e e sempre vivi mergulhado nos livros e manuais certos."

"Você sabe no fundo do seu coração quando você dá de cara com a coisa que você quer fazer até o final dos seus dias. Você sabe... Então faça! Eu fiz o que fiz por nenhuma outra razão que não seja o amor e a paixão por fazer algo melhor do que qualquer outra pessoa poderia fazer."

Seja o MELHOR DO MUNDO! NADA MENOS QUE ISSO INTERESSA!

12/01/2006

Google de A a Z!

Google1 No próximo dia 30 de Janeiro as 15:00 hs vai rolar um web seminário GRÁTIS sobre o Google. O web seminário é patrocinado pela B4B, uma empresa por onde o Projeto DAVI (se você ouviu o podcasting dessa semana você já sabe do que eu estou falando) da BIZ está rolando.

Faça AGORA a sua inscrição no web seminário. Inscreva-se para o evento onde eu vou contar os segredos do Google, de A a Z.

Vejo você já web!

04/01/2006

50 anos em 5.

Timejuscelino Tô de volta! (ou quase de volta).

Esse é o primeiro post do blog da BIZ em 2006, e para começar a QUEBRADEIRA, nada melhor do que o polêmico Juscelino Kubitscheck, o presidente do imposssível, o cara que construiu Brasília, a Sudene e outras obras brasileiras polêmicas e históricas nos anos 50.

JK é o personagem principal da historieta que a globo colocou no ar ontem a noite sobre sua vida.

Se a mini-série será boa, não sei, se vale a pena assistir, só assistindo para saber. A globo costuma colocar mulher pelada, historinhas meladas, e outros recursos populistas para prender a atenção da audiência, mas mesmo assim, eu vou conferir alguns pedaços para saber se a coisa será boa ou não. Do meu lado, eu tô torcendo para que a mini-séria seja boa.

A melhor obra sobre JK que eu já li é o livro JK, se você quiser ler algo bacana sobre JK, eu recomendo esse livro.

JK foi O cara. Talvez ele não tenha sido um presidente nota 10, mas isso, nem isso, não dá para saber com certeza.

Eu não recomendo a ninguém confiar na Globo, ou na Folha, ou no Estadão, ou em qualquer veículo de mídia desse país ou mesmo do mundo para formar a sua opinião sobre as coisas.

TODOS DA MÍDIA têm o rabo preso com alguém. Você NUNCA verá a globo falando mal da General Motors ou da Casas Bahia em pleno Jornal Nacional enquanto essas empresas são grandes anunciantes desses veículos.

Assista a mini-série, leia o livro, mas FORME a sua opinião em cima das OBRAS da pessoa e não em cima do que as pessoas falam das outras.

JK foi O cara porque foi um cidadão de DECISÃO.

E tomar DECISÃO é o que para mim separa os medíocres dos sensacionais, DECISÃO!

"Industrializar aceleradamente o país; transferir do exterior para nosso território as bases do desenvolvimento autônomo; fazer da indústria manufatureira o centro dinâmico das atividades econômicas nacionais - isto resumiria o meu propósito, a minha opção". "Industrializar aceleradamente o país; transferir do exterior para nosso território as bases do desenvolvimento autônomo; fazer da indústria manufatureira o centro dinâmico das atividades econômicas nacionais - isto resumiria o meu propósito, a minha opção". Juscelino Kubisteck

DECISÃO é PARAR de empurrar algo com a barriga é FAZER O QUE TEM QUE SER FEITO agora.

DECISÃO é APOSTAR em uma estratégia ao invés de tentar fazer de tudo.

DECISÃO é não deixar o que tem que ser feito HOJE para sei lá quando.

DECISÃO! DECISÃO! DECISÃO!

Quantas você vai tomar HOJE?

Esse é o segredo de fazer 50 anos em 5.

02/12/2005

REVOLUÇÃO nos bancos!

Caixa Eu vou, sempre que possível, mostrar fotos e histórias das palestras e cursos que eu faço por aí. Ontem, rolou "A Última Coisa que o mundo precisa é de um Vendedor" na Caixa Econômica Federal, do interior de São Paulo, para todos os gerente de contas da região.

Os bancos, hoje, são considerados uma das indústrias com um dos piores índices de satisfação de clientes do mundo. Uma pesquisa na Europa, chega a apontar, que as pessoas quando passam andando na frente de um banco, aceleram os seus passos, tamanho é a vontade de passar longe de um banco.

A Caixa, especialmente essa turma do interior de São Paulo, é uma grande surpresa para mim. Apesar de se tratar de uma empresa pública, onde as coisas teoricamente andam aos passos de tartaruga, os líderes da região e seus comandados estão conseguindo QUEBRAR TUDO quando o assunto é INOVAÇÃO e SERVIR AS PESSOAS.

Apesar de ser uma região menor do que outros centros de negócios, essa turma da Caixa superou números de vendas que nenhuma outra região do país conseguiu alcançar em 2005.

Como?

Alguns exemplos do que eles estão fazendo por lá.

- Blog da CAIXA. TODOS os "revolucionários" da região são estimulados pelo LÍDER da turma a POSTAR suas histórias no blog interno que a região criou para compartilhar práticas, dificuldades, histórias de superação e juntos aprender a fazer e acontecer. DETALHE: A turma criou o blog sem perguntar nada para a Caixa, e nem pedir permissão, simplesmente FIZERAM, e hoje, Brasília quer saber "como fazer" algo TãO ÓBVIO e fantástico que poderia ser adotado em outras regiões.

- Programa Fritas Acompanha. Todos os "revolucionários" da região são estimulados a se transformar em VENDEDORES e VENDER sempre que encontrar um cliente, seja ele quem for e onde for. Resultado: TODOS os funcionários da região, mesmo a tia do cafezinho, VENDEU alguma coisa em 2005, GANHOU comissão e elevou sua auto-estima (todos nascemos VENDEDORES, não acredite nesse papo furado de que alguns são melhores do que outros). DETALHE: a turma NÃO EMPURRA produtos, mas SIMPLESMENTE, CONVERSA com as pessoas, através de PERGUNTAS ABERTAS que faz as pessoas REVELAREM suas REAIS NECESSIDADES.

POR QUE DÁ CERTO? Simplesmente porque os "revolucionários" ABORDAM os clientes e mostram ENTUSIASMO em querer fazer negócios com eles.

- INOVAÇÃO NA VEIA. Você já viu banco abrir aos sábados e domingos? E das 8:00 da manhã as 8:00 da noite? Pois os caras, lá no interior, abrem. RESULTADO: Venderam MAIS nos dias em que trabalharam FORA DO HORÁRIO do que em vários MESES SOMADOS trabalhando como todo mundo trabalha.

Ao notar que 50% dos negócios de imóveis (como eu já havia falado aqui no blog, daí, a minha maior surpresa) são feitos aos finais de semana, os caras, há dois meses atrás, juntaram imobiliárias e outros parceiros de negócios em um evento de final de semana no maior shopping center da região para vender financiamentos de imóveis e casa própria como ninguém NUNCA tinha feito. RESULTADO: todas as metas atingidas, superadas, e trabalho para fazer até hoje!!!

Ao final da minha palestra-reflexão-porrada de ontem, o Álvaro, líder da região, fechou a dia dizendo...

"Em 2005, nós conseguimos atingir os resultados somente quando nós tivemos coragem para inovar. Onde inovamos, nós QUEBRAMOS TUDO, onde não fizemos nada de novo, não conseguimos atingir as metas. Em 2006, só vai trabalhar na minha região AQUELE que for INOVADOR. Quem não for INOVADOR, deve começar a procurar outra região dentro da CAIXA para trabalhar. Aqui, nós vamos exigir INOVAÇÃO de TODOS".

A história dessa turma é FANTÁSTICA e tenho MUITO ORGULHO de dizer que participo e compartilho de alguma maneira da história desses REVOLUCIONÁRIOS do mundo do dinheiro.

Além dessa história, sugiro a você, que trabalha com o mundo financeiro, ou mesmo com GENTE, a ouvir o podcasting da IBM sobre o Futuro dos Bancos. É SHOW!

Os bancos são muito RUINS quando o assunto é falar com seres humanos como nós, para mudar isso, é preciso MUITA HUMILDADE, VONTADE, ESTUDO e CORAGEM para se destacar.

Entretanto, eu tenho CERTEZA, que MUITOS serão corajosos e irão TRANSFORMAR a profissão de BANCÁRIO e mudar o que pensamos sobre eles.

O futuro é BRILHANTE para aqueles que querem estar nele.

29/11/2005

Que país é esse?

Alta Floresta, Guarantã do Norte, Sinop, Nova Mutum, Sorisso, Lucas do Rio Verde, semana passada eu rodei algumas centenas de quilômetros pelo interior do Mato Grosso levando a mensagem da BIZ até as pessoas que estão ligadas ao SEBRAE da região ou as Associações Comerciais e Lojistas que tem por lá. 

Eu tenho muitas histórias para contar sobre as pessoas fantásticas que eu encontrei por lá. Como a história do Largatixa, motorista de taxi, que largou tudo, ou o pouco que tinha (sua família), para desbravar o Brasil no centro-oeste. Quando chegou na década de 50, nada encontrou, a não ser 90 kilômetros de chão que tinha que percorrer todos os dias entre o trabalho na lavoura de 50 graus na cabeça e o primeiro pote d´água, até os dias de hoje, como motorista de táxi.

"Você acha que a sua vida é melhor hoje do que era quando você chegou aqui?", perguntei ao Largatixa, "Sim, claro, melhorou muito", respondeu, "Naquela época, nem chinelo eu tinha. Hoje existem muitas coisas boas. Eu tenho carro, tenho roupa, tenho casa, tenho televisão, tenho dinheiro para comprar comida no supermercado. Hoje as coisas são mais organizadas e disciplinadas. Naquele tempo tudo era bagunçado. Hoje eu não preciso camelar quilômetros e quilômetros para conseguir um gole de água, tudo está melhor".

"Mas e a sua liberdade?", cutucou eu, "Não é verdade que você tinha mais liberdade naquela época?", "Não é verdade que você tinha mais liberdade para ir e vir e fazer e desfazer?", "Mesmo perdendo tudo isso, você acredita que a vida melhorou?", "Perder Liberdade é Melhorar de Vida?".

"Sim, com certeza, do que vale a liberdade se você não melhorar de vida?".

O Mato Grosso é FANTÁSTICO. Muita energia, simplicidade e boa vontade, naqueles que fazem parte HOJE dos BANDEIRANTES da era moderna.

29/10/2005

Pacificidade, Verdade, Não-promiscuidade e Não-ganância

Mormaii Eu conheci a Mormaii há 18 anos quando visitei Garopaba pela primeira vez na vida. A minha primeira visita a uma loja da Mormaii me rendeu uma haviana-mormaii que eu uso até hoje, apesar da minha mulher querer jogar no lixo porque "tem cara de velha".

Desde então sou apaixonado pela Mormaii e por Garopaba.

Se você ainda não teve a chance de conhecer Garopaba, não perca. Fica a apenas 40 quilômetros de Florianópolis, e para mim, é uma das praias mais lindas do Brasil.

Foi lá, em Garopaba, que surgiu a Mormaii.

Um pouco da história de como tudo começou na Mormaii, aparece nas páginas da revista Trip desse mês, (que inclusive está melhor do que a Exame dessa semana), e de onde eu extrai o melhor aqui e agora.

Mergulhe na Mormaii.. EMPREENDEDORIMOS... AGORA E SEMPRE....

No lugar de um livro de administração, um violão velho e um longboard. Em vez de São Paulo ou Nova Iorque, Garopaba, uma pequena, e fria, vila de pescadores localizada em Santa Catarina.

Há 30 anos, surgia por lá, pelas mãos de um médico-músico-hippie uma das maiores marcas do esporte nacional. E tudo começou com pedaços de borracha costurados "na mão", para permitir o surf nas ondas perfeitas e geladas do litoral sul brasileiro.

Era 1974, e Garopaba tratava os seus doentes em cidades vizinhas. Até a chegada daquele hippie cabeludo gaúcho, recém-formado em medicina. Sem dinheiro ou emprego, ele vestia o jaleco, a bermuda e o chinelo e trocada saúde e amostras grátis de medicamentos por uma meia dúzia de ovos ou uma tainha recém-tirada do mar. Era lá, no mar, que passava o resto do tempo.

Desde os anos 60, quando Marco Aurélio Raymundo já era Morongo, graças ao seu rosto rosado e com sardinhas que lembrou a alguém um morango, o surf era o seu grande passatempo.

"Em Porto Alegre a gente trabalhava como cavalos o ano todo para podermos passar 15 ou 20 dias na praia. Até que pensei: pô, bicho, não preciso tirar férias, minhas férias vão ser no ano inteiro. Se eu conseguir o suficiente para comer, valeu".

Mas no meio do caminho havia a geografia. As correntes de águas do Brasil e das Maldivas teimavam, como ainda o fazem, em se encontrar bem ali em Santa Catarina. Volta e meia a água ficava gelada feito vodca, inviável para animais-de-verão.

Garopaba não sabia o que era eletricidade. "Ou eu fazia sexo com a minha mulher ou eu ia para água. Não havia mais nada para fazer". E a água era muito fria. Tinha que inventar alguma coisa para poder curtir o mar.

Nos anos 40, o crescente Império Americano precisava mergulhar nas profundezas, para proteger e atacar. E um tal Hugh Bradner quebrou o galho da Marinha dos EUA. O designer e físico da Universidade de Berkley criou um traje que mantinha o corpo aquecido muitos metros abaixo do mar. E foi com roupas de mergulho como essa que Morongo topou nos anos 70 no sul da Argentina, quanto tirava umas férias da sua Garopaba e rodava a América Latina pegando carona.

"Nessa viagem eu aprendi a cortar, colar e analisar os materiais e ver de onde é que vinha. Porque roupa de mergulha não tem nada a ver com roupa de surf. Era um material muito duro".

Mais adiante, descobriria a existência do rubatex, um neoprene maismaleável, que lhe permitiria empregar seu know-now a serviços da onda. Na mão, como ele diz, cortou, colou e costurou seus trajes de surf.

Os comparsas de ondas não tardaram a compor uma filha na porta do seu casebre, "Era um tal de faz um prá mim, faz um prá mim", "Até que um dia, um cara chamado Felipe me disse", "Pô, bicho, faz dez roupas que meu pai tem uma loja e eu quero colocar elas lá". "Não demorou muito, e o cara voltou e disse", "Pô, vendemos tudo. Agora faz 50".

"Nessa época era tudo feito na mão, e dava um trabalho dos diabos".

Morongo decidiu ir atrás de uma máquina de costura de borracha. Não havia. Adaptou uma, originalmente para sapatos. E assim foi tramadno o que dois anos depois viria a ser a MORMAII, a maior empresa do país e uma das grandes do ramo de artigos para surf e outros esportes primos.

Três são os elementos por trás do nome MORMAII. O "Mor" não é difícil imaginar de onde ele foi tirado. O "Ma" é de Maira, sua primeira mulher e mãe de dois dos seus três filhos. Os dois "i" no final vêm, claro, da terra do surf, o Hawaii.

Hoje, aos 56 anos, Morongo surfa sempre quando pode.

Mas, mais do que o surf, mais do que as roupas de borracha, mais do que a medicina ou a música, o grande assunto para Morongo, hoje, é "expansão de consciência".

"O Ser Humano, defende, não enxerga mais do que uma águia, não corre mais do que um cavalo, tem dentes menores do que um tigre, e arranha menos do que qualquer gato vagabundo", "Fisicamente perdemos para quase todos os animais", "A única coisa que nos diferencia deles é isso aqui. Nós estarmos conversando e termos consciência. Nada é mais importante para o bicho-homem do que o aumento do nível de consciência. Ponto".

Hippie assumido, o "capo" da MORMAII diz que sua empresa é yin, como o surf.

"É um mundo cooperativo, pacifista e conservador", "A Mormaii é competitiva a beça, mas se você viver só no mundo yang vai viver para a competição, para a grana, e caixão não tem gaveta", "Mas se você ficar só no mundo yang tu vai ser um lixo, ficar vendendo chinelinho de couro, fumando maconha, não vai colaborar com a comunidade". "O grande desafio é trilhar o caminho do meio. E o caminho do meio é, aumentar o nível de consciência de todso os envolvidos no processos, dos funcionários até os clientes".

Morongo faz reuniões sobre esse assunto na Mormaii, além de aplicar essas idéias na coleção de roupas. Morongo acredita que só esse tipo de conscientização pode salvar a Terra de sua febre. "Pacificidade, Verdade, Não-promiscuidade e Não-ganância, é disso que o mundo precisa!".

30/09/2005

Nós estamos em constante aprendizado.

Jorgeweb Nasce aqui uma nova coluna no blog da BIZ, aqui em "Histórias Revolucionárias", eu vou entrevistar aqueles que eu acredito fazem revoluções em suas indústrias, e com muita inovação e responsabilidade estão fazendo a diferença no Brasil.

"Histórias Revolucionárias" começa com a entrevista com o Jorge Sukarie Neto, Presidente da Brasoftware, uma empresa que eu conheço muito bem e assino embaixo.

Lá vai...

1. Como é possível construir o hábito do Comportamento Ético até nas coisas mais pequenas?

Não existe Comportamento Ético parcial. Ou você adota o Comportamento Ético em todas as situações ou não consegue mantê-lo como seu guia. Você deve sempre tomar uma decisão, fazer uma escolha, optar por uma alternativa ou outra, enfim, qualquer ação que vá tomar, colocar-se nas diversas situações e analisar como reagiria em cada uma delas. Você não pode tomar uma ação a seu favor, que caso estivesse do outro lado da mesa, não pudesse aceitá-la, ou questionasse a sua ética.

2. Como você motiva as pessoas em meio a uma turbulência?

Em situações de turbulência, o que não pode ocorrer é a sua Equipe ficar desorientada e sentir que o seu Líder perdeu o rumo. O pior que pode acontecer neste cenário é o Líder se abalar e não transmitir mais segurança para o Time. Apesar de não ser fácil, você deve se manter firme, redefinir os objetivos se for o caso, e estar muito próximo da Equipe para orientá-los na direção a seguir, mostrando que apesar da adversidade, aquele momento será superado e que eles podem contar com você.

3. Se você tivesse que construir um gráfico de pizza sobre como você investe o seu tempo, como ele seria? Quanto tempo você investe com clientes, desenvolvimento dos seus funcionários, inovação, e outras coisas?

Eu gostaria de ter um gráfico diferente de alocação de tempo, mas confesso que ultimamente com a divisão das minhas atribuições entre o meu Negócio e a Associação que presido, acabo não conseguindo investir meu tempo da maneira que julgo mais adequada que é dedicando a maior parte dele ao relacionamento com os clientes e ao desenvolvimento do meu Time. 

4. O que é necessário para ser um Líder do Crescimento e não apenas um Gerente de Manutenção de Resultados?

Um Líder do Crescimento está sempre atrás de novos desafios. Não basta uma vitória hoje, busca outra amanhã, outra depois, e assim por diante. Está sempre atrás de novos recordes, mas tem de ser de uma forma planejada, sem atropelos, “pé no chão”, para que possa ser de forma sustentada. Não adianta você subir um degrau hoje e depois cair dois amanhã.

5. Como você desenvolve Líderes?

Liderança você não cria, você simplesmente desenvolve. Então é primeiro desafio é identificar os líderes e destacá-los no Grupo. Depois você vai lapidando com acompanhamento, orientação, mostrando o caminho a seguir. A liderança se desenvolve com o tempo, com a experiência ao lado de um Líder de sucesso.

6. Você está preocupado com a sua habilidade de Inovar? Quais hábitos criativos você mantêm? De onde você tira as suas novas idéias?

Na verdade nunca me preocupei com a habilidade de inovar, pois nestes mais de 20 anos que eu atuo na Área de Tecnologia, perdi as contas de quantas vezes fui obrigado a reinventar meu negócio, quer por conta dos Planos Econômicos, Concorrência, ou a própria evolução da Tecnologia. Procuro conversar muito com Amigos, Clientes, Fornecedores, para acompanhar o que está acontecendo, não só no nosso Setor, mas na Economia em Geral, e como isto pode afetar meu Negócio. Viajo bastante, acompanho muito de perto, e em alguns casos, participo das decisões de nossos Fornecedores sobre o rumo a seguir, o que me permite acompanhar as tendências do Mercado.

7. O que você lê? Quais livros você recomenda a outras pessoas?

Confesso que não sou um leitor assíduo de livros longos. Prefiro as matérias mais curtas e objetivas. Leio muito Revistas da minha Área, nacionais e estrangeiras, e até tenho uma caixa postal no exterior só para recebê-las, apesar de elas também estarem disponíveis na Internet. Além disto leio alguns periódicos mais técnicos como Harvard Business Review. Acesso muitos sites diferentes de Business para acompanhar o que está se falando por aí. Se tivesse que indicar um livro, indicaria um que na verdade serve mais como um livro de consulta periódica, e que trata do problema da perda da Memória à partir dos 40 anos e como contorná-la. Chama-se “Longevidade do Cérebro” de Dharma Khalsa.

8. Qual foi a coisa mais importante que você aprendeu nos últimos seis meses?

Nós estamos em constante aprendizado, todo dia você aprende algo novo. Uma pequena informação, um detalhe, mas são sempre informações novas que você não tinha conhecimento. É difícil mencionar uma só.

9. Qual foi o cliente mais difícil que você já trabalhou? Como você lidou com isso?

Sem dúvida foi o primeiro grande Contrato, não só pela minha inexperiência na ocasião, mas pelo fato de ser um cliente extremamente difícil de se relacionar. Precisei de muita cautela, analisar cada situação, apresentar as soluções certas no momento adequado. Foi uma experiência importante na minha carreira.

10. Se você não fosse Presidente da Brasoftware, o que você gostaria de estar fazendo?

Ser Presidente da Brasoftware. Gosto muito do que faço e estou muito satisfeito com o desenvolvimento do meu negócio ao longo dos anos. Não me vejo fazendo outra coisa fora da minha área.

04/07/2005

Contra o Mal de alguns, seja o Exemplo!

Eu, tanto quanto vocês, vivo indignado com a podridão e corrupção desses seres que se dizem políticos, e nem sabem o significado verdadeiro dessa palavra.

Entretanto, eu não julgo ninguém. Ninguém deve fazer isso. Cada um sabe o que faz e sabe que vai sofrer as consequências dos seus atos cedo ou tarde. Ação, Reação; Tudo que vai, volta, Tudo que volta, vai.

Eu quero que vocês conheçam agora a História de alguém que não fica parada, enfrenta paradigmas, e faz o que tem que ser feito.

Uma história para inspirar você...

Caro Ricardo,

Tenho 45 anos, sou mãe de 03 filhos maravilhosos, nascidos de um casamento de 24 anos de convivência feliz e harmoniosa, meu filho mais velho tem 22 anos  é estudante do curso de direito (9º semestre) Universidade Católica do Salvador(UCSAL), tenho uma princesa chamada Carolina que cursa o 2º semestre de jornalismo na Faculdade Jorge Amado e o caçula com 16 anos está concluindo o ensino médio e pretende prestar vestibular para o curso de História, então impulsionada por eles, aos 43 anos prestei vestibular e fui aprovada no curso de Administração de Empresas atualmente no 7º semestre, também aluna da UCSAL, meu esposo não quis ficar prá traz e resolveu também fazer parte da turma e hoje cursa o 4º semestre do curso de direito na Unyanna.

Há um ano atrás meu filho participou de uma seleção e foi aprovado para estagiar na Penitenciária Lemos Brito, aqui em Salvador, localizada no bairro Mata Escura e durante uma de suas entrevistas com os internos ele conheceu Natanael e a partir dai criou-se um vínculo muito forte entre nós, e eu e meu esposo resolvemos adotá-lo. Ele cumpre pena de 20 anos artigo 157  por crime que não cometeu e hoje faz parte da nossa familia, todos os domigos rigorosamente chova ou faça sol, estamos lá as 07 h da manhã aguardando na fila a nossa vez de entrar e passar algumas horas com ele.

Você fala muito em revolução e a partir da leitura de seus artigos descobri que eu também sou uma revolucionaria, pois sem ajuda de ninguém e com o que temos dentro das nossas possibilidades estamos conseguindo levar esperança e motivação para aqueles homens que estão privados de sua liberdade e encontravam-se totalmente tolidos de esperança de um novo recomeço e hoje através de nosso apoio conseguimos fazer com que eles acreditem que  " Ninguém é culpado de nada,mas somos todos responsáveis por tudo.Ninguém é um verdadeiro perdedor,até que comece a culpar os outros" - Ricardo Jordão!!!

Eu acredito na recuperação do homem e a cada amanhecer agradeço a Deus por ter me concedido mais um dia para que eu lute pelo que acredito. Hoje precisamente no Pavilhão 3 da PLB temos 20 homens (são 300) trabalhando confecçionando peças artesanais com piaçava e palha da costa, meu filho consegui autorização especial e aos sábados vamos à Feira de São Joaquim, compramos a matéria prima e na 4ª feira ele leva o material para o pavilhão e trás às peças prontas, isso tudo sem ajuda de ninguém: nem do governo, nem da pastoral carceraria, somente eles e nós. Saimos então pela cidade carregados, Centro Histórico, Mercado Modelo, Praias, levamos para a faculdade, para o trabalho e graças a Deus temos conseguido vender e com esse dinheiro comprar mais matéria prima como também através do trabalho eles estão podendo ajudar suas familias.

O pavilhão mudou, antes triste e improdutivo, hoje ao chegar o que vemos são homens trabalhando, confecçionando bolsas, chapéus, jogo americano, porta copo e muita coisa linda, e é muito gratificante perceber o brilho nos olhos a motivação por estarem sendo valorizados e acreditados. O meu filho Natanael é cantor e compositor de REP e estamos lutando para a gravação do seu primeiro CD, o senhor poderá acompanhar um pouco dessa revolução através do site www.videolog.tv/mctata. Temos conseguido mobilizar alguns professores da faculdades e conseguimos realizar alguns eventos no pavilhão envolvendo musica, dança, palestra com professores, médicos etc. Então essa é a minha revolução.

Reconheço que ainda é muito pouco, mas já é um começo de um trabalho que se depender de minha familia terá uma repercursão positiva, REVOLUÇÂO !!!!

Um grande abraço e vamos QUEBRAR TUDO!!!

Preciso dizer alguma coisa?


27/05/2005

Eu quero contar a sua História.

Eu quero contar a história de empresas e pessoas que estão transformando a vida e os negócios de pessoas e mercados. Eu estou interessado em contar a história de Seres Humanos e de como eles chegaram lá, e não simplesmente citar os resultados em números de vendas, funcionários e crescimento.

Se você acredita que a sua história é revolucionária, e quer compartilhá-la com o mundo, por favor envie um e-mail para historiarevolucionaria@bizrevolution.com.br. No e-mail você não precisa escrever a história completa, e nem se preocupar com "escrever bonito". Diga apenas o seu nome, cargo, empresa e revolução que fez.

Deixe eu ajudar você a contar a sua História Revolucionária para o mundo.

15/12/2004

Antes de abrir a sua empresa.

Você está pronto para abrir a sua empresa? Faz anos que você tem vontade de ter a sua própria empresa? Aqui vão alguns pontos que você precisa considerar antes de se lançar na aventura de ter o seu próprio negócio.

Examine as suas finanças. Avalie o quanto de dinheiro você irá precisar para viver e o quanto de dinheiro você vai investir para levantar o seu negócio. A pior coisa que pode acontecer a um negócio é ficar sem dinheiro no quinto mês de vida.

Considere um parceiro para complementar as suas forças ou fraquezas. É sempre bom ter um parceiro. É sempre bom ter alguém que vai lutar com você no dia-a-dia.

Procure por conselhos de profissionais. Eu acredito que é preciso ter alguém, que não seja um amigo ou familiar, a quem você possa pedir conselhos sobre as coisas que você está pensando para a sua empresa. É fundamental conversar e trocar idéias com outros profissionais.

Tenha certeza de que você vai abrir uma empresa por amor. Uma empresa feita para durar dura para sempre porque o seu fundador ama o que faz. Ama o negócio, ama o produto, ama os clientes, ama os funcionários, ama as dificuldades do dia-a-dia, ama o desafio de vencer a concorrência e superar a si mesmo. Qualquer empresa que abre apenas para ganhar dinheiro, vai para o buraco no curto e médio prazo.  

05/03/2002

Sam Walton e sua Walmart.

Sam Walton, fundador da Wal-Mart, nunca se pareceu com um bilionário. Em toda a sua vida, ele nunca dirigiu nada além do que sua velha caminhonete e nunca calçou nada além de sapatos comprados com descontos em uma das suas lojas Wal-Mart. Como a Wal-Mart atingiu o seu incrível sucesso ? Até praticamente o dia de sua morte, o Sr. Walton - que gostava de ser conhecido por Mr.Sam - pilotava um avião Cessna para visitar 6 lojas por dia, e assim poder conversar com clientes e com seus funcionários do mais baixo nível de escalão possível. Estar em contato com as necessidades das “pessoas comuns” era a chave de Sam Walton para o sucesso da sua empresa.

Depois de tentar convencer o seu ex-patrão de abrir uma cadeia de lojas que pudesse oferecer reais descontos para o público consumidor, Sam Walton aos 44 anos de idade abriu a sua primeira loja Wal-Mart em 1962. 23 anos mais tarde, ele se tornou o homem mais rico dos Estados Unidos, e a Wal-Mart a maior empresa daquele país com vendas superiores a US$ 200 bilhões de dólares.

“Humildade sempre. Permanecer sempre alerta.” 

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